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Da Guerra à Pacificação: A Escolha Colombiana

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A problemática da violência sempre foi um fator presente nas sociedades latino-americanas. A configuração dos Estados como instâncias mais fortes do que a sociedade, numa tendência de privatização do espaço público pelos clãs, foi a causa básica do fenômeno. É a herança ibérica que, superada no Velho Mundo, ainda não foi vencida em terras americanas. É fator constituinte do denominado 'custo Brasil'. O Estado, como frisava Raymundo Faoro, sempre teve donos. Ou como apontava Oliveira Vianna, a ausência de espírito público, essa é uma das marcas registradas na nossa cultura política. Até o final do século XX, essa realidade deu ensejo a Estados em que o compadrio era a lei que comandava o preenchimento de cargos, com toda a seqüela de falta de visão nacional e ausência de patriotismo. O patotismo, na América Latina, sufocou o patriotismo. Patotismo ou clientelismo que deu ensejo, ao longo do nosso Continente sul-americano e também na América Central e no México, às várias gerações de compadres que dominavam a ferro e fogo. Resquícios dessa pesada herança são a ditadura dos irmãos Castro em Cuba e o populismo dito bolivariano do coronel Chávez na Venezuela. Embora tenhamos caminhado, no Brasil, em direção à consolidação de instituições democráticas, notadamente ao longo dos últimos vinte anos, não podemos negar que o patrimonialismo ainda grassa na nossa cultura política. São as várias clientelas que, no recente ciclo de abertura e de amadurecimento democrático, têm preenchido os cargos federais com amigos e apaniguados dos Presidentes, fenômeno que tem dado ensejo às várias 'Repúblicas' que caracterizam a nossa história recente: 'República do Maranhão', 'República das Alagoas', 'República do pão de queijo', 'República dos companheiros'...

165 pages, Paperback

First published May 1, 2010

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Ricardo Vélez-Rodríguez

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Profile Image for Felipe Costa.
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June 4, 2017
O livro de Ricardo Vélez Rodriguez pretende dar uma visão geral sobre como a Colômbia agiu para sair de seu estado de guerra contra a sociedade para uma renovação cultural, educacional e estrutural e, desse modo, mostrar caminhos para outros países latinos que sofrem com o mesmo problema ou que podem estar se encaminhando para esse quadro de violência (caso do Brasil).

O autor escolhe a teoria de Thomas Hobbes sobre o pacto social para explicar a atual situação brasileira e a antiga situação colombiana. Para Hobbes, no estado de natureza o homem estaria constantemente em guerra, ou sendo regido pela autotutela, e por isso os cidadãos acabariam reunindo-se para a formação do Estado, abrindo mão de seus direitos em prol da segurança (movidos por motivos racionais, possibilidade de pacto e paz, e irracionais, o medo) .

No entanto, não é apenas na falta de Estado que o homem sofre com a guerra de todos contra todos, mas também quando há deterioração do pacto social, quando a lei passa a ser desrespeitada.

Dessa forma, o autor entende que os países latinos não apenas sofreram com a falta de Estado, quando eram governados pelos países colonizadores (a chamada anarquia branca), mas também sofreram com a deterioração do pacto social após a consolidação de estados independentes. O poder do Estado nos países latinos sofre com a tradição patrimonialista e a falta de civilidade e solidariedade de seus líderes (ou seriam donos?).

O regime violento nos países latinos engendrou grupos como os narcotraficantes, os paramilitares, o MST, e também fez com que a sociedade se sentisse desprotegida, excluída e frustrada. A formação de um exército reserva de guerrilheiros nestas sociedades foi inevitável.

Ricardo Vélez também analisa que o fortalecimento dos narcotraficantes foi facilitado pelos seguintes fatores: a hipocrisia internacional, a falta de modernização das polícias e das forças armadas, a destruição da solidariedade sociedade, o esmorecimento do combate aos entorpecentes, a compra de políticos, o messianismo político e a teologia da libertação.

Mas a Colômbia não ganhou a guerra contra o tráfico sem fazer nada, o país modernizou o combate ao tráfico, expurgou a banda podre de seus combatentes, descentralizou o poder estatal (o presidente passou a escutar os problemas e necessidades de municípios), revitalizou os transportes, endureceu a aplicação das leis, investiu em educação e bibliotecas públicas, passou a contar com a ajuda da Igreja na pregação de uma ordem moral justa e solidária (cristã) e do empresariado colombiano (o Estado deixou de possuir donos).

Em resumo, o Estado colombiano passou a ser eficiente, transparente e honesto. Entretanto, é importante observar que o autor mostra com estatísticas que não apenas o Estado passou a agir, mas a população colombiana exigiu e trabalhou como uma nação para a reestruturação do país.

Há salvação para o Brasil, mas ela não está em políticas assistencialistas e no perdão de criminosos. O poder burocrático deve ser racional sem ser apenas técnico, deve ser capaz de humanizar suas funções, ouvir todas as classes e sempre respeitar a constituição; essas medidas devem valer para todos os três poderes.
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