Em um momento em que penso sobre vícios e dependências, o livro da Elizabeth Gilbert encontra o caminho até mim. A autora que ganhou o olhar do mundo em Comer, Rezar, Amar agora narra, em Todo o caminho até o rio, um relacionamento avassalador, intenso e, em muitos momentos, destrutivo — atravessado pelo vício e pelo amor por Rayya.
Esse livro me trouxe reflexões importantes. Nem mesmo pessoas profundamente comprometidas com autoconhecimento, inteligência emocional e espiritualidade estão imunes a recaídas, fracassos e vulnerabilidades. Quando algo nos atravessa de verdade, é impossível sair ileso. E talvez seja exatamente isso que nos faz humanos.
Elizabeth rodou o mundo em busca de si, escreveu sobre fé, crenças e relações codependentes. Ainda assim, permitiu-se viver tudo o que precisava viver com Rayya. Para mim, esse foi o lembrete mais potente do livro: quando alguém toca profundamente a nossa alma, é preciso abraçar o encontro — mesmo sem garantias.
Todo o caminho até o rio é um livro sobre permanência. Sobre ficar quando ir embora seria mais fácil. Não há frases prontas de superação.Nem espiritualidade instagramável. O que existe é um amor intenso, atravessado por doença, dependência, medo e escolhas difíceis.
Elizabeth descreve o vício sem romantização, sem floreios. Não se coloca como heroína. Pelo contrário: expõe suas contradições, a exaustão emocional, a raiva silenciosa e a culpa que acompanha o luto.
Não é uma leitura leve. Mas é essencial para quem quer refletir sobre relações profundas, perdas reais e a complexidade de amar.