Hacerse una voz como lesbiana en el árido ámbito académico, para esas lenguas vivaces, es un trabajo arduo que Virginia Cano encara con entusiasmo. Así, combina en su escritura una voluntad de forma que dibuja un estilo propio, al tiempo en que entrecruza estéticas versátiles: la belleza recia del martillo que destruye ídolos, con la lucidez del hacha que punza preguntas díscolas, con la gracia jugosa y porosa de la lengua que cartografía un corpus lesbiano y compone una ética tortillera.
Me flipa lo del lesbianisme com a mode d'habitar la incertesa, ara estic més chill amb tot en general.
"Es este caos, esta oscuridad de los que no piensan desde la superioridad de lo alto, lo que, a mi juicio, nos mantiene a distancia de la luz enceguedora de una razón universal". Defugim les veritats universals, "inventemos los encuentros en los que celebrar nuestras fiestas de bajos fondos."
A més, l'epíleg m'ha semblat una barbaritat!!!!!!!
"Quiero mi lengua en la entre-pierna que ella ha inventado para mí. Y la quiero larga. Incluso más larga que la que dice el portero. Y la quiero puño, y la quiero gesto. La deseo texto."
Leitura incrível. Geralmente livros com bastante crítica social ficam no abstrato, e as interpretações operam mais no nível sistêmico. Nesse caso, consegui ter uma interpretação muito mais pessoal. Não foi só acadêmico/filosófico, mas individual mesmo. Me permitiu relacionar as reflexões sociais dela com minha própria vivência, lidando com minha família durante a adolescência, e consegui colocar em palavras experiências que mesmo agora, 8 anos depois, ainda são difíceis de entender. É um tipo de livro onde cada um leva sua visão de acordo com nossos olhos e nosso background.
Ele demonstra como ser lésbica não é só visto como ser uma mulher que gosta de mulheres. Ser lésbica também é ser uma mulher que não gosta de homens. Virginia Cano mostra como, em um mundo criado, estruturado, e administrado por homens, ser lésbica é ir contra o "contrato heterossexual". Explora muito bem o conceito de como lésbicas são vistas como mulheres dissidentes. No contrato heterossexual, o valor de uma mulher é atrelado à seu potencial de ter um marido e exercer suas funções esperadas.
A Virginia Cano conta como ela por muito tempo teve dificuldade em falar "eu sou lésbica". Ela falava "eu sou gay", porque em uma língua extrangeira soava mais natural e menos estranho. Até hoje, quando conheço alguém novo e menciono alguma menina, quase sempre vem a pergunta: mas você sai com meninos também ou só com menina? E as vezes eu travo muito. Por que não podia ser mais facil falar "eu sou lesbica"? Tem dias em que falo muito bem. Confiante. Orgulhosa da minha sexualidade. Tem dias, quando a pessoa é bem mais velha ou estou insegura, que falo que não uso nomes ou rótulos, ou algo do tipo. Mas estou melhorando. É um processo.
As vezes quando vejo netflix e tem um casal lésbico fofo eu penso: puta merda, como eu amo mulheres, eu sou muito lésbica. Muito muito muito lésbica. (E que bom né!!!)
É complicado. Somos treinados para ver isso como taboo. Quando eu tinha 14 anos, eu implorava pra minha mãe parar de me levar pros médicos/psicólogos pela minha sexualidade. Uma época muito sozinha. Interminável. Dois anos depois, com muitas brigas, discussões, argumentos, tempo sem se falar, ela disse ok, mas na condição de que eu cumprisse uma série de obrigações. Ela me entregou uma lista com muitos bullet points. Na última linha da página estava escrito: "se alguém perguntar, você é bi".
À medida que fui crescendo na minha adolescência, percebi que um dos fatores que fazia meus pais ser tão horríveis em relação à minha sexualidade não era o fato de eu gostar de mulheres. Era o de eu não gostar de homens. 8 anos depois, eu digo... não sou bi. Sou lésbica. Lésbica com L mesmo.
Aqui um trecho bacana: "Indo além da categoria básica de contrato heteronômico em que a mulher está "destinada" a ser apropriação do masculino, as lésbicas aparecem como "desertoras" da classe feminina."
Não quero marido, quero bons livros, plantas fofinhas, um gato, e muito queijo!!
"La lengua lesbiana es una lengua deshecha, incompleta, alquimia de cuerpos, textos, sexos, besos, huecos, gritos, ecos, dedos, puños, teclas, caracteres y silencios"
"Es esa comunidad, la comunidad de las amantes insurrectas, la que nos (des)constituye. [...] Nosotras nos (des)hacemos lesbianas en la comunidad tortillera, en la pertenencia a un colectivo que nos da un lugar para poblar de sentido el desierto"
"La lengua lesbiana -recordemos- tiene una mirada"
La existencia lesbiana es resistencia, nombrarnos como lesbianas y no como "gay" o "queer" es reconocernos en nuestro propio idioma, es dejar de ser foráneas en nuestro propio ethos. Muchas gracias, Virginia.
Hacía muchísimo que no me pasaba que un ensayo ME ENGANCHABA. Como obsesa de las palabras me apasiona, como persona que querría dedicarse a la investigación me TODO qué importante ocupar la academia si se ocupa ASÍ y como lesbiana pues simplemente es que me quito el sombrero. Encima la tía escribe bonito y divertido es que pa qué quieres más.
Me encantó el final de lenguas largas, los últimos capítulos y los primeros. A veces me perdí, pero me gustó ponerle texto y letra a sentires, conversas y pensamientos.
pensar y filosofar en el modo de la incerteza y de la ignorancia ᐸ3 situar a la filosofía en los mares de lxs que se saben desde siempre no salvadxs, inquietxs, inestables, huidizxsᐸ3 este caos nos mantiene lejos de la luz encegecedora de una razón universal ᐸ3 el abajo cavernoso es rico en oscuridades, tensiones, dudas y transgresiones. por eso mismo es rico en sentimientos y absurdos ᐸ3 lesbiana: modo de ser y de vivir, de hacer más habitable y menos solitario este mundo, + esperanzador ᐸ3
mi primera lectura fue en febrero de 2021, y anoté en la primer página del libro: volver a leer después de ver Butler y Foucault. innumerables las veces que he vuelto a mi biblia lésbica. gracias a este libro descubrí mucho de lo que soy hoy, gracias Vir.