Em O Livro Aberto, Frederico Lourenço apresenta a sua leitura pessoal da Bíblia. Entretece reflexões sobre passagens, temas e figuras bíblicos, servindo-se sempre do seu profundo conhecimento do grego em que foi escrito o Novo Testamento e a Septuaginta, para lançar uma nova luz sobre o mais fascinante livro alguma vez escrito.
FREDERICO LOURENÇO nasceu em Lisboa, em 1963. Licenciou-se, em 1988, em Línguas e Literaturas Clássicas na Universidade de Lisboa, onde se viria a doutorar (1999) com a tese Euripidean Lyric: metre and textual tradition. É professor da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra e investigador no Centro de Estudos Clássicos e Humanísticos da mesma instituição. Tem-se dedicado à tradução e ao comentário de clássicos da literatura grega e latina (com destaque para Homero, Vergílio e Horácio), assim como ao estudo do Novo Testamento e da versão grega do Antigo Testamento (Septuaginta). Além do estudo da poesia grega, tem-se dedicado à exegese da obra de Platão e Camões. Colaborou com a Cinemateca Portuguesa na elaboração de textos sobre cinema e na feitura de vários catálogos. Publicou ensaios de crítica literária nas revistas Journal of Hellenic Studies, Classical Quarterly, Euphrosyne, Humanitas e Colóquio-Letras. Foi colaborador dos jornais Independente, Expresso,Público e do Diário de Notícias. Traduziu também duas tragédias de Eurípides, Hipólito e Íon.
Sobre a importância da Bíblia como livro escrito, sobre as incongruências dentro de cada Testamento, bem como(!) entre o Antigo Testamento e o Novo Testamento, sobre a trágica implementação da semente anti-semita que se dá com o Novo Testamento, sobre a fascinante figura que foi e é Jesus, sobre a criação (apenas posterior) da Igreja e do culto da missa….e, principalmente, sobre a elevadíssima importância da tradução (não apenas boa) correta!! da Bíblia, dos Evangelhos em especial, na interpretação das mensagens, da história e dos valores cristãos!
No caso do português, o autor chama no entanto a atenção para o facto de “uma das razões pelas quais é tão difícil transmitir, em português, o sentido exacto de um texto redigido em grego antigo é o facto de os meios de expressar o passado serem tão diferentes (e diferenciados) em grego.” “A culpa não reside na pobreza do idioma português; reside, antes, na excessiva riqueza da língua grega, que distingue claramente um aspecto da semântica verbal que é inreproduzível em português.”
Tendo gostado do livro, não lhe posso dar 4 estrelas mas apenas 3, pelo carácter demasiado avulso da estrutura da obra. Os capítulos são assaz interessantes, mas não constituem - a meu ver - um corpus coerente e contínuo. Trata-se de observações filosofico-linguísticas que ficam à espera de uma teoria que lhe dê uma armação intelectual global. O lado omnipresente do autor/narrador e do seu julgamento da obra e do cristianismo acaba também por ser um pouco irritante.
Curtas reflexões pessoais - 2 a 3 páginas - sobre algum livro, episódio ou passagem da Bíblia de um autor profundamente conhecedor do texto em versão grega, que acabou aliás de traduzir.
Sendo, à época e nas suas palavras, um ex-católico, as reflexões são irreverentes porém cheias de uma genuína admiração pelo texto e por Jesus, o que lhes dá uma especial graça e um acrescido interesse.
A grande "crítica" que posso fazer a este livro é o facto de as reflexões serem muito curtas, chegando normalmente ao fim de cada capítulo com vontade de ler mais. Num ou noutro ponto, percebe-se que o autor estava numa fase da sua vida em que não nutria especiais simpatias pela Igreja ou pelo catolicismo institucional.
Numa nota à parte, terminei este livro com uma enorme vontade e curiosidade de ler mais reflexões bíblicas do Frederico Lourenço agora que ele, passados muitos anos, voltou à comunhão plena com a Igreja Católica.
Este libro de Frederico Lourenco se centra en una reflexión personal de este profesor (excatólico en sus propias palabras) sobre varias lecturas de la Biblia. Al revés de lo que se puede esperar, no es un libro que busca denostar la Biblia o las figuras mencionadas en ella. Tampoco es un alegato antirreligioso sino lo que ya se ha mencionado, una reflexión sobre ciertos pasajes que despiertan curiosidad, atracción, sorpresa o preguntas. Cómo experto en griego y lector de la Biblia en ese idioma, Lourenco puede mostrarnos interesantes posiciones sobre la traducción e interpretación de varios paisajes, como el nacimiento de Jesús o la mención de sus hermanos. Podemos o no estar de acuerdo con él, pero en especial creo que en cierto punto coincidimos en algo: ¿Debemos considerar la resurrección como un suceso literal? San Pablo deja muy en claro que es ese y no el otro el centro de nuestra creencia. Y San Pablo no es cualquier pendejo, sino el artífice real del cristianismo gracias a una experiencia brutal que dio un vuelco a su vida y al de toda la humanidad al encontrarse en su viaje por el desierto con la presencia de un Jesús trascendente y vivo. Pará San Pablo no había ninguna duda porque él vivió y fue el resultado de un encuentro más allá de la comprensión humana. Sin embargo, esta “vida de Jesús más allá de la tumba” tiene muchos niveles. Cuando hablamos del verbo hablamos del hacer. Un verbo siempre es acción y movimiento y el movimiento es vida. La palabra del verbo vive y está activa gracias a su “muerte”. Pero la palabra ha resucitado y ya van 2000 años que transforma vidas e historia. Aún hoy, la figura de Jesús está más viva que nunca porque sólo lo vivo puede transformar el espíritu y la materia. Vida es acción y como decía Plinio el viejo: Estar vivo es estar despierto.