Tras los acontecimientos de 1989, la promesa de un mundo caracterizado por el aumento constante del bienestar y presidido por una paz global, no se ha cumplido. Ha sucedido exactamente lo contrario: la crisis económica ha hecho crecer la miseria incluso en el seno de los países más desarrollados, agravándose las situaciones de desigualdad social mientras las grandes fortunas parasitaban y monopolizaban las instituciones políticas. En cuanto a la paz, se han ido sucediendo continuas “pequeñas” guerras que han llevado a la muerte a decenas de miles de personas en cada país intervenido. Para completar este siniestro escenario, se perfila en el horizonte la posibilidad de un conflicto que puede acabar cruzando la línea roja de la guerra nuclear. Más que nunca, se hace evidente la necesidad de una fuerza de oposición que haga frente al actual estado de cosas. Pero por desgracia, en Occidente, la izquierda permanece ausente. ¿Cómo explicarlo? ¿Cómo leer el mundo que se ha venido configurando desde 1989? ¿A través de qué mecanismos “la sociedad del espectáculo” está legitimando la guerra y las políticas que conducen a ella? ¿Cómo construir la alternativa? A estas preguntas Domenico Losurdo responde con un análisis original, desprejuiciado y destinado a suscitar un de bate imprescindible.
Domenico Losurdo (14 November 1941 – 28 June 2018) was an Italian Marxist philosopher and historian better known for his critique of anti-communism, colonialism, imperialism, the European tradition of liberalism and the concept of totalitarianism.
He was director of the Institute of Philosophical and Pedagogical Sciences at the University of Urbino, where he taught history of philosophy as Dean at the Faculty of Educational Sciences. Since 1988, Losurdo was president of the Hegelian International Association Hegel-Marx for Dialectical Thought. He was also a member of the Leibniz Society of Sciences in Berlin (an association in the tradition of Gottfried Wilhelm Leibniz's Prussian Academy of Sciences) as well as director of the Marx XXI political-cultural association.
From communist militancy to the condemnation of American imperialism and the study of the African-American and Native American question, Losurdo was also a participant in national and international politics.
Crítico ferrenho das políticas [neo] liberais, nesta obra Losurdo aponta a profunda relação entre tais políticas e o desenvolvimento e manutenção do [neo] colonialismo sobre o terceiro mundo. O autor traz a tona as novas formas de dependência que são impostas aos demais países pelo imperialismo do Ocidente: antes, um colonialismo fisicamente violento, abertamente bélico e justificado pela "missão divina" a qual foi encarregado o Ocidente, que deveria se propor a levar a civilização a qualquer país considerado por ele bárbaro; agora, um neocolonialismo que se pauta pela criação de dependência econômica (mas que ao primeiro sinal de resistência anticolonialista não hesita em retornar à tradicional violência física), a produção de embargos tão violentos quanto a guerra - contudo não tão "espalhafatosos" -, a máquina midiática produtora de indignação seletiva que transforma qualquer adversário num verdadeiro "anti-Cristo", e assim justifica e legitima a atual "exportação da democracia", possível de ser realizada, novamente, apenas pelas nações cuja missão é fruto da vontade divina, e que é apoiada e reforçada pelas diversas instituições internacionais. Essa situação - de instabilidade geopolítica - é um dos principais motivos pelos quais as ditas "nações antidemocráticas" não alcançam condições necessárias à própria independência: mantêm-se em necessidade, mantêm-se com medo. As grandes potências, esbravejando sua missão democrática, são justamente aquelas que impõem ao Terceiro Mundo as não-condições para o seu desenvolvimento pleno e, como mostra Losurdo, não raro o fazem tendo pleno apoio de um amplo setor da esquerda ocidental, que renunciou ao radicalismo e à necessária perspectiva anticolonialista em prol de uma perspectiva submetida à moral maniqueísta. Dito isso, é um excelente livro no que tange sua proposta de expor as contradições no discurso [neo] liberal e [neo] colonial, acaba pecando apenas ao muitas vezes sintetizar por demais ou presumir que o leitor tenha plena noção de determinadas informações, contextos históricos e afins. Ainda assim, é bem evidente que o autor abre mão desse maior aprofundamento conscientemente, promovendo uma leitura mais direta, rápida e acessível. Recomendo demais.
Adendo: pro inferno com a caridade social! Solidariedade de classe e imposto progressivo já!