Neste livro, Adolfo Mesquita Nunes mostra que a Inteligência Artificial não é apenas uma inovação tecnológica, mas um dos maiores desafios à sobrevivência das democracias liberais.
Algoritmocracia é um alerta e um manifesto. A IA já molda o nosso quotidiano: organiza o que vemos, condiciona o que pensamos, influencia as nossas escolhas. É útil, mas também está a alterar o espaço político, amplificando populismos, radicalizando discursos e fragilizando a confiança nas instituições.
O livro explica que a verdade partilhada é o ponto de partida da vida em comum e mostra como a IA está a corroer essa base, mudando a nossa relação com os factos e com a realidade. Mais do que um diagnóstico, lança um debate e propõe caminhos para defender a liberdade de pensamento e a vitalidade da democracia liberal.
Depois de A Grande Escolha - Mundo global ou países fechados (2020), Adolfo Mesquita Nunes regressa com uma reflexão incisiva e urgente sobre o poder imenso dos algoritmos na política - um poder que já governa parte da nossa vida, sem nunca ter sido eleito.
In this book, Adolfo Mesquita Nunes shows that Artificial Intelligence is not merely a technological innovation, but one of the greatest challenges to the survival of liberal democracies.
Algoritmocracia is both a warning and a manifesto. AI already shapes our daily lives: it organises what we see, influences what we think, and guides our choices. It is useful, but it is also reshaping the political space, amplifying populism, radicalising discourse, and weakening trust in institutions.
The book argues that shared truth is the foundation of collective life, and reveals how AI is eroding that very base, changing our relationship with facts and with reality itself. More than a diagnosis, it opens a debate and proposes ways to defend freedom of thought and the vitality of liberal democracy.
After A Grande Escolha – Mundo Global ou Países Fechados (2020), Adolfo Mesquita Nunes returns with an incisive and urgent reflection on the immense power of algorithms in politics, a power that already governs part of our lives, without ever having been elected.
Adolfo Mesquita Nunes (1977) é advogado, com mais de 23 anos de experiência, e sócio da área de Direito Público e Regulação na Pérez-Llorca, em Lisboa. Pioneiro em Portugal na análise dos desafios, riscos e dilemas legais que a Inteligência Artificial levanta, tem-se destacado no trabalho com dezenas de empresas, ajudando-as tanto a criar políticas de IA orientadas pelo conceito Legal by Design como a responder aos complexos desafios jurídicos que estas tecnologias colocam.
Professor convidado na Nova SBE e na Nova School of Law, é autor de dezenas de artigos académicos sobre contratação pública e, mais recentemente, sobre os problemas jurídicos criados pela IA. Foi deputado à Assembleia da República (2011-2013) e Secretário de Estado do Turismo (2013-2015). Em 2020, publicou A Grande Escolha - Mundo Global ou Países Fechados? (Dom Quixote), uma defesa da globalização como o maior instrumento de progresso da humanidade, obra que conheceu três edições.
Adolfo Mesquita Nunes (born 1977) is a lawyer with over 23 years of experience and a partner in the Public Law and Regulation practice at Pérez-Llorca, in Lisbon. A pioneer in Portugal in analysing the legal challenges, risks, and dilemmas posed by Artificial Intelligence, he has been working with dozens of companies, helping them both to design AI policies guided by the concept of Legal by Design and to address the complex legal issues these technologies raise.
He is a visiting professor at Nova SBE and Nova School of Law, and the author of numerous academic articles on public procurement and, more recently, on the legal problems created by AI. He served as a Member of Parliament (2011–2013) and as Secretary of State for Tourism (2013–2015).
In 2020, he published A Grande Escolha – Mundo Global ou Países Fechados? (Dom Quixote), a defence of globalisation as one of humanity’s greatest drivers of progress, which went through three editions.
O autor repetiu ideias, argumentos, exemplos vezes sem conta ao longo do livro, tornando-o chato e massudo de ler. Fica a sensação de que o autor está preocupado porque o ambiente político está a mudar para uma orientação diferente da sua - se aquele ambiente estivesse a reforçar a sua orientação será que a preocupação seria a mesma? O livro parece tentar passar a mensagem de que todos os problemas no debate político (o extremismo, a polarização) se devem exclusivamente aos algoritmos. Curiosamente não fala do futebol que nunca precisou de algoritmos para comportamentos extremistas, tribais e irracionais. Também fica a impressão de uma preocupação de ter de dividir o espaço mediático com pessoas que não passam por um “crivo” que escolhe quem deve ter acesso a esse espaço mediático. Pareceu-me um livro em que o autor tenta forçar um ponto de vista em que a causa de todos os problemas - dos políticos aos sociais- está nos algoritmos, o que parece um exagero.
