Desde que a mãe morreu, Fátima arrasta um corpo sem espírito. O seu casamento - árido, desfeito - resiste por inércia, não amor. A relação com os filhos, em particular com o mais velho, é tensa: não estala, mas corrói-se. Presa em si própria, Fátima só encontra abrigo no silêncio. Contudo, é precisamente nesse espaço que o passado a devora. E, de repente, começam os sons.
Surgem na quietude da casa: pequenos estalidos, ruídos vagos e abafados. Persistem, ganham força, transformam-se em respirações, passos; são constantes, exasperantes, enlouquecedores. Ninguém mais os ouve.
À medida que a fronteira entre perceção e realidade se dissolve, começa a sentir-se o perigo. O que acontece a uma mente que já se metamorfoseou no vazio? Quando o abismo se abre dentro de nós, nenhum ser humano está a salvo da destruição que pode causar.
Com uma voz literária rara e arrebatadora, Pedro Rodrigues estreia-se na Manuscrito com um romance que agarra desde a primeira página. Uma história marcante sobre a escuridão onde todos nos podemos perder, escrita por um autor que sabe onde cortar, onde ferir e, acima de tudo, onde iluminar.
Pedro Rodrigues nasceu a 1 de março de 1987, na Cova-Gala, Figueira da Foz. É autor do blogue Os Filhos do Mondego — criado em 2010 e que fez do autor um dos pioneiros do movimento da literatura da Internet em Portugal, e um dos escritores mais seguidos e partilhados do espaço digital. Em 2014, o seu texto Menu Amor recebeu uma menção honrosa no concurso Textos de Amor do Museu Nacional da Imprensa. Em 2017, foi distinguido como Escritor Revelação, na VI Gala da Figueira TV. Em 2019, lançou o romance Deve Ser Primavera Algures e, em 2020, o livro de contos Alice do Lado Errado do Espelho, ambos pela Cultura Editora. Hoje, vive junto ao mar e trabalha como freelancer nas áreas da tradução e da produção de conteúdos. Adora usar camisas com padrões excêntricos, calções e chinelos; é apaixonado por animais — em especial: cães, gatos, lontras e ornitorrincos. Estudou Engenharia Civil, mas nunca entendeu muito bem porquê.
Uma história dura e crua, sobre perda, luto, sobre familia, e sobre estar sozinho no meio da multidão. É sobre doenças mentais veladas que já so tarde demais se revelam. A escrita do Pedro é muito bonita, muito límpida e clara. E no final, é impossível não sentirmos um aperto no peito. Recomendo muito!
Existem livros que fazem barulho. E depois há outros, como este, que nos deixam num silêncio total. E é nesse silêncio que esta leitura nos esmaga, nos envolve e nos prende, da primeira à última página. Porque há silêncios que pesam mais que qualquer palavra.
Pedro Rodrigues escreve com uma delicadeza cruel sobre o luto, a dor, o isolamento e tudo aquilo que vai cedendo dentro de nós, em silêncio, quando mais ninguém está a ver. A narrativa é íntima, de certa forma desconfortável e profundamente humana, daquelas que nos fazem sentir e não querer parar de ler, um capítulo atrás do outro.
A construção psicológica das personagens é brilhante, particularmente no que diz respeito à protagonista. Conseguimos entrar na sua mente, partilhamos as suas fissuras, os medos, as presenças e a solidão. O ambiente é sufocante, quase claustrofóbico, mas ainda assim impossível de largar.
O livro tem um final completamente inesperado, um murro no estômago. Terminei-o em silêncio. Daqueles silêncios que ficam a ecoar na mente muito depois de ler a última página.
Uma leitura que deixa marcas, um livro perturbador e lindamente escrito. Sem dúvida que merece 5 estrelas.
