Romance de formação que percorre a história recente do Brasil, Dakota Blues recupera canções, artistas e filmes que marcaram uma geração e exalta os principais momentos da juventude através de sua narradora Alice, uma jovem ao mesmo tempo ensimesmada e em fuga de si.
Alice é ainda uma criança quando o pai morre num acidente de carro. Foi ele quem a ensinou a gostar de música, cinema, arte, tudo o que viria a formar sua identidade. Mas a vida segue — a mãe tentando lidar com a viuvez e as contas que se acumulavam, a irmã focada no novo namorado, o irmão exilado no auge da ditadura militar. É a década de 1970, e o Brasil está em ebulição. Mais velha, Alice decide estudar jornalismo, e na faculdade conhece Nando, seu primeiro amigo abertamente gay. A relação de cumplicidade que se estabelece entre eles é maior do que a de qualquer amor que Alice desejasse, mesmo que o procurasse em outras pessoas. É o final dos anos 1980, e a epidemia de aids toma proporções inauditas. Para escapar dos lutos e frustrações que parecem persegui-la, Alice viaja para Nova York, onde encontra uma nova paixão, novos amigos, uma nova Alice. A última década do milênio promete transformações. É quando surge Antônio, quem dá tom e letra ao melancólico blues de Alice. Com uma prosa despojada que amadurece com a protagonista ao longo das páginas, Simone AZ elabora o retrato de uma geração que atravessou décadas de conturbada trajetória política, enquanto constrói — com o humor e os dramas de uma jovem em constante transformação — um sofisticado quebra-cabeça, cujas peças só se encaixarão por completo ao final.
Eu achei bem tedioso com uma trama bem previsível. A escrita paulista e a mistura de inglês com português, por vezes, é bem cafona. O livro se preocupa com temas universais, como perda e identidade, mas nada é profundo e tudo vira uma piada. Eu entendo que seja, talvez, uma autoficção, mas nem toda a história é interessante para um livro.
Sem contar que alguns personagens secundários não são aprofundados e puf!, logo morrem porque essa é a temática do livro. O livro tem um único mérito: a leitura é bem agradável e gostosa, o que permitir, mesmo apesar dos defeitos, que a leitura seja finalizada.
3,5 quase 4? Não consegui definir. Mas curti. Achei uma narrativa muito ágil, interessante. É um romance de formação pra ser lido num fôlego só. Ao mesmo tempo, me senti meio distante (?) da protagonista, não me conectei tanto assim com ela. Não amei, mas gostei.
achei o início muito intrigante, mas do meio pro final, a história me perdeu um pouco. os trechos com o antônio me pareceram curtos e esparsos demais, pra mim, só foram ter ligação com a história dos capítulos no final é um livro bom, com referências aos aspectos culturais dos anos 80 e 90, bem interessante, recomendo.
This entire review has been hidden because of spoilers.
um hamster vive no máximo seis anos. os macacos sentem a morte dos seus familiares, até param de comer por uns dias quando alguém do bando morre. os cachorros também sofrem com a partida de seus companheiros. uma água-viva, que mora na parte mais fria do oceano, não morre nunca. seus parentes não precisam chorar.
Ambientado nos anos 80, “Dakota Blues” acompanha Alice em diferentes fases de sua trajetória, explorando tanto momentos trágicos quanto suas conquistas e aspirações. Escrito por Simone AZ, o livro lança luz sobre um passado recente do país, entrelaçando a jornada da protagonista a distintos contextos históricos. A leitura é leve e acessível, embora não chegue a se destacar como uma obra imperdível.
Gostei bastante do livro. É fluído, história que entrelaça a minha, gostosinha de ler. Gostei até conhecer Dakota - achei Antônio sem graça para acompanhar o livro todo com suas narrativas (por mais que fosse ele o "contador"), a história dele muita apegada aos homens de "sua vida" - isso não gostei. Mas amei os entrelaçamento com as mortes. nhá, estou mais crítica esse ano rs. Seria um 5, mas dei 4 pq esse ano quero ler coisas melhores. rs
This entire review has been hidden because of spoilers.
esse livro faz parte da categoria que eu estou descobrindo que existe esses últimos meses que é "depressão romântica paulista". mas dos livros que li dessa categoria (como "copo vazio" da natalia timerman, por exemplo) esse é o melhor; a simone constrói uma personagem interessante na alice e o jogo que ela faz com o flash-forward presente após cada capítulo da narrativa principal é maneiro (coincidentemente, um elemento que também existe em outra forma no livro do "copo vazio"). eu gostei, apesar do tom sóbrio. achei que o início e a metade são muito bem encadeadas, talvez pelo nível de detalhe data. quando vai chegando aos 70% do livro, a rapidez cronológica dos fatos tem um efeito inversamente proporcional no sabor da leitura - achei que ficou um pouquinho menos interessante de se ler comparado ao resto do livro. mas o final eu gostei! um dos finais mais legais que eu li recentemente. no geral um bom livro!
