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The Judgment of Father Martinho: A Dramatic Narrative in Two Acts
English (translation)
Original Portugese
Original Portugese
134 pages, Paperback
First published January 1, 1969
About the author
Bernardo Santareno
30 books21 followersBernardo Santareno é o pseudónimo literário de António Martinho do Rosário, cujo exercício da medicina (em Psiquiatria) conciliou, durante anos, com a escrita para teatro, alcançando, desde a sua estreia nos anos sessenta, um papel de primeiro plano no teatro português.
Entre registos realistas, de tonalidade mais naturalista ou com traços épicos, a sua escrita foi essencialmente de denúncia, atenta à realidade do país e visando uma consciência social, o que lhe valeu a proibição de algumas das suas peças e a perseguição pelo regime salazarista.
Entre registos realistas, de tonalidade mais naturalista ou com traços épicos, a sua escrita foi essencialmente de denúncia, atenta à realidade do país e visando uma consciência social, o que lhe valeu a proibição de algumas das suas peças e a perseguição pelo regime salazarista.
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Community Reviews
Displaying 1 - 2 of 2 reviews
March 17, 2026
A traição do padre Martinho conta a história (baseada em fatos reais) de um padre que, movido pelo seu grande amor aos seus paroquianos à censura do grande capital e à ajuda aos membros mais pobres da sua comunidade, acaba por ser afastado da sua paróquia pela diocese, que vê nele instintos instigadores comunistas.
De Bernardo Santareno, haverá livros melhores. Comparado com O Judeu, soa bastante mais panfletário. É, além disso, bastante monocórdico; quem lê o início do livro tem já capturado o tom de todo o livro, que não varia, não introduz grandes surpresas, e não emociona particularmente. Isto dito, nem é um mau livro nem é mau de ler. É, sobretudo, um livro ligeiro; e aqui está, talvez, a sua principal vantagem, para os cérebros que andam cansados.
De Bernardo Santareno, haverá livros melhores. Comparado com O Judeu, soa bastante mais panfletário. É, além disso, bastante monocórdico; quem lê o início do livro tem já capturado o tom de todo o livro, que não varia, não introduz grandes surpresas, e não emociona particularmente. Isto dito, nem é um mau livro nem é mau de ler. É, sobretudo, um livro ligeiro; e aqui está, talvez, a sua principal vantagem, para os cérebros que andam cansados.
September 29, 2024
Escrita em 1969 por Bernardo Santareno, "A Traição do Padre Martinho" é uma obra de intervenção social. A peça critica a repressão do Estado Novo e o conservadorismo da Igreja Católica, focando-se num jovem padre expulso pela diocese por defender os camponeses contra o grande capital.
A análise desta peça pode ser estruturada em três eixos fundamentais:
• Enredo e Base Real: A história baseia-se em eventos reais ocorridos numa aldeia, onde um pároco, movido pela justiça social, assume ideais progressistas. Ao tentar proteger a população da exploração, é conotado com o comunismo e afastado da paróquia. Irreverente, acaba cercado em casa pela própria comunidade local, que se revolta contra a sua saída.
• Crítica Institucional: Santareno expõe a hipocrisia e a rigidez do clero, que prefere aliar-se aos interesses económicos a apoiar os desfavorecidos. A peça ataca também a brutalidade e a censura da ditadura, que rapidamente rotulava qualquer ato de solidariedade como subversivo.
• Estética e Rutura: A obra marca a segunda fase teatral do autor, que abandona o modelo aristotélico clássico em prol de um teatro de forte consciencialização social. A linguagem é poética, mas subversiva, utilizando o simbolismo dramático para incitar o espectador à reflexão e à revolta contra a opressão.
Devido à censura da época, a peça teve a sua estreia mundial em Cuba (1970), só chegando aos palcos portugueses já em 1974, após a Revolução de Abril. Mais recentemente, a obra foi adaptada a telefilme por Ana Cunha.
A análise desta peça pode ser estruturada em três eixos fundamentais:
• Enredo e Base Real: A história baseia-se em eventos reais ocorridos numa aldeia, onde um pároco, movido pela justiça social, assume ideais progressistas. Ao tentar proteger a população da exploração, é conotado com o comunismo e afastado da paróquia. Irreverente, acaba cercado em casa pela própria comunidade local, que se revolta contra a sua saída.
• Crítica Institucional: Santareno expõe a hipocrisia e a rigidez do clero, que prefere aliar-se aos interesses económicos a apoiar os desfavorecidos. A peça ataca também a brutalidade e a censura da ditadura, que rapidamente rotulava qualquer ato de solidariedade como subversivo.
• Estética e Rutura: A obra marca a segunda fase teatral do autor, que abandona o modelo aristotélico clássico em prol de um teatro de forte consciencialização social. A linguagem é poética, mas subversiva, utilizando o simbolismo dramático para incitar o espectador à reflexão e à revolta contra a opressão.
Devido à censura da época, a peça teve a sua estreia mundial em Cuba (1970), só chegando aos palcos portugueses já em 1974, após a Revolução de Abril. Mais recentemente, a obra foi adaptada a telefilme por Ana Cunha.
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