“[…] A mudança é, de facto, inevitável. Nada é estático. [….] Fui filha, sou esposa e mãe. Um dia, serei outra coisa qualquer. Nada permanece. Ninguém permanece. O amor pode transformar-se em raiva; a vida, em morte. Nós fazemos o melhor que podemos. Tentamos ser o melhor que podemos. Só que por vezes cedemos a esses pequenos caprichos. Sei que um dia fui feliz. […]”
Embora eu o tenha lido quase de uma assentada (vá, duas), é um livro que merece tempo e silêncio. Abri-o enquanto esperava pelo comboio só para ver o "tom" e só parei quase no fim. Este livro não conta uma história, conta silêncios e pormenores: a solidão, a tristeza, as intenções não concretizadas, a ausência...
Confesso que estranhei o final, achei inverosímil... até ler a nota do autor e perceber que, muitas vezes, a realidade ultrapassa a ficção.
Foi um livro que me surpreendeu, nunca tinha lido nada do autor, pelo que arranquei às escuras, mas foi uma leitura mesmo agradável.
Terminei o livro de lágrimas nos olhos. Se a meio do livro comecei a ficar com o coração acelerado, no final fiquei sem reação. Um livro que fala de um tema tão silencioso e que ninguém está à espera! Um livro tão desesperante como a própria vida. Sem dúvida que merece ser lido por todos de forma a fazer ricochete na nossa sociedade!
Terminei este livro a pensar "que história foi esta?"
A história aborda o silêncio, o luto e o que sentimos quando estamos em silêncio connosco mesmos e até que ponto temos de ser fortes para não cairmos no abismo e nos agarrarmos à vida.
O desenvolvimento dos personagens, principalmente da Fátima (a protagonista), a par da forma como o autor escreve que incomoda (no bom sentido, estranhamente) faz com que este livro seja um must-read para quem gosta do género.
Foi interessante e curioso acompanhar a história de Fátima e da sua família e de conhecer o seu desespero e o descarrilar da sua vida e das suas relações.
📚 “o que cede em silêncio” {fevereiro 2026} ✍🏻 Pedro Rodrigues 🏢 @manuscrito
🤫 “o que cede em silêncio”? A nossa sanidade mental a enfrentar o abismo? A nossa vida familiar? Os alicerces que nos sustentam como uma casa? As nossas rotinas, a desordem interior? O nosso cansaço e o nosso desespero?
🤫 Com uma escrita íntima, perspicaz e fluida, Pedro Rodrigues fez de mim uma espectadora e observadora da vida desta familia, sobretudo da protagonista, Fátima, pela qual eu criei um laço de empatia enorme. Há uma identificação espontânea com as personagens e consegui-me rever em algumas situações enquanto mulher, mãe e esposa. Gostei também especialmente em como vamos tendo o ponto de vista alternado entre os membros do casal, para melhor compreendermos a situação, assim como a visão particular e privada de cada um deles.
🤫 Com temas fortes como o luto, a solidão, o isolamento durante a pandemia, o trauma geracional, aquilo que somos quando ninguém nos observa e as expectativas vs realidade, este livro leva-nos ao interior de nós, seres humanos, do nosso lugar enquanto casal, enquanto membro de uma família e enquanto a pessoa dentro das paredes da nossa casa. Os nossos alicerces enquanto pai, mãe, filha, colega, amiga. Como aa condições exteriores e adversas a nós, nos podem abater e modificar de um momento para o outro até nas rotinaa do dia-a-dia.
🤫 Sempre com as emoções à flor da pele, a meio do livro já levava o coração nas mãos e o nó na garganta. No final restou apenas um murro no estômago (por saber que se baseou numa história verídica) e o silêncio… um silêncio que se torna no barulho mais ensurdecedor, ruidoso e estridente dentro das nossas cabeças. Um silêncio que ocupa espaço. Um pequeno livro cum um enorme impacto que veio fazer com que arrumamos muitas das nossas gavetas interiores.
