Bernardo Santareno é o pseudónimo literário de António Martinho do Rosário, cujo exercício da medicina (em Psiquiatria) conciliou, durante anos, com a escrita para teatro, alcançando, desde a sua estreia nos anos sessenta, um papel de primeiro plano no teatro português.
Entre registos realistas, de tonalidade mais naturalista ou com traços épicos, a sua escrita foi essencialmente de denúncia, atenta à realidade do país e visando uma consciência social, o que lhe valeu a proibição de algumas das suas peças e a perseguição pelo regime salazarista.
A traição do padre Martinho conta a história (baseada em fatos reais) de um padre que, movido pelo seu grande amor aos seus paroquianos à censura do grande capital e à ajuda aos membros mais pobres da sua comunidade, acaba por ser afastado da sua paróquia pela diocese, que vê nele instintos instigadores comunistas.
De Bernardo Santareno, haverá livros melhores. Comparado com O Judeu, soa bastante mais panfletário. É, além disso, bastante monocórdico; quem lê o início do livro tem já capturado o tom de todo o livro, que não varia, não introduz grandes surpresas, e não emociona particularmente. Isto dito, nem é um mau livro nem é mau de ler. É, sobretudo, um livro ligeiro; e aqui está, talvez, a sua principal vantagem, para os cérebros que andam cansados.