Gadi é uma lenda viva na Mossad. Tem, porém, uma mancha no currículo. Enviado clandestinamente para Beirute, com a missão de assassinar um alto dirigente do Hezbollah, fracassa miseravelmente.
E o caso faz as primeiras páginas dos jornais internacionais.
Devastado, assume a responsabilidade do fiasco, quando na verdade foi um dos seus protegidos, um jovem agente chamado Ronen, quem deitou tudo a perder. O dirigente do Hezbollah continua impune. E mais tarde organiza uma série de ataques suicidas em Israel. Ronen, entretanto despromovido e tomado por um enorme sentimento de culpa, decide vingar-se. Ruma a Beirute, à revelia dos seus superiores, para concluir a missão. Numa tentativa de evitar males maiores, Gadi parte no seu encalço. Sem dizer nada aos serviços secretos israelitas, infiltra-se, também ele, no Líbano… Começa assim Operação Beirute, o romance de espionagem que trouxe para a ribalta o nome de Mishka Ben-David - escritor que durante doze anos foi agente na Mossad e que, tal como o protagonista, chefiou uma missão de assassinato seletivo que acabou mal (e que também viria a ser assunto de primeira página na imprensa). Considerado pela revista The Economist como o melhor romance para compreender o conflito israelo-palestiniano, Operação Beirute é uma obra tensa, de um realismo a toda a prova, que nos revela o outro lado dos serviços secretos: a politiquice sórdida, as intrigas, os dilemas morais dos agentes e as suas querelas íntimas, tendo como pano de fundo uma história de ódios milenares.
É um livro bem escrito e muito envolvente, o que torna a leitura fácil e fluída. No entanto, para um livro centrado na espionagem, e ainda por cima espionagem israelita, um tema normalmente associado a tensão, risco e muita ação, a história acaba por ser surpreendentemente parada. Senti falta de intensidade e suspense. No geral, é um livro bem contado, mas desiludiu-me porque assumi que fosse um verdadeiro thriller de espionagem.
Não encontro motivos para que este seja "o melhor romance para compreender o conflito israelo-palestiniano". Um livro sem qualquer ação, que parece mais uma entrada num diário do que o que se espera de um livro do tipo de espionagem.