(nota máxima para a poesia de Adília Lopes que vai pontuando esta narrativa)
Todos nós lidamos com o luto de forma diferente. Podemos ser fortes e estoicos e quebrar anos mais tarde. Podemos sofrer com a maior das intensidades naquela altura e sobreviver. Podemos nunca superar e definhar.
Neste livro é abordado justamente a forma como o luto condiciona e transforma a vida de quem perdeu alguém muito próximo, Fátima, e todas as implicações que o não pedir ajuda, o silêncio, o sofrer calada têm na vida dela e de quem a rodeia. Toda a narrativa é um crescendo da infelicidade e quebra da saúde mental de Fátima, o que a leva a ver e sentir coisas que não existem. Alucinações de quem só queria ser vista e acarinhada.
Aos poucos, O marido e os filhos de Fátima já não sabem como lidar e infelizmente, tal como acontece na vida real, acabam por se cometer erros que podem ser irreversíveis. Este livro aborda as relações familiares desgastadas, a falta de comunicação e transparência entre casais, os muitos silêncios que se tornam ensurdecedores ao ponto de já não se aguentar mais e disparar em todas as direções.
Um livro que remete para a reflexão e para a forma como lidamos com a dor, como a escondemos para não sobrecarregar quem nos rodeia, piorando apenas o que já por si mesmo é triste e inevitável.
A escrita do autor merece especial destaque pela sua sensibilidade e pela forma íntima como retrata a condição humana. Com uma subtileza quase dolorosa, a narrativa explora temas como o luto, a solidão e o isolamento, revelando as fraturas invisíveis que se vão abrindo dentro de nós quando ninguém está a olhar. A construção psicológica das personagens é feita com grande mestria e realismo. Ao longo da leitura somos conduzidos para o interior da mente de Fátima, sentindo as suas fragilidades, os seus receios e o peso sufocante do silêncio que lentamente a destroi.
O livro também reflete a sociedade atual, mais focada nas aparências e pouco atenta às emoções das pessoas. A narrativa expõe o desgaste psicológico, as dores e os sentimentos que escondemos e que permanecem no silêncio.
O desfecho surge de forma inesperada e profundamente impactante. É daqueles finais que nos obrigam a fechar o livro por momentos, a respirar fundo e a tentar processar tudo aquilo que acabámos de sentir.
Mais do que uma simples história, este é um retrato intenso da fragilidade humana e da linha quase invisível que separa o equilíbrio do colapso. Um livro breve em páginas, mas imenso na experiência emocional que oferece ao leitor.
Este livro do Pedro Rodrigues é um verdadeiro murro nos vazios da nossa solidão. Ele abana, violentamente, a ordem desordenada do que trazemos cá dentro. O Pedro Rodrigues, nas descrições sublimes que faz dos pormenores que moram na rotina dos dias, consegue levar-nos até à profunda complexidade emocional que sustenta as personagens que dão corpo a esta narrativa. Personagens ficcionadas que nos mostram a nossa própria verdade escondida e nos fazem sentir saudades de uma intimidade que não conhecemos. Personagens que trazem à tona a mágoa dos colos falhados, que fizeram nascer fantasmas dos não-ditos e que se apropriaram da nossa vida, escondidos nas fissuras dos tetos que sustentam as nossas "casas". Não é, pois, de estranhar que depois de se ler e de se fechar este livro, o coração rebente e as lágrimas sejam enxurrada em nós. Comigo foi assim...
Olhem ..... Não sei que dizer. Dos livros mais crus, atuais, pesados, intensos que me lembro de ler até agora.
Sinto que grande parte de nós com tanta rotina, pressão da sociedade em casar ter filhos, trabalhar, sustentar uma casa, dar o melhor conforto há família não vive sobrevive de facto a esta coisa a que chamamos vida.
