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O Último Europeu

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Em 2284, a Europa é maioritariamente composta por Baldios governados por clãs guerreiros que escravizam as populações esfomeadas; subsiste, porém, um território isolado por um cordão de segurança com uma sociedade que, por via da ciência e da tecnologia, atingiu um nível altíssimo de felicidade individual, pois todos os desejos podem ser consumados, ainda que apenas mentalmente. Nesta Nova Europa, as relações sexuais são livres e não se destinam à procriação: as crianças, desconhecendo os pais, nascem nos Criatórios em placentas sintéticas e seguem para Colégios onde, sem a ajuda de livros, andróides especializados incrementam as suas competências como futuros Cidadãos Dourados. As famílias reúnem-se por afinidades, ninguém trabalha e nem sequer existem nomes, para que ninguém se distinga, já que todas as conquistas se fazem em nome da comunidade. Mas este mundo aparentemente perfeito sofre uma inesperada ameaça: a Grande Ásia, lutando com graves problemas de demografia, acaba de invadir a Europa... Um velho Reitor, estudioso do passado, é chamado a liderar uma equipa que possa refundar algures a Nova Europa e a deixar testemunho da sua História.
Vinte e cinco anos depois da queda do Muro de Berlim, Miguel Real constrói uma utopia sublime no contexto de um novo paradigma civilizacional, revelando o seu talento de escritor e filósofo e, ao mesmo tempo, chamando a atenção para o esgotamento da Europa actual.

280 pages, Paperback

First published January 1, 2015

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About the author

Miguel Real

87 books45 followers
MIGUEL REAL nasceu em Lisboa em 1953. Fez a licenciatura em Filosofia na Universidade de Lisboa e, mais tarde, um mestrado em Estudos Portugueses, na Universidade Aberta, com uma tese sobre Eduardo Lourenço.
Estreou-se no romance, em 1979, com O Outro e o Mesmo, com o qual viria a ganhar o Prémio Revelação de Ficção da APE/IPLB. Em 1995, voltou a ser distinguido com um Prémio Revelação APE/IPLB, desta vez na área de Ensaio Literário, graças à obra Portugal - Ser e Representação. Outra distinção importante surgiu em 2000, o Prémio LER/Círculo de Leitores, com o ensaio A Visão de Túndalo por Eça de Queirós.
Em 2001, recebeu uma bolsa do programa Criar Lusofonia, do Centro Nacional de Cultura, que lhe permitiu percorrer o itinerário do Padre António Vieira pelo Brasil. A esse propósito escreveu um diário, editado em 2004, intitulado Atlântico, a Viagem e os Escravos.
A partir de 2003, com a novela Memórias de Branca Dias, passou a escrever simultaneamente um ensaio e um romance para evitar incluir teoria (filosófica, principalmente) na ficção.
Em 2005, Miguel Real lançou o romance histórico A Voz da Terra, cuja a ação decorre na época do terramoto de 1755, que viria a ter grande reconhecimento por parte da crítica e do público. A Voz da Terra proporcionou ao autor a conquista da edição de 2006 do Prémio Literário Fernando Namora, um dos mais prestigiantes galardões literários a nível nacional.
Simultaneamente ao romance A Voz da Terra foi publicado o ensaio O Marquês de Pombal e a Cultura Portuguesa, situado na mesma época.
Já em finais de 2006 foi lançado o romance O Último Negreiro, sobre o traficante de escravos Francisco de Félix de Sousa, que viveu em São Salvador da Baía e Ajudá, no Benim.
Paralelamente ao romance e ao ensaio, Miguel Real dedicou-se, regularmente, à escrita de manuais escolares e de adaptações de teatro, estas em colaboração com Filomena Oliveira.
Começou a colaborar regularmente no jornal literário Jornal de Letras a partir de 2000.

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Community Reviews

5 stars
10 (15%)
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16 (25%)
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29 (46%)
2 stars
6 (9%)
1 star
2 (3%)
Displaying 1 - 11 of 11 reviews
Profile Image for Mauro Farinha.
7 reviews1 follower
February 21, 2023
Acho que a história e incrível e extremamente bem pensada porém é narrada de uma maneira muito exaustiva e não gostei da escrita
Profile Image for Artur Coelho.
2,619 reviews74 followers
May 25, 2017
Há algo de incongruente quando lemos as tentativas de escritores mainstream na ficção científica. Alguns nem vale a pena lê-los, pelo óbvio desrespeito a um género que ironizam com desprezo. Depois, há aqueles que se nota que levam o género a sério, fizeram um esforço, algumas leituras bem escolhidas, e perceberam a mecânica da ficção científica e a sua iconografia. O leitor mais conhecedor não consegue deixar de sorrir com as construções de mundos ficcionais, com as descrições de tecnologias e sociedades futuristas. Percebemos o esforço do escritor mainstream, mas não conseguimos deixar de pensar que tantos escritores de ficção científica já fizeram algo semelhante, e melhor. Parte deste livro de Miguel Real é assim, um futurismo que se aguenta enquanto obra de um escritor que não pratica FC, mas que não sobreviveria dentro do género. Mas estaria a ser injusto se reduzisse a apreciação desta leitura a este aspecto, porque se Miguel Real é, do ponto de vista de um leitor apreciador de FC, bastante desastrado no seu futurismo, compreende perfeitamente uma das principais funções da ficção científica especulativa: compreender melhor o mundo que nos rodeia, projectando-o em futuros prováveis ou improváveis.

A reflexão de Miguel Real neste Último Europeu é sobre em que europa pensamos que vivemos, o que é isso, realmente, de ser europeu no mundo contemporâneo. A resposta é difícil, e não surpreende que o final do livro seja amargo, com a extinção final de uma Europa encarnada no último homem que leva consigo para a campa, imutáveis, os seus valores e ideais, extintos ou corrompidos num mundo implacável.

Neste futuro imaginado de Miguel Real, a Europa é um bastião de perfeição num mundo convulsivo. A Europa representa a sociedade perfeita, pós-escassez, tecnologicamente avançada, rigorosa, humanista e liberta das piores pulsões da alma humana, com o individualismo suprimido e o racionalismo como valor maior. Mas é também rarefeita e de elite, coexistindo no seu território com uma outra europa, bárbara, nacionalista, guerreira e dividida. A analogia ao nosso ideário de Europa e unidade europeia face à realidade da europa contemporânea, onde as velhas pulsões que se julgavam extintas face ao imperar de elites esclarecidas se sentem a regressar ao de cima, é óbvia. Uma Europa que se encontra ameaçada pelos asiáticos, social e tecnicamente inferiores, mas que encontram forma de invadir a europa e dizimar os europeus. A utopia europeia, pacifista, indefesa e que não ser verga, perece aí, sem sobreviventes. A escolha para a sobrevivência era entregar os seus avanços tecnológicos a uma sociedade bélica que almeja o domínio planetário, e ver os seus cidadãos entregues ao esclavagismo na sempre explorada África.

Sobrevive um punhado de europeus, escolhido pelo conselho de dirigentes europeus para não deixar extinguir a chama do ideal europeu. O local escolhido para refúgio fica numas ilhas semi-arruinadas por vulcanismo, no meio do oceano atlântico, um território que pertence ao império americano, um dos outros grandes blocos políticos deste futuro ficcional. Será nos açores que a europa perfeita poderá renascer, seguindo um plano rígido de crescimento demográfico e transmissão de valores. Mas as circunstâncias tudo mudam e o que se julgava a reconstrução de uma sociedade perfeita altera-se em função das vontades dos indivíduos, longe do racionalismo original, e terminará em genocídio.

Num mundo violento, quer na ásia desesperada por territórios e recursos, na américa isolada e tecnocrata, na oceania racista ou na américa do sul dominada por esclavagistas, o ideal progressivo de uma sociedade que se aperfeiçoou é um perigo. A escuridão não tolera raios de luz, e as utopias têm, inevitavelmente, de sofrer a amargura da sua derrocada.

É esta reflexão que torna o livro de Miguel Real como obra que vinda de alguém claramente externo ao campo da ficção especulativa, merece ser lida com atenção pelos fãs de FC (uma comunidade que, diga-se, por cá está mais em vias de extinção do que os novos europeus do romance). Real toca no que nos incomoda no mundo do século XXI, em que os ideais progressistas e humanistas do século XX parecem ter falhado, onde a globalização é desculpa para novos totalitarismos e desrespeito pela condição humana. A própria Europa sofre da dicotomia que Real caracteriza no romance, a separação entre um ideal progressista e uma realidade cada vez mais fragmentada, com a divisão entre elites esclarecidas e um conjunto cada vez maior de cidadãos que se sente alienado e procura a sua voz no recrudescer das velhas pulsões violentas. Sem ilusões, a amargura da utopia é o conhecimento que para lá dos portões, os bárbaros aguardam-nos, sempre, recusando redenções e elevações. Certeiro e surpreendente, este romance, apesar dos desajeitos de género que lhe acabam por conferir um certo encanto de inocência num género literário específico.
Profile Image for Oscar Rodrigues.
13 reviews
August 3, 2015
Uma leitura interessante sobre a nossa história e a política e culturas actuais vistas do futuro, que se torna confusa e algo contraditória pela escolha de narrador e de estrutura narrativa.
Profile Image for Miguel Veiga.
3 reviews
March 6, 2016
Um conceito que poderia ter funcionado, não fosse pelo tom repetitivo e algo entediante de Miguel Real.
Profile Image for Antonio Coelho.
334 reviews5 followers
August 3, 2023
Miguel Real propõe-nos neste livro um tipo de sociedade utópica, que vive na Europa, a Nova Europa. Esta é assente numa base de liberdade total dos cidadãos visando a sua plena felicidade. Mas esta liberdade é conseguida a um forte condicionamento por parte do Grande Cérebro Eletrónica que, em última análise, condiciona de facto as escolhas.
Eminentemente pacífica esta sociedade é conquistada pela Grande Ásia que, sabotando as fontes de energia da Nova Europa, consegue vir a destruí-la.
Mas um conjunto de 60 cidadãos, por ordens superiores, é colocado na ilha do Pico onde deverão recomeçar este modelo societário.
O que não é conseguido porque o Império Americano, onde se situa o Pico intervém, já no fim do livro, destruindo os maiores de 10 anos, ficando apenas como último sobrevivente o reitor e antigo líder do grupo dos 60.
É um livro curioso, mas muitas vezes repetitivo e algumas vezes maçador. Algo desarrumado na descrição das sociedades para além da Nova Europa. Poderia classificar com um dois, mas reconheço algum mérito criativo, por isso opto pelo 3.
7 reviews
December 22, 2025
Uma Europa perfeita e feliz cheia de tecnologias que facilitam a vida e que protege a melhor geração europeia de sempre , que é invadida por uma Ásia atrasada, vê-se num desafio de voltar a implantar o seu novo estilo de vida nas que são hoje as ilhas abandonadas dos Açores, mas sem as tecnologias do futuro, voltando ao modo de vida "clássico" dos dias de hoje.

acontecimentos que poderiam ser reais, estivemos nos em 2284, data em que se passa esta estória
Profile Image for Márcia Balsas.
Author 5 books108 followers
2015
March 2, 2015
Cheguei desiludida à última página de “O Último Europeu”, e foi mesmo com algum desinteresse e custo que li a maioria do livro, principalmente a partir da segunda parte. Prossegui a leitura, ao contrário do que é meu hábito, por ser o livro da leitura em grupo do mês de Março, da Comunidade Leya em Grupo.
Esperava mais. Muito mais. Tanto da história como da narrativa, que considerei muito aquém do estilo e nível literário do autor.
A sinopse refere que se trata de uma utopia. De facto somos apresentados a uma sociedade em que não se trabalha, a população se entrega a todo o tipo de prazeres e ócio, os chamados neo-europeus vivem para a sociedade, para o grupo e não individualmente, o bem-estar de todos é primordial, tudo coisas fantásticas graças ao Grande Cérebro Electrónico que comanda estes carneirinhos bem comportados que não me convenceram serem superiores, avançados ou melhores.
Não é uma utopia pois tem traços distópicos, sendo o principal o total controlo da população, que sim, tem uma vida que podemos considerar utópica, mas que não foi uma escolha livre, é uma imposição, um conjunto de regras que são ditadas por um “Grande Irmão” que se chama Grande Cérebro Electrónico, mas que em nenhuma altura apresenta ao leitor um motivo para agir assim. Parece que fica a meio caminho para uma distopia a sério, ou será uma utopia a brincar?
Talvez eu não tenha percebido o objectivo do autor e haja neste livro uma revelação que só está ao alcance de alguns. Poderá tratar-se de uma ironia? Não faço, infelizmente, parte do grupo iluminado que captou a intenção do autor. Atravessei todo o livro com uma dúvida constante. A humanidade será tão pouco evoluída que, para o mau e para o bom (ou o que achamos ser bom), tem de haver sempre alguém ou algo que controle e dite regras? Iremos sempre obedecer cegamente? Mesmo que nos mudem o corpo, nos tirem o nome, nos impeçam de ter filhos, deixemos de ser filhos ou pais, se desvirtue a família, passemos a aspirar alimentos pelo nariz, ninguém se zanga, nem reclama, estão programados para gostar de tudo. Bem comportados, submissos, obedientes. Um povo avançado que é uma grande seca, que me aborreceu, e que sinceramente me apeteceu exterminar.
Esta Nova Europa e este livro não acrescentaram nada à minha vida. Irritei-me em vários momentos, praguejei escrevendo nas páginas, questionando sem evoluir. Vou considerar que não percebi, não atingi, não cheguei lá. Pois de outra forma não será mais do que é uma perda do meu tempo.
Resta-me a esperança de que, em conversa com o grupo, outras ideias lancem a luz na minha visão da coisa.
Sinopse
“Em 2284, a Europa é maioritariamente composta por Baldios governados por clãs guerreiros que escravizam as populações esfomeadas; subsiste, porém, um território isolado por um cordão de segurança com uma sociedade que, por via da ciência e da tecnologia, atingiu um nível altíssimo de felicidade individual, pois todos os desejos podem ser consumados, ainda que apenas mentalmente. Nesta Nova Europa, as relações sexuais são livres e não se destinam à procriação: as crianças, desconhecendo os pais, nascem nos Criatórios em placentas sintéticas e seguem para Colégios onde, sem a ajuda de livros, andróides especializados incrementam as suas competências como futuros Cidadãos Dourados. As famílias reúnem-se por afinidades, ninguém trabalha e nem sequer existem nomes, para que ninguém se distinga, já que todas as conquistas se fazem em nome da comunidade. Mas este mundo aparentemente perfeito sofre uma inesperada ameaça: a Grande Ásia, lutando com graves problemas de demografia, acaba de invadir a Europa... Um velho Reitor, estudioso do passado, é chamado a liderar uma equipa que possa refundar algures a Nova Europa e a deixar testemunho da sua História.
Vinte e cinco anos depois da queda do Muro de Berlim, Miguel Real constrói uma utopia sublime no contexto de um novo paradigma civilizacional, revelando o seu talento de escritor e filósofo e, ao mesmo tempo, chamando a atenção para o esgotamento da Europa actual.”
D. Quixote, 2015
Não sei quantas estrelas dar. Paciência.
Profile Image for Pedro.
4 reviews2 followers
December 10, 2021
Li este livro algures no verão de 2015. Achei-o perturbante, uma visão diferente: utopia chamam alguns sobre o desenho que o autor fez à "nova europa".
Nestes dias não voltei a lê-lo, mas sim a refletir sobre a mensagem do autor. De 4 estrelas tive de aumentar a avaliação para 5. É fantástico e não falo só da história, mas sim inclusive do pensamento que Miguel Real emprega no livro. Apesar do pessimismo visível é necessário olhar para a mensagem que transmite.
Profile Image for Jorge Mota Pereira.
28 reviews
Read
May 4, 2015
Muito estimulante e intelectualmente desafiante a leitura deste meu primeiro contato com a escrita do Miguel Real!
A língua inglesa teve Aldous Huxley e George Orwell; a língua portuguesa tem, nesta obra, o seu visionário de um futuro utópico, com alguns contornos muito próximos da presente realidade.
A ler!
Profile Image for Ricardo Alves.
99 reviews18 followers
February 22, 2015
Um livro que surpreende, tendo em conta o trajecto literário do autor; menos, contudo, para quem conheça a sua reflexão sobre as questões civilizacionais e culturais contemporâneas. Um romance lucidamente pessimista.
Profile Image for Hugo Mendes.
2 reviews3 followers
December 30, 2015
Algumas ideia giras, mas básico na escrita e no desenvolvimento da trama.
Bom para passar tempo!
Displaying 1 - 11 of 11 reviews

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