Leitura obrigatória para se compreender o papel nefasto que as redes sociais (através da IA) estão a ter na nossa sociedade e liberdade individual. É fundamental um debate sério de como regulamentar o uso destas ferramentas de modo a garantir a liberdade cognitiva de cada um de nós.
Sou, por felicidade, um enorme distraído com as figuras públicas portuguesas. Se fosse mais atento não teria pegado neste livro, visto ter vindo das mãos de um ex-líder de um partido conservador de direita, CDS, cujos valores são diametralmente opostos aos meus. E isso teria sido um erro. Diria até que a leitura começa a valer a pena logo pelo prefácio, um belíssimo exercício de fair play político que nos recorda a importância da discussão, do equilíbrio e do respeito entre diferentes visões políticas para uma democracia saudável. Posso discordar das visões políticas do autor. E irrita-me aquela tendência direitista para meter no mesmo saco do extremismo as boçalidades do pior da direita e o progressismo de esquerda, como se houvesse um equivalente moral entre pregar o ódio, o racismo e a imbecilidade generalizada e lutar por maior igualdade social e económica, pela liberdade pessoal e de género. Uns querem um mundo pior para o seu ganho, nós (porque sim, enquadro-me nas esquerdas à esquerda do PS) queremos um mundo melhor para todos. Considerar isto extremismo é preocupante e um sintoma da acintosidade dos discursos públicos, que é o grande tema do livro.
Quando falo de prefácio, note-se que me refiro ao do autor. O livro tem outro, do punho de Paulo Portas, e ler elogios da parte de um dos mais cínicos praticantes da arte da política que temos por cá, já é esticar demasiado os limites da minha tolerância. Estamos a falar de um clássico exemplo de elitismo português, homem de boas famílias e tradicionalista, que não desdenhou descer às feiras e ser lambuzado pelas velhotas do povoléu para conseguir ascender nas escadarias do poder. É o jogo, bem sei, e é alguém que o sabe jogar muito bem.
Este livro é um profundo alerta para problemáticas que já não são crescentes, são enxurradas culturais que estão a erodir profundamente o edifício da democracia liberal ocidental. Sistema que, não sendo o perfeito, é do melhor que temos e tem garantido uma liberdade e prosperidade genralizadas inagualáveis na história humana. O problema aqui identificado, e também por outros autores, está na extremação do discurso público, na incapacidade de encontrar equilíbrio entre diferentes pontos de vista, porque já se parte para as discussões a partir de premissas radicais que se tornaram surdas aos argumentos contrários. Os resultados estão à vista: o crescimento desmedido da extrema direita, novas gerações que se revêm nos valores negativos do masculinismo tóxico, revanchismo cultural, supremacia racial e retirada de direitos. Como é que foi possível chegar até aqui?
Apesar do tema, o autor tem o discernimento de não culpar unicamente a tecnologia por este mau estado do mundo. As tendências, discursos de ódio, descontentamento, egoísmo e falta de sensibilidade para vida em sociedade sempre estiveram connosco, como franja por vezes mal disfarçada. O que a tecnologia veio fazer foi amplificar estes discursos, torná-los mais visiveis, dar-lhes canais que os media tradicionais não permitiam e que os colocam em pé de igualdade com os discursos mais lógicos e factuais. Essa amplificação trouxe o efeito perverso de lhes conferir uma certa aura de legitimidade, de mero ponto de vista divergente em vez de doudice varrida, misoginia profunda ou rebarbadice assumida.
