Marçal Aquino nasceu em Amparo, no interior paulista. É jornalista, escritor e roteirista de cinema e de televisão. Publicou, entre outros livros, o volume de contos O amor e outros objetos pontiagudos, pelo qual recebeu o Prêmio Jabuti, e o romance Eu receberia as piores notícias dos seus lindos lábios. Atuou como roteirista de filmes, como Os matadores, O invasor e O cheiro do ralo. Seu trabalho está publicado na Alemanha, Espanha, França, México, Portugal e Suíça. É autor do conto “Balaio” na coletânea Eu sou favela, título inaugural da Editora Nós.
É bom livro de contos. É de 1991 e, como muitas obras da época, não envelheceu muito bem em alguns aspectos. Ou seja, tem trechos que hoje talvez que lhe valessem um cancelamento. Eu entendo o contexto de então, há quem não entenda e diga que isso é "passar pano", e vida que segue. O que me incomoda um pouco em algumas narrativas é justamente o que leva aos trechos que hoje seriam apedrejados: o fato do livro pesar muito no ponto de vista do homem branco de classe média heterossexual-cis-etc. Isso não é nenhum demérito por si só, mas várias narrativas falando de uísque e sei lá que outros luxos inatingíveis de então me lembram os textos que eu lia na Playboy quando era adolescente, aqueles artigos metidos a besta sobre homens supostamente bem-sucedidos, e acho isso um porre que ficou pra lá de obsoleto. Obviamente isso é uma subjetividade minha, Aquino é um puta narrador, tem um monte de conto foda em As Fomes de Setembro que não se encaixam nesses estereótipos e se eu tivesse lido naquela época essa particularidade ia passar batido, com certeza.