Como homem de letras, a tarefa de Russell Kirk foi integrar as disciplinas humanísticas, tais como a Literatura, a História, a Filosofia e a Teologia. Sua missão de vida foi reformar as "ferramentas perdidas do aprendizado", ao restaurar a compreensão das coisas permanentes, daquilo que torna a vida digna de ser vivida. Kirk esclarece o conceito de a sociedade ser um contrato entre aqueles que já faleceram, os que hoje vivem e os que estão por vir e nos recorda de que, pela "comunicação dos mortos", podemos discernir a sabedoria das eras passadas. Neste novo estudo, Alex Catharino aprofunda a análise do pensamento kirkiano de uma perspectiva filosófica única ao explicar Kirk pelos olhos de T. S. Eliot.
O livro é uma boa introdução a Kirk. De início, o autor apresenta a biografia de Kirk. Em seguida, trata da concepção de justiça, ordem e liberdade em Kirk, como também de suas críticas às ideologias e projetos sociais racionalistas. Em seguida, o autor busca mostrar a influência do pensamento de T.S. Eliot sobre Kirk em três capítulos. Catharino demonstra que o problema enfrentado por Kirk era a perda da ordem ("terra desolada") em relação à sociedade, cultura, linguagem e imaginação. Kirk buscou defender um conservadorismo com valores transcendentes, e não meramente situacionais. Ainda assim, o livro poderia ter tido capítulos sobre a influência de Burke sobre Kirk, mas se gastam três capítulos só para Eliot. De todo modo, é uma boa introdução.
Alex Catharino é uma grande estudioso e admirador de Russell Kirk e consegue, por meio do livro, fazer isso transparecer. O livro de Catharino consegue compendiar o que de melhor há nos livros e no pensamento de Kirk, não deixando de lado a vida pessoal de um dos mais importantes teóricos do conservadorismo do século XX.
Russell Kirk defendeu ferrenhamente as coisas permanentes, a ordem moral e comunitária, a imaginação moral, a boa e verdadeira educação, a cultura e a civilização ocidental e nos legou uma importante mensagem: apenas aqueles que submetem-se aos desígnios divinos estão livres.