Ninguém tem o melhor roteiro, ninguém tem a melhor fórmula para levar a água ao seu moinho, sabemos todos onde vamos terminar só não sabemos onde e quando e enquanto isso não acontece somos humanos com falhas, defeitos,sonhos, ambições e que grande parte de nós tenta todos os dias ser 1% melhor que ontem e dá o seu melhor para chegar ao dia de amanhã.
A Fátima é o reflexo disso neste livro mas sinto que também é o reflexo de uma sociedade exausta de tudo e de todos.
Todos sabemos os sinais não os ignorem e peçam ajuda.
Ficam aqui as minhas 5 estrelas, neste livro que me surpreendeu. Um livro que se começa a ler e que desperta imediatamente a vontade de continuar, conseguindo prender o leitor do início ao fim. Através da ficção, o Pedro aborda diversos temas que se entrelaçam de forma natural na vida de Fátima e Jorge: personagens humanas e reais, com as quais facilmente nos identificamos. As descrições do Pedro fazem-nos sentir as personagens e criar empatia por elas. Mais do que entreter, é uma leitura que nos convida a olhar com maior atenção para quem está ao nosso lado. Não posso deixar de destacar o final inesperado que sem dúvida me surpreendeu! Obrigada Pedro, até ao próximo título
Gostava de ter começado a ler este livro sem saber que há pessoas que gostam e outras que não gostam. Queria ser eu a dar esse juízo de valor sem a construção de opiniões em volta deste livro e, por isso, sinto que não o valorizei o suficiente.
Fui ficando pela escrita do autor. A história, em si, desprendia-me mas as palavras e a sua força prendiam-me mais.
Mal comecei a ler as primeiras linhas senti que sabia a história real na qual se diz ter baseado mas não me impediu de soltar o livro, atónita, enquanto soltava uns quantos palavrões. Ainda assim, vale a pena ler!
Palavras que nos transportam a uma realidade nua e crua e levam-nos avaliar em que pé nós estamos nas nossas quatro paredes. Vemos casas, mas não vemos as fissuras no interior delas... Linguagem inteligível, emocional em que começamos a ler, e nas pausas, queremos chegar ao fim do enredo, Denota detalhes que não esperava.
wow! Que livro! Lê-se num sopro. A escrita é fluida, objetiva mas bonita. ainda tenho o estômago às voltas... Um livro sobre família, amor e relações mas também sobre luto e solidão. Sobre quando os silêncios se tornam num vazio e sobre o se sentir sozinho no meio da multidão... Recomendo muito! Leiam! É um livro honesto, cru, brutal e muito necessário.
Há livros que nos lêem por dentro e este é um deles. O que cede em silêncio é um abraço e um murro no estômago ao mesmo tempo. A escrita do Pedro é pura alma, mexe com tudo o que guardamos e raramente dizemos. Recomendo muito!
Um livro que nos fala de amor, amizade, tristeza, depressão, cansaço emocional e relacional. O peso do dia-a-dia e o silêncio no meio do caos. Numa escrita simples, o Pedro consegue transportar-nos para as vivências da história.
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O que cede em silêncio é um livro que se lê devagar, não porque seja difícil, mas porque pede escuta. O “Bilhinha” constrói uma narrativa onde quase nada explode — tudo cede: as relações, a sanidade, a ideia de controlo. O silêncio não é ausência; é pressão. E é aí que o romance é mais forte.
Consolida Pedro Rodrigues como um mestre da observação. É uma obra essencial para quem busca na literatura não um escape, mas um encontro — por vezes doloroso, mas sempre necessário — com a realidade
Uso este espaço para agradecer a todas as pessoas que tornaram este livro possível e a toda a comunidade literária que o fizer viver e medrar. Do fundo do meu coração: muito obrigado! Até já!
Datas das sessões de lançamento:
20 de Fevereiro, 18h30, FNAC ALFRAGIDE
6 de Março, 18h30, FNAC NorteShopping
21 de Fevereiro, 17h00, Associação Magenta, Figueira da Foz