O algoritmo, ou melhor, as diversas ferramentas algorítmicas que as plataformas mediáticas de hoje, as redes sociais, utilizam para determinar os conteúdos com que os seus utilizadores interagem, é o mais forte instrumento de enviesamento e que de certa forma, permite níveis de controle ideológico com que os mais batidos tiranos totalitários do passado nem sequer conseguiriam sonhar atingir. O que vemos quando acedemos a redes sociais, quaisquer que sejam (com a excessão do Fediverso, não analisado neste livro) é mediado por instrumentos automatizados que determinam o que vemos com base na combinação dos nossos interesses, padrões de comportamento e objetivos empresariais. Não é por acaso que nos leva aos extremos, porque mostrar o que choca é a forma mais fácil de nos captar a atenção. E é essa atenção, medida, controlada, mediada por sofisticados algoritmos, que é a base da corrente economia digital, em que nós, ou melhor, os dados providenciados pelos nossos padrões de comportamento, sustentam fluxos financeiros milionários. Não é difícil perceber que estamos a dar cabo da nossa sociedade e sistema político para enriquecer um punhado de techbros.
Este livro fala muito bem destes mecanismos, com muitos exemplos do quanto as bolhas informacionais e mediação algorítmica têm desempenhado um papel fundamental nos extremismos que correm a nossa sociedade democrática. Algo que começa a nível pessoal, através do consumo de conteúdos, mas que acaba por transvasar para a sociedade, quer pelas atitudes públicas individuais quer pela reação de responsáveis políticos e institucionais, que se sentem obrigados ou a investir recursos de desmontagem de desinformação ou a extremar o seu próprio discurso para não arriscar perder eleitorado (e isso é algo que está a ser notório na política portuguesa, da esquerda à direita). Quando mais gritamos os ecos das nossas bolhas, mais nos convencemos da sua veracidade única, e mais nos afastamos da sã convivência social, que admite e necessita de diferentes pontos de vista, mas não sobrevive a guerras entre supostos donos de verdades únicas.
O livro vai mais longe e toca numa questão que por cá anda adormecida, a da soberania digital. Enquanto nos deixamos levar pela enxurrada de reações, likes e visualizações, não reparamos o quanto esta erosão é provocada pelo sentido de lucro de empresas que não estão sediadas no espaço europeu. Sublinha o perigo de, em nome de uma ideia romântica mas falsa de liberdade de expressão, deixarmos à rédea solta empresas cujo modus operandi toca no âmago de qualquer sociedade - a forma como flui a informação. Fartamo-nos de discutir as consequências, conhecemos as causas, mas não nos atrevemos a tocar na raiz do problema. É sempre bom recordar que, mesmo quando falamos de IA, estes algoritmos não são entidades conscientes independentes que agem de moto próprio. São programados e parametrizados a partir de decisões saídas de decisores humanos. Não há ghosts in the machine ou computers that say no. Há pessoas, executivos e gestores de topo ou intermédios, que tomam decisões implementadas nas ferramentas que nos afetam a todos. É toda um novo conceito de eminence grise, sem que haja eminência mas apenas busca pelo lucro máximo. Algortimocracia é um profundo alerta para todas estas questões.
Só apontaria um problema ao livro (e não, não tem a ver com as questões ideológicas, isto não é uma recensão clickbait). Talvez advindo da dupla condição de advocacia e política do autor, o livro é demasido longo e repete muitas vezes os mesmos argumentos, enquanto explora as suas diversas vertentes. Diria que conseguira expor com profundidade os seus argumentos com metade das páginas, e com isso apenas ganharia força. De resto, não tenho dúvidas sobre a importância desta leitura nestes dias onde assistimos ao esboroar da nossa sociedade através da janela do telemóvel.
Escrito de uma forma “chatGPT”, pergunta e resposta, no final apetece pedir ao chatGPT que o resuma, porque a repetição de argumentos e exemplos é inúmera, escusada e torna o livro verdadeiramente chato de se ler. Dou o desconto de trabalhar nesta área profissional mas mesmo pensando nas pessoas que não o sao e que necessitam de mais detalhe e explicação, há repetições a mais, e tirar 100 paginas a este livro só lhe faria bem! Finalmente, e porque só dou duas estrelas em vez de três, tem a ver com a escassez de propostas para o futuro, que lançassem a discussão! Dizer apenas que o Chile ja incorporou estas matérias na Constituição, referir en passant o Digital e o IA Act da UE, e que o Fukuyama tem a proposta do middleware (proposta que considero positiva mas que não é deste autor) ficou demasiado curto e esse seria o tema verdadeiramente interessante e desafiante! Assim soube a poucochinho vindo de alguém que é decerto capaz de bem melhor!