Um guia turístico do Porto vê o seu mundo a mergulhar no abismo quando à sua namorada é diagnosticada uma doença terminal.
Determinados a cumprir o seu sonho antes de partir do mundo terreno, ambos decidem embarcar numa viagem até à Califórnia, permanecendo nas virgens e agrestes montanhas do Big Sur, um Éden procurado no século passado por ilustres artistas e escritores que aqui se refugiaram para escapar ao quotidiano.
Num registo que combina a filosofia do niilismo e condição humana de Dostoevsky, a crueza de Bukowski, juntamente com o hedonismo de Steinbeck, este romance acompanha o percurso de um degenerado entre cidades históricas, bares e espaços idílicos, para, no final, enfrentar aquilo que mais temia.
"Bebemos ao fim do mundo" é uma estreia que traz algo de raro na ficção portuguesa contemporânea: o Porto como personagem. Quem conhece a cidade vai reconhecer-se nas páginas iniciais, guiado por uma escrita que sente a cidade com a intimidade de quem a conhece profundamente.
A influência dos grandes: Dostoevsky, Bukowski e Steinbeck, é clara e assumida, e nota-se que o autor chegou a eles com genuíno respeito. Para leitores que apreciam prosa mais densa e clássica, há aqui muito para descobrir. Se isso por um lado me impressionou, por outro há momentos em que a linguagem me tirou um pouco do ritmo da história.
Embora a linguagem por vezes afaste-nos das personagens em vez de nos aproximar, é uma estreia corajosa. Vale a pena para quem não quer tanto ligar-se à história, mas gosta de prosa mais literária, quer abrandar o ritmo, e quer sobretudo entrar na cidade do Porto através da escrita.
A escrita do André foi uma agradável surpresa. Ao longo da narrativa somos presenteados com inúmeras referências históricas, arquitetónicas e literárias que enriquecem a leitura sem a tornarem pesada. Foi muito especial "passear" pelo Porto através das palavras do autor, uma cidade que conheço muito pouco, e descobrir lugares e referências que me despertaram ainda mais curiosidade.
À medida que a história avançava, fui criando uma ligação cada vez maior com as personagens. No entanto, perto do final, dei por mim confrontada com algumas situações que despertaram os meus próprios preconceitos e valores. Houve decisões e dinâmicas com as quais tive dificuldade em concordar e, enquanto leitora, isso causou-me algum desconforto.
Mas, depois de terminar o livro, percebi que talvez esse fosse precisamente um dos seus maiores méritos. Nem todas as histórias existem para nos dar personagens com quem concordamos. Existem também para nos mostrar realidades diferentes da nossa e lembrar-nos de que há pessoas que vivem determinadas situações, fazem escolhas difíceis e procuram simplesmente encontrar alguma paz. No fundo, era isso que a Mariana queria: viver aqueles últimos dias da forma mais tranquila possível.
Foi uma leitura que me emocionou, me fez refletir e que continuou comigo mesmo depois de fechar o livro. Nem sempre concordei com tudo o que li, mas isso não diminuiu a experiência. Pelo contrário, tornou-a mais humana.
Agradeço ao André pela confiança e pela oportunidade de conhecer esta história. Foi uma excelente companhia de férias e uma leitura que, acima de tudo, me fez pensar.
Há livros que contam uma história. E há livros que nos convidam a caminhar por dentro dela. Bebemos ao Fim do Mundo foi exatamente isso para mim. 🤍📖
Há uma beleza muito serena na forma como André Neves Pereira escreve. Sem pressa. Sem excessos. Como quem conhece o peso das palavras e escolhe apenas as que realmente importam. ✨
Uma das coisas que mais me conquistou foi a forma como as cidades ganham vida. As ruas. Os monumentos. Os cafés. As esquinas. Os lugares onde a vida acontece todos os dias.
Guimarães e o Porto, cidades que me são tão queridas, deixaram de ser apenas cenários e passaram a ser personagens silenciosas desta história. Foi impossível não caminhar por elas enquanto lia, reconhecendo lugares e sentindo que também eu fazia parte daquela viagem. 🍂🏛️
Mas aquilo que verdadeiramente ficou comigo foram as pessoas. Porque neste livro não existem heróis. Nem vilões. Existem apenas seres humanos. Imperfeitos. Contraditórios.
Capazes do melhor e do pior, muitas vezes na mesma página. E talvez seja precisamente isso que os torna tão reais. 🤍 Gostei de os ver falhar. De os ver amar. De os ver tentar. Porque é assim que também nós atravessamos a vida.
Aos tropeções, entre certezas e dúvidas, procurando sempre um lugar onde possamos descansar o coração. 🌿
E depois chegou o final. Aquele final. Não vos vou dizer absolutamente nada, porque algumas páginas merecem ser descobertas em silêncio.
Mas posso dizer-vos isto: Não o vi chegar. E, quando chegou, não fez barulho. Limitou-se a instalar-se dentro de mim e a deixar o coração com pequenas lascas, daquelas que não magoam apenas… permanecem. 🤍
Fechei o livro com aquela melancolia bonita que só as boas histórias conseguem deixar.
Daquelas que nos fazem olhar pela janela durante alguns minutos antes de voltarmos ao mundo real. 🌧️📚
Há livros que terminam na última página. E há livros que continuam a viver dentro de nós muito depois de a fecharmos.
Para mim, Bebemos ao Fim do Mundo pertence, sem dúvida, à segunda categoria. 🍷✨
📚 E se soubesses que o tempo com a pessoa que amas está a chegar ao fim... até onde ias por ela?
Quando a vida de um guia turístico do Porto muda para sempre após um diagnóstico devastador, nasce a decisão de cumprir um último sonho: partir até ao Big Sur, na Califórnia. Pelo caminho, acompanhamos uma viagem feita de paisagens inesquecíveis, memórias, encontros e reflexões sobre aquilo que realmente importa quando o tempo deixa de estar garantido.
Foi uma leitura que me conquistou pela escrita e pela forma como o autor aborda temas tão difíceis com uma sensibilidade desarmante. As reflexões sobre a vida, o amor e a perda surgem de forma natural e fizeram-me parar várias vezes para pensar. Gostei também da forma como a componente histórica de vários locais é integrada na narrativa, enriquecendo a viagem sem nunca tornar a leitura pesada. O ritmo manteve-se sempre envolvente e senti vontade de continuar a acompanhar estas personagens até à última página.
O maior destaque vai para a humanidade desta história. É um livro sobre fazer tudo por quem se ama, sobre ir até ao fim do mundo por essa pessoa e sobre o peso imenso do luto quando sentimos que estamos a perder quem é o nosso mundo.
✔️ Para quem é: • Quem gosta de romances emotivos e profundamente humanos. • Quem aprecia viagens, reflexões e histórias que nos fazem olhar para a vida de outra forma.
❌ Para quem não é: • Quem procura uma leitura rápida, leve ou cheia de ação. • Quem prefere histórias com pouca introspeção.
Há livros que contam uma história. Outros lembram-nos da fragilidade da vida e da força do amor. Este pertence ao segundo grupo.
⭐⭐⭐⭐☆ (4/5)
Uma leitura intensa, sensível e muito bem escrita, que me conquistou pelas suas reflexões, pela sua humanidade e pela forma como nos deixa de coração partido sem nunca perder a beleza.
Emocionada com esta história, que se tornou dramática e reveladora do que se pode fazer por amor e quando o amor acaba. Escrita muito enriquecedora do ponto de vista literário e arquitetónico, pontuada pelos pormenores descritos sobre os vários locais onde a historia se vai desenrolando. Um bom livro!