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Crônicas da Guerra na Itália

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Clássico de Rubem Braga há 18 anos fora de catálogo, este livro reúne crônicas de Rubem Braga para o Diário Carioca durante a Segunda Guerra Mundial. O autor não registra apenas o horror dos campos de batalha, o desespero dos soldados e o nazi-fascismo, mas também a beleza dos lugares em que passou, a primavera na Itália, as pessoas que conheceu, o sofrimento com a neve e o frio. “Observador sentimental”, como ele próprio se definiu, Rubem Braga nos apresenta relatos extremamente marcantes e belos sobre uma das mais terríveis épocas da humanidade.

· Rubem Braga começou a trabalhar em jornal quando estudante para o Diário da Tarde, em Belo Horizonte. Escreveu a partir de então para jornais e revistas em quase todo o Brasil. Durante a segunda guerra mundial, foi correspondente do Diário Carioca na Itália.

406 pages, Paperback

First published January 1, 1964

17 people want to read

About the author

Rubem Braga

84 books42 followers
Rubem Braga was a notable Brazilian. He was born in Cachoeiro de Itapemirim city, state of Espírito Santo, on January 12, 1913 and is one of the few writers to attain recognition among the Brazilian literary establishment by solely penning crônicas (periodical Brazilian short stories published in newspapers) throughout his career.

Braga was raised in his hometown, but at an early age was sent to the city of Niterói by his parents, to live with relatives. He attended law school in Rio de Janeiro, but graduated in Minas Gerais, in the year of 1932, after having acted as a field reporter in the Diários Associados for the Revolta Constitucionalista.

He was a correspondent in Italy for the Brazilian newspaper Diário Carioca during World War II. He subsequently returned to Brazil, taking definitive residence in Rio de Janeiro. Braga was arrested several times by the Nationalist military government of the time.

His first book O Conde e o Passarinho was published in 1936, when he was 22. He is one of few Brazilian writers to get recognition by writing short stories. Braga founded, together with Fernando Sabino and Otto Lara Resende, the book publisher Editora Sabiá.

As a journalist, Braga was a reporter, writer and editor for newspapers and magazines from Rio de Janeiro, São Paulo, Minas Gerais and Bahia. In 1953 he was nominated the Brazilian "Chefe do Escritório Comercial" in Chile, due to his frindship with president Café Filho. In 1961 he was appointed as Brazilian embassor to Morocco by president Jânio Quadros. During his last years of life he worked for TV Globo. Braga died on December 19, 1990.

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Displaying 1 - 5 of 5 reviews
Profile Image for Rodrigo.
122 reviews2 followers
June 7, 2015
Crônicas são um estilo bem brasileiro. Sim, existem cronistas em outros idiomas, mas esse estilo irônico, apolítico, de olhar para as pequenas coisas do cotidiano em textos rápidos, jornalísticos, pequenas pílulas diárias de literatura, me parece algo bem nosso. Minha geração em particular navegou forte pela série "Para Gostar de Ler" quase como uma iniciação à leitura, e Rubem Braga era participante habitual dessas coletâneas. Para mim Rubem Braga sempre era aquele toque de delicadeza, de lirismo cotidiano, das observações originais a respeito de vida burguesa carioca da metade do século 20. Pois bem, este livro em particular, com crônicas do front da guerra na Itália foi um texto que inicialmente li quando tinha uns doze anos de idade. E naquela época detestei! Claro, esperava uma narrativa de guerra, épica, com atos de bravura e peripécias militares que simplesmente não são objeto do autor. Rubem Braga não é um repórter de guerra, é um cronista NA guerra, o que é algo muito diferente. Ele se detém nas pequenas coisas da vida dos pracinhas, alegrias e tristezas do dia a dia. Fala da comida, das roupas, dos abrigos, das saudades dos amigos e dos amores distantes. Fala das flores, da primavera e das noites na Itália. É o livro de guerra mais inusual que se possa imaginar, por sua delicadeza, sua visão intimista e microscópica da guerra. Nos traz uma perspectiva completamente única e original desse episódio tão duro para esses soldados brasileiros perdidos em um inverno italiano, lutando contra um inimigo que não entendem em uma guerra que não é deles. Uma obra especial que tem que ser fruída de forma não óbvia, obviedade essa que passou longe do autor quando de sua elaboração.
Profile Image for Henrique.
1,033 reviews29 followers
November 12, 2024
Aqui vemos como o Braga lida com a anticrônica por excelência. Ora, o que pode ser mais contrário ao espírito de jovialidade e à apreciação de pequenas belezas do cotidiano, tradicionalmente vistas como características da crônica, do que a ocorrência de uma guerra, em toda a sua ferocidade? Acostumado a tratar de coisas só percebidas pelo próprio cronista, aqui o Braga precisa lidar com um assunto ao qual todos os olhos estavam voltados. Sua missão, então, era mostrar algumas coisas que talvez ninguém tivesse visto ainda, enquanto experimentava ele mesmo a dureza dos combates.

Muitas vezes se tenta traçar uma linha da trajetória da crônica do Brasil e, por questões muito mais de popularidade do que de técnica, coloca-se um João do Rio imediatamente antes do Rubem Braga. A crônica de João do Rio, contudo, tem bem pouco em comum com a crônica do velho Braga (que parece mais próximo da crônica da Júlia Lopes de Almeida). João do Rio fazia reportagens, textos com sete, oito, dez páginas, bem mais, portanto, que as duas ou três que cabiam ao Braga. Dizer que João do Rio "levou a crônica para a rua" é um tanto exagerado, se pensarmos que a proposta que tinha era, inicialmente, fazer reportagens, coisa que então só se conseguia indo às ruas.

O que João do Rio fazia era dar um acabamento mais literário às suas reportagens, que, em uma análise mais acurada (e livro de preconceitos contra o jornalismo), possivelmente estivessem mais próximas ao jornalismo literário que a crônica. Daí que não se consiga perceber, ao ler as crônicas habituais de Braga, nenhum indício de que ele tenha se valido de João do Rio para alguma coisa. De fato, com exceção de alguns herdeiros imediatos, como o excelente Benjamin Costallat, João do Rio não criou nenhuma "escola de fazer crônica", e a do Braga, por sua vez, é muito diversa da dele.

Entretanto, essas "Crônicas da guerra na Itália" mostram uma possível aproximação entre os dois. Afinal, também aqui se chama de crônica aquilo que, muitas vezes, se assemelha à reportagem. E o próprio Braga, repetidas vezes, chamou de reportagem aquilo que estava fazendo. Exemplo mais gritante disso é o texto que narra suas últimas aventuras com a FEB na Itália, pois ele passa das 20 páginas, um tamanho que nem o mais generoso dos editores ousaria conceder à crônica.

A crônica de uma guerra, naturalmente, trata de temas duros, pesados, muitas vezes chocantes. O cronista vai a campo relatar o que vê, e o que se vê numa guerra, definitivamente, não é bonