Três séculos de invasões, guerras, rebeliões e outras calamidades do Brasil colonial.
Há mais de 500 anos houve um pequeno povo, oriundo de um minúsculo pedaço da Europa, que descobriu um pedaço da costa sul-americana. E depois mandou para lá mais naus. E mais gentes. Por lá atacou índios e foi atacado por eles, procriou com índias, trouxe negros de África, procriou com negras, mandou jesuítas pregarem terra adentro, meteu-se em cultivos e garimpos, explorou o sertão, navegou por rios parecidos com o mar. Ainda lidou com a cobiça de outros países europeus sedentos em filar o seu quinhão. Tudo isso só poderia resultar em sangue e crueldade, porém bem misturado com coragem e sagacidade.
Numa prosa culta mas cheia de humor, Pedro Almeida Vieira mostra como um rato (Portugal), pariu uma montanha (o Brasil). Com ilustrações de Enio Squeff, a obra relata 25 episódios fundamentais da História do Brasil quando este era a mais rica colónia portuguesa.
Escritor e jornalista português, Pedro Almeida Vieira nasceu na cidade de Coimbra em 17 de Novembro de 1969, viveu a infância e a juventude no concelho de Anadia, tendo-se licenciado em Engenharia Biofísica na Universidade de Évora em 1993.
Para além de ter desenvolvido actividade de investigação na área da biologia e ambiente, em 1995 tornou-se jornalista «free-lancer», colaborando, entre outras publicações, nos jornais Expresso e Diário de Notícias, bem como nas revistas Forum Ambiente, Grande Reportagem e NS. Em 2003 foi-lhe atribuído o Prémio Nacional de Ambiente «Fernando Pereira», pela Confederação Portuguesa das Associações de Defesa do Ambiente, pela sua contribuição, como jornalista, para as causas ambientais. Ao longo da sua carreira jornalística, que suspendeu em 2010, recebeu três prémios de jornalismo, por trabalhos publicados no semário Expresso, na Grande Reportagem e revista Ozono, e uma menção honrosa por um artigo publicado na revista GR.
Embora tenha editado um pequeno ensaio em 1997 - «Eco-Grafia do País Real», baseado numa investigação publicada na revista Forum Ambiente - e sido co-autor do livro «Eco-Entrrevistas» (um conjunto de entrevistas sobre ambiente a diversas personalidades portuguesas), pode considerar-se que a sua carreira literária se iniciou com «O Estrago da Nação», em 2003, que constitui um retrato socio-ambiental de Portugal. Atemática ambiental seria repetida em 2006, com a publicação do livro «Portugal: O Vermelho e o Negro», sobre a floresta portuguesa e os incêndios florestais.
A sua estreia na ficção surgiu com o romance «Nove Mil Passos» (2004), sobre a construção do Aqueduto das Águas Livres, seguindo-se «O Profeta do Castigo Divino» (2005) - que aborda a vida do jesuíta Gabriel Malagrida e a ascensão política do Marquês de Pombal, com enfoque no período anterior ao terramoto de Lisboa de 1755 -, «A Mão Esquerda de Deus» (2009) - obra finalista do Prémio Literário Casino da Póvoa, que constitui uma reconstrução da heterodoxa vida de Alonso Perez de Saavedra, o suposto falso núncio que criou a Inquisição lusitana, durante o reinado de D. João III de Portugal - e «Corja Maldita» (2010) - um romance que incide sobre o processo de extinção da Companhia de Jesus na segunda metade do século XVIII.
Em Maio de 2011 publicou o primeiro volume de «Crime e Castigo no País dos Brandos Costumes», obra constituída por 30 narrativas sobre crimes em Portugal, geralmente sentenciados com pena de morte, entre os séculos XVI e XIX. O segundo volume será publicado no início de 2012.
Em Novembro do mesmo ano regressou à temática ambiental, publicando o ensaio «Resíduos: Uma Oportunidade», com o apoio da Sociedade Ponto Verde, que teve edição comercial, revista e ilustrada, em Junho de 2012.
Em 2012 foi também o responsável pela edição da obra «O Estudante de Coimbra», publicada em 1840 e 1841 por Guilherme Centazzi, o pioneiro do romance português, tendo realizado a fixação de textos e os comentários á obra.
Em 2013 publicou mais um livro de narrativas históricas sobre crimes, intitulado «Crime e Castigo - O Povo não é Sereno».
Criou e gere a biblioHistória, uma base de dados sobre literatura portuguesa do género histórico.
(PT) As histórias do Brasil colónia, desde o descobrimento até à independência, muitas delas autênticos episódios desconhecidos.
Contado de uma maneira didática e relativamente bem descontraída, mas bem documentada, "Assim se Pariu o Brasil" conta a história de descobridores, colonizadores, piratas, bandeirantes, índios, fidalgos, garimpeiros, heróis e anti-heróis, caçadores e mártires, e no final, uma familia real em fuga das tropas de Napoleão. E como muitas das vezes, o Brasil poderia se ter emancipado, mas os seus habitantes ainda não estavam prontos para cortar os laços com a colónia.
Para quem gosta de história, esta parte é absolutamente desconhecida em muitas partes, porque não é estudada nas escolas, se calhar nem em Portugal, nem no Brasil. E para quem já leu os livros do Laurentino Gomes sobre o antes, durante e depois da independência, é um excelente complemento e uma maneira de conhecer mais a história do Brasil.
Obra sem floreados académicos para quem gosta de história mas de forma ligeira. Não sendo um objeto de estudo descreve alguns dos episódios da criação do país Brasil.
O livro tem como pontos fortes estar muito bem documentado e um certo sentido de humor que já se descortina no título. Pessoalmente teve como grande ponto a seu favor demonstrar-me alguns aspetos da História de Portugal que eu desconhecia. Este é para mim um aspeto determinante na opinião que construo de um livro. Assim, desencantemo-nos portugueses, pensando romanticamente que os nossos vizinhos espanhóis dizimaram ou extinguiram civilizações nativas enquanto nós fomos amiguinhos; nós fizemos o mesmo! Alguns capítulos são muito violentos mas compreende-se que não é gratuito porque em outros o autor não envereda por esse estilo; ou seja, é a própria História que é muito violenta.