Em Dakota Blues, acompanhamos Alice ainda menina, uma criança que cresce entre perdas pequenas e grandes. Pessoas que se vão cedo demais, animais que desaparecem como se tivessem pressa de deixar o mundo. É ali, nesses primeiros escombros, que nasce sua obsessão silenciosa pela morte. Não é um fascínio sombrio, mas um radar sempre ligado: Alice vive como quem fareja o ar à procura da próxima ausência. A narrativa tenta transformar essa sensibilidade em espinha dorsal da personagem, como se cada capítulo fosse um novo eco desse medo primordial.
Porém há um ruído e ele vem da nostalgia. Vou confessar estou cansada dessa onda de retratar tempos vividos anteriormente e a minha leitura da obra vai ser impregnada desse cansaço e até impaciência. Acho que em Dakota Blues aquilo que poderia ser apenas um pano de fundo afetivo, a nostalgia, se impõe como um véu artificial separando Alice do mundo real. A escolha da morte como eixo narrativo é promissora, mas quando a autora ilumina a infância e a juventude da protagonista com um feixe quase incessante de referências aos anos 80, algo essencial se desfaz. Alice deixa de ser uma menina de carne e osso e passa a habitar um território feito de colagens: cultura pop, fatos históricos rearranjados, memórias que soam mais herdadas do que experimentadas.
É um sintoma de um fenômeno maior: a década de 80 transformada no cinema, na TV, na literatura em um universo paralelo, embalado em neon, tecnicolor e nostalgia prêt-à-consommer. Um playground retro onde personagens não vivem: posam. No caso de Dakota Blues, esse excesso de cenário acaba engolindo a verdade da protagonista. O que poderia ser uma travessia íntima se aproxima perigosamente de um catálogo afetivo sem profundidade.
Conforme avançamos, a vida de Alice não ganha densidade; ganha decalques. Há momentos em que tudo parece um simulacro, no sentido baudrillardiano do termo: a realidade não é vivida, mas imitada. A vida de Alice tenta exalar autenticidade, mas respira ar reciclado. As décadas passam diante de nós como cenários de parque temático, perfeitos demais, sem rugas, sem cheiro de tempo.
A obsessão pela morte poderia ser o centro vital do romance, o fio tenso puxando a personagem da infância até a idade adulta. Mas o tema, apesar de poderoso, às vezes surge como ornamento, nunca como pulsação. É como se o livro se lembrasse, de tempos em tempos, de que Alice teme perder o que ama, acendendo outra vela dramática, sem permitir que a chama realmente queimasse.
Há, ainda assim, méritos claros. A linguagem é fluida, por vezes luminosa, com frases que se estendem como quem respira fundo antes de revelar algo íntimo. E os flashes da vida adulta de Alice, espalhados ao longo dos capítulos, funcionam muito bem: dão ritmo, perspectiva e criam aquela dobra temporal que faz a leitura oscilar entre o que foi e o que ainda pulsa. Nesses momentos, o romance encontra um pouco de verdade, como se a autora finalmente deixasse Alice sair do simulacro e tocar o chão.
É uma história que deseja falar de perdas, mas por vezes escorrega na superfície dos símbolos. Ainda assim, há beleza nas bordas: na língua, no jogo temporal, no desejo de capturar o medo que todos carregamos: esse receio silencioso de que tudo ao redor pode desaparecer quando menos esperamos.
Dakota Blues de Simone Az. São Paulo: Companhia das Letras, 2025. 238p. Enviado Tag Livros. Leitura de Dezembro 2025.
