"Em cima de esterco e de alfafa seca. Um caixão comprido mal amarrado e balançando num vagão vazio destinado ao transporte de animais. Ali, dentro do singelo esquife, vai o cadáver de Cruz e Sousa, cuidadosamente acondicionado por mãos piedosas na madeira crua. Terminava assim - um corpo despachado para o Rio de Janeiro num trem de carga – a vida de um dos maiores poetas brasileiros. Era março, dia 19, 1898. Cruz e Sousa tinha 36 anos ". Assim, começando pelo final, Godofredo de Oliveira Neto nos conta com força e erudição a história do brasileiro que, filho de escravos, foi considerado um dos três mais importantes poetas simbolistas do mundo e chamado – não sem razão – de Dante Negro.