Vito, um dramaturgo branco, e Dadinha, sua esposa também branca, ganham um presente inusitado e sem remetente: um tonel de cachaça. Em seguida recebem uma visita inesperada de Ambrósio, amigo de longa data, negro, ator, para quem Vito prometera uma peça de teatro. Em instantes, vem a revelação: o visitante era responsável por aquele presente, que serviria agora para regar uma discussão acalorada e cada vez mais confusa sobre o passado dos três.
As dura realidade dos atores negros brasileiros é tema central de A revolta da cachaça que, ao lado das peças Pedro Mico, O tesouro de Chica da Silva e Uma rede para Iemanjá, compõe o Teatro Negro de Antonio Callado. Indignado por as primeiras montagens de Pedro Mico terem sido encenadas por atores brancos utilizando black face, Callado escreve o metateatro que temos em mãos - uma homenagem ao ator Grande Otelo-, no qual vemos a luta de um ator negro por um protagonismo que a própria peça põe em questão.
Tão controversa quanto o fato histórico a que o título faz referência, A revolta da cachaça aborda os direitos dos subjugados e o abuso das autoridades. Afinal, vemos Vito assumir, quase sem constrangimento, a pretensa autoridade branca que daria (ou não) voz ao negro. Diante dessa crítica política, os conflitos encenados nos colocam diante da constatação, no mínimo desconcertante, de que entre amigos, questões pessoais e íntimas podem ser suficientes para encobrir, covardemente, o racismo institucional.
Antônio Callado (26 January 1917, Niterói, Rio de Janeiro, Brazil – 28 January 1997, Rio de Janeiro) was a Brazilian journalist, playwright, and novelist. Born in Niterói, Rio de Janeiro, Callado studied law, then worked as a journalist in London for the BBC's Brazilian Service from 1941 to 1947. Callado began writing fiction in the 1950s. His first novel, A assunção de Salviano (The Assumption of Salviano), was published in 1954, and his last, O homem cordial e outras histórias (Men of Feeling and Other Stories), came out in 1993. Quarup (1967) is regarded as his most famous work. Callado has received literary prizes that include the Golfinho de Ouro, the Prêmio Brasília, and the Goethe Prize for fiction for Sempreviva (1981).