A criação do «Triângulo Corporativo», com a fundação da Casa do Douro, em 1932, e com o aparecimento do Grémio dos Exportadores do Vinho do Porto e do Instituto do Vinho do Porto, em 1933, foi a fórmula encontrada pelo Estado Novo para controlar o sector do vinho do Porto e as relações entre os diversos agentes que intervinham na sua produção e comércio. Desde 1974, o regime democrático impeliu o País para a adopção de políticas que respondessem aos desafios da integração na Comunidade Económica Europeia, implicando a «agonia» do corporativismo e preparando o sector vitivinícola para responder à globalização dos mercados.Todavia, o sector do vinho do Porto só começou a libertar--se da tradição corporativa bem mais tarde, a partir de 1995, quando surgiram os primeiros projectos de adesão ao modelo de inter-profissionalismo, com a criação da Comissão Interprofissional da Região Demarcada do Douro, vindo a concretizar-se definitivamente com a legislação de 2003, que criou o novo Instituto dos Vinhos do Douro e Porto, absorvendo aquela comissão. É essa evolução que se procura analisar neste livro e, simultaneamente, compreender o porquê das «resistências» que dificultaram a consensualização entre agentes económicos com interesses divergentes.