“Dakota Blues” é o romance de estreia da escritora, redatora, roteirista e jornalista Simone AZ. Ela foi finalista do prêmio SESC de literatura em 2018 com seu livro de contos “Beijo de língua no espelho”. Em “Dakota Blues” Simone AZ nos apresenta a história de Alice que nasceu na cidade de São Paulo numa família algo disfuncional mas que lhe proporcionava toda a liberdade, inspiração, fortes emoções e formação cultural que foram fundamentais para a sua formação e crescimento. Em meio a muitas situações inusitadas, muitos bichos, livros, música, encontros e desencontros Alice cresce e encara o mundo com coragem e desprendimento diante de conquistas, amores, desamores e descobertas em meio a um contexto histórico, político e social deveras rico e agitado que vai das três últimas década do século XX até a primeira década do século XXI. “Dakota Blues” é um romance leve e aparentemente despretensioso que no entanto nos leva a refletir sobre questões como o amadurecimento, o amor e as relações humanas em consonância com o contexto social, político e econômico e seu papel sobre as nossas decisões e paixões. O livro é prato cheio para quem viveu com intensidade os frenéticos anos 80 do século passado marcado pelo assassinato de John Lennon, a emergência do rock Brasil, o drama da AIDS, o ocaso da ditadura no Brasil, as “Diretas Já�� e a redemocratização mas pode agradar a todos interessados numa leitura leve dinâmica e que conta uma boa história.
O romance articula duas linhas narrativas: a de Alice desde a infância até a idade adulta e uma outra história que parece se enfiar no meio das páginas e narra a história do casamento de Alice com Antonio. Embora ambas sejam narradas em primeira pessoa, o desfecho sugere que Alice talvez não seja a narradora de sua própria história, hipótese que ajuda a explicar a superficialidade com que certos acontecimentos são apresentados, com uma nostalgia que parece mais um simulacro do que como vivência. Durante a leitura, identificamos praticamente todas as referências culturais, políticas e emblemáticas da época (anos 80 e 90), entretanto, no enredo, esse reconhecimento é baseado na partilha de signos, não necessariamente na partilha de conflitos. O principal efeito colateral desse simulacro é a relativa atenuação da densidade psicológica da protagonista. Alice é atravessada por perdas, mas essas perdas raramente desorganizam a linguagem ou a estrutura narrativa. O luto, embora recorrente, é frequentemente absorvido pelo fluxo memorialístico, o que reduz seu potencial de ruptura. Finalizei o livro com a sensação de que todas as memórias de Alice foram narradas como paisagem simbólica: “sim, eu leitora também vivi isso”. Porém, onde estão os campos de tensão? Diante de tantas mortes e rupturas, causa estranhamento a ausência de confronto, conflito ou desestabilização. O passado é rememorado, mas raramente reaberto; visitado, mas não enfrentado.
3,5 ⭐️ Gostei, não gostando tanto. É uma leitura fluida, rápida. Depois que pega o ritmo, é fácil passar horas lendo a história da Alice. Passa uma sensação de autobiografia contada simplesmente porque é, sem pretensão de chegar a lugar nenhum, e talvez não chegue mesmo, eu acho. Acompanhamos a vida da personagem da infância à idade adulta com uma série de reviravoltas cotidianas. Os pequenos excertos “do futuro” no final de cada capítulo me parecem um pouco largados, no entanto. Presentes desde os primeiros capítulos, criam uma sensação de que vamos progredir na história o suficiente para atingir o acontecimentos que deram origem à relação de Alice e Antônio, mas não atingimos. De repente, já conhecemos o casal o suficiente através dos textinhos pra que a autora meio que nos “atire” no meio da história deles, que também não leva a nada. Achei legal a forma como a personagem (e a autora) encaram a morte e suas nuances, e a forma como an Alice dá um jeito de transformar isso em carreira. Acho que eu também gostaria de trabalhar escrevendo obituários. Enfim, uma leitura ok, nada de grandioso, mas um bom passatempo.
Essa é a melhor frase do livro, que é uma leitura leve apesar do tema espinhoso: a morte. Experimentam-se muitas mortes da infância à fase adulta, mas o eixo da narrativa é a vida romântica da personagem. Todos seus amores são homens de moral questionável, e o fato de ela viver na órbita deles é irritante. A mulher mais promissora do enredo é a tia Otília, e o seu final não traz alento para olhos progressistas. Gostei do recurso de citar músicas, pois deram contexto temporal e cultural aos excertos. Por fim, não entendi a fixação com o prédio que nomeia o romance. Só porque nele foi gravado o bebê de Rosemary, ter sido habitado por Lennon e Yoko Ono e ter testemunhado o assassinato do ex-beatle? Por que esses acontecimentos marcaram tão profundamente a protagonista? No fim, me pareceu um artifício superficial. Há formas mais marcantes de tratar da morte, e esta não é uma delas. Diverti-me, contudo, e vale como entretenimento.
achei esse livro por acaso na amazon e sem nem ver a sinopse direito resolvi ler e não me arrependo. esse livro parece que foi um abraço na minha alma, um coming of age perfeito. me identifiquei com a alice em vários momentos e achei perfeito o jeito que a autora escreveu sobre as pequenas mortes que a gente passa na vida (se afastar de um amigo, crescer, a morte do nosso velho eu) até as grandes mortes (a morte de um familiar, do melhor amigo). a escrita me lembrou um pouco do caio f abreu, o que me fez amar ainda mais.
