Luiz Alberto de Vianna Moniz Bandeira (Salvador, 30 de dezembro de 1935 – Heidelberg, 10 de novembro de 2017) foi um professor universitário, cientista político e historiador brasileiro, especialista em política exterior do Brasil e suas relações internacionais, principalmente com a Argentina e os Estados Unidos, sendo autor de várias obras, publicadas no Brasil e na Argentina, bem como em outros países. Encontrava-se radicado na cidade alemã de Heidelberg, onde era cônsul honorário do Brasil. Em 2015 foi indicado ao Prêmio Nobel de Literatura pela União Brasileira de Escritores (UBE), em reconhecimento pelo seu trabalho como "intelectual que vem repensando o Brasil há mais de 50 anos", segundo o presidente da UBE Joaquim Maria Botelho. Em 2016 foi homenageado na sede da União Brasileira de Escritores (UBE), com o grande seminário "80 anos de Moniz Bandeira", ocasião em que sua extraordinária e abrangente obra foi destacada por importantes personalidades do meio acadêmico, político e diplomático.
Excelente livro. Porém, com viés claro para a Rússia - mais uma vez
'De Martí a Fidel' é meu segundo livro do professor Moniz Bandeira. O primeiro foi 'As Relações Perigosas. Brasil-Estados Unidos' e já estou no meu terceiro: 'A Desordem Mundial'.
Sucintamente: Pontos Positivos: 1) Pesquisa vasta. Uma quantidade 'assustadora' de referências de diversas fontes; 2) Coerente do começo ao fim; 3) Ponto de vista único do processo. Muito bem contextualizado; 4) Balanceado. Tenta demonstrar os efeitos positivos e negativos de cada decisão e 'jogada' política.
Pontos Negativos: 1) Uma clara tendência em favorecer a URSS/Rússia. Esse viés é interessante, pois poucos a fazem tão bem. O problema é que as 'sujeiras' dos EUA são muito bem documentadas e demonstradas - o que é ótimo. Mas não ataca o outro lado. Obs: essa tendência é mais intensa ainda no livro 'A Desordem Mundial' - do mesmo autor;
2) Além desse problema de só destacar 'os podres' dos EUA (o que agradeço), o autor defende que os russos não teriam interesse numa revolta armada por aqui. E que o financiamento de grupos comunistas teriam vindo de outros países, como Cuba. Porém, o livro '1964 - O Elo Perdido', de outro acadêmico, e com base em documentos originais da Checoslováquia traz informações bombásticas que contrariam frontalmente o Moniz Bandeira nesse aspecto. O russos teriam, sim, interesse numa revolução e instalação de um regime comunista no Brasil
Excelente análise historiográfica sobre a revolução cubana. Ainda que não aborde de forma abrangente o século XIX para justificar o Martí no título, a ligação com os oitocentos se explica por uma compreensão mais nacional que marxista do processo revolucionário.