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Em Ouro e Alma - Correspondência com Fernando Pessoa

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No centenário da sua morte, nova série de edições críticas de Mário de Sá-Carneiro. Uma edição de Ricardo Vasconcelos e Jerónimo Pizarro. Sá-Carneiro e Pessoa mantiveram um dos mais importantes diálogos epistolares da literatura portuguesa, tanto pela vivacidade da escrita, como pelo seu contributo para a compreensão da obra de Sá-Carneiro, dos heterónimos pessoanos e da revista Orpheu. Inclui a transcrição de manuscritos inéditos.

672 pages, Hardcover

First published January 1, 2004

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Mário de Sá-Carneiro

96 books181 followers
Mário de Sá-Carneiro (Lisboa, 19 de Maio de 1890 — Paris, 26 de Abril de 1916) foi um poeta, contista e ficcionista português, um dos grandes expoentes do modernismo em Portugal e um dos mais reputados membros da Geração d’Orpheu.

Na fase inicial da sua obra, Mário de Sá-Carneiro revela influências de várias correntes literárias, como o decadentismo, o simbolismo, ou o saudosismo, então em franco declínio; posteriormente, por influência de Pessoa, viria a aderir a correntes de vanguarda, como o interseccionismo, o paulismo ou o futurismo.

Nessas pôde exprimir com vontade a sua personalidade, sendo notórios a confusão dos sentidos, o delírio, quase a raiar a alucinação; ao mesmo tempo, revela um certo narcisismo e egolatria, ao procurar exprimir o seu inconsciente e a dispersão que sentia do seu «eu» no mundo – revelando a mais profunda incapacidade de se assumir como adulto consistente.

O narcisismo, motivado certamente pelas carências emocionais (era órfão de mãe desde a mais terna puerícia), levou-o ao sentimento da solidão, do abandono e da frustração, traduzível numa poesia onde surge o retrato de um inútil e inapto. A crise de personalidade levá-lo-ia, mais tarde, a abraçar uma poesia onde se nota o frenesi de experiências sensórias, pervertendo e subvertendo a ordem lógica das coisas, demonstrando a sua incapacidade de viver aquilo que sonhava – sonhando por isso cada vez mais com a aniquilação do eu, o que acabaria por o conduzir, em última análise, ao seu suicídio.

Embora não se afaste da metrificação tradicional (redondilhas, decassílabos, alexandrinos), torna-se singular a sua escrita pelos seus ataques à gramática, e pelos jogos de palavras. Se numa primeira fase se nota ainda esse estilo clássico, numa segunda, claramente niilista, a sua poesia fica impregnada de uma humanidade autêntica, triste e trágica.

Por fim, as cartas que trocou com Pessoa, entre 1912 e o seu suicídio, são como que um autêntico diário onde se nota paralelamente o crescimento das suas frustrações interiores.

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Displaying 1 - 4 of 4 reviews
Profile Image for carpe librorum :).
757 reviews56 followers
Read
July 1, 2016
O homem fartava-se de enviar cartas. Esperava encontrar um diálogo, mas trata-se basicamente das cartas enviadas pelo autor ao seu amigo Fernando Pessoa. Gostava de ler as respostas, sem isso, parece-me bastante obsessivo, parece que o outro nunca lhe escreve, ou quando escreve, nunca é suficiente, sabe-lhe sempre a pouco e tarda. Confesso que não tive paciência para ler tudo, mas dá para compreender um pouco o estado de espírito, principalmente nos últimos tempos. Com a mais-valia de ter reproduzidos muitas das cartas e bilhetes postais originais.
December 17, 2020
Confesso que a correspondência entre autores sempre foi um tema que despertou o meu interesse. A partir desta leitura, verificamos a amizade existente entre Mário de Sá-Carneiro e Fernando Pessoa. Será ainda mais interessante se tivermos a oportunidade de adquirir uma edição em que esteja presente a correspondência de Fernando Pessoa dirigida ao amigo.

A edição da Tinta da China é incrível. Mas também não é surpresa nenhuma! Esta editora já nos habituou à originalidade.
Profile Image for Fernando.
62 reviews3 followers
July 3, 2012
Uma amizade séria, porém verdadeira, dá para sentir pelas páginas este viver pelas palavras.
Profile Image for Margarida Louro.
7 reviews
March 24, 2013
Acho que o Mário de Sá-Carneiro é uma pita intelectual. Assim até vale a pena ser uma pita.
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