O feminismo morreu. Esta é a autópsia. Em Autópsia do Feminismo, Débora Luciano propõe uma leitura ousada e rigorosa das origens e contradições do pensamento feminista. Partindo de uma investigação filosófica e simbólica, ela traça o caminho que vai da reivindicação por direitos à dissolução da identidade feminina no discurso de gênero. O livro percorre momentos-chave da história do feminismo, conecta autoras clássicas e contemporâneas, e aponta como a própria estrutura metafísica do movimento — marcada por uma tensão entre corpo e transcendência — levou àquilo que a autora identifica como seu esgotamento. Ao invés de repetir diagnósticos sociológicos já conhecidos, Débora mergulha nas raízes teológicas do imaginário feminista e resgata debates muitas vezes ignorados: a maternidade, a carne, o papel do simbólico, a figura da Virgem. Sem recorrer a panfletarismos ou simplificações, Autópsia do Feminismo abre espaço para pensar o que restou da mulher depois que o feminismo venceu — e por isso mesmo, se desfez. Sobre a autora Débora Lopes Luciano é formada em Direito pela UFMG, mestre em Economia com foco em pensamento político e instituições e atua como advogada e ensaísta. Pesquisa as interseções entre filosofia, religião e literatura clássica, com especial interesse nos símbolos e narrativas que moldam nossa visão sobre a estrutura do real. É autora do Substack Satanic Feminism, onde publica reflexões sobre política, cultura e revolta feminina. Autópsia do Feminismo reúne anos de investigação para narrar o esgotamento de um movimento que, ao tentar superar a condição feminina, terminou por matar a própria mulher.
A autora apresenta um exame do movimento feminista, o qual ela alega estar morto. No livro, expõe-se como o movimento foi conduzido ao longo de seus mais de três séculos, incluindo as distorções feitas em torno de algumas de suas figuras. Ressalto o interessante registro sobre as consequências da ruptura com a filosofia clássica e a subsequente adoção do nominalismo radical. Em síntese, relata-se como o próprio feminismo se perdeu: ao negar a existência da natureza feminina, o movimento acabou por abolir-se. Só não dou 5 estrelas por achar que foi dado um destaque a Maria além do, na minha interpretação, indevido. Só há um Salvador: Senhor Jesus Cristo! É a Ele, que é Deus, quem devemos clamar.
A tese do livro é bem amarrada, apesar de não ser um livro de história, a autora utilizou bem o conhecimento mais atual sobre a história do feminismo para desenvolver uma visão holística e filosófica do tema. É algo como uma transferência da intuição do que é feminismo em um saber filosófico consciso, a descrição em boas palavras algo que notamos mas não conseguimos explicar. O enorme referencial teórico do livro não é a toa.