“Um hamster vive no máximo seis anos. Os macacos sentem a morte dos seus familiares, até param de comer por uns dias quando alguém do bando morre. Os cachorros também sofrem com a partida de seus companheiros. Uma água-viva, que mora na parte mais fria do oceano, não morre nunca. Seus parentes não precisam chorar.”
What a nice surprise, and entertaining reading! Well done Simone AZ! The book took me back to phases of my own life. I’m also a daughter of the 1960s, grew up in Perdizes, Sao Paulo, Brazil. The places, the names, the facts…I can relate to all, including our lives that crossed paths a few times…I remember. Kisses, Marina
Que surpresa agradável e leitura divertida! Parabéns, Simone AZ! O livro me levou de volta a fases da minha própria vida. Também sou filha dos anos 1960 e cresci em Perdizes, São Paulo, Brasil. Os lugares, os nomes, os fatos... me identifico com tudo, inclusive com nossas vidas que se cruzaram algumas vezes... eu me lembro. Bjs, Marina
A capa mistura magenta, azul e verde. Foi assim, na vitrine de um café/livraria que me deparei com Dakota Blues. E que surpresa boa. É um livro basicamente sobre mortes. Na verdade sobre as mortes da vida de Alice, a heroína desse romance. As mortes desde o periquito da família até a de seu pai. E as mortes-vivas da própria Alice. Gostei dele, achei bem-humorado ainda que fale de morte, li rapidamente, deixou um dia ruim menos ruim e isso já é motivo para recomendar.
Fiquei pensando se tinha gostado ou não, por mais que a protagonista seja quem conta a história ela parece que fica orbitando entre personagens que a gente nem tem tempo de conhecer, se tivesse mais páginas poderia ter aprofundado melhor sobre como a Alice lidou com os anos finais da mãe e esse ponto final no relacionamento com o André, já que foi uma figura que por vezes ela fez os leitores engolirem.
This entire review has been hidden because of spoilers.
o texto é tão fluido que parece que estou lendo uma retrospectiva do ano, e isso prejudica um pouco em se conectar com alguns acontecimentos. o mais interessante foi a relação da protagonista com a morte e o Klaus. gostei de algumas imagens que a autora criou, como "Minha mãe estava vestida de noiva no caixão. No rosto, um sorriso. Escrevi no meu diário o título do sonho: Mamãe morre vestida de noiva."
eu gostei bastante!!!!! é muito bom ser paulistana e reconhecer cada centímetro de lugar que ela está falando no livro como eu amo minha cidade feia e solitária 🧘🏻♀️
achei a escrita bem envolvente e o estilo também porque intercala várias partes da vida dela conectando passado com futuro! bem divertido só não dou mais estrelas porque toda a história com o antônio e andré me entediaram demais
Romance de formação que percorre o Brasil da redemocratização através da trajetória pessoal de uma protagonista feminina que enfrentou um número maior que a média de mortes de pessoas próximas. Apesar disso é uma história luminosa e afirmativa, que flui rápido e traz uma sensação de proximidade da personagem.
Fiquei presa do livro, é muito envolvente. Acho que a parte 3 não precisava existir, ficou corrida demais, mas não deixa de ser um bom livro. Só estou lendo demais o drama paulistano, saturei e estou com preguiça dele, então gostei desgostando.
Não é meu tipo favorito de livro, a história é bem simples mas gostosinha de ler, um panorama legal do Brasil, do mundo nos anos 80 e 90, cheio de referências histórias políticas artísticas e culturais. Passa tempo agradável, bom entretenimento.
Livro pra uma tarde chuvosa, pra relaxar. Sem grandes pretensões de obra-prima nem de levar a alguma reflexão extraordinária. Vale a leitura pelo passeio às décadas de 80 e 90 e suas “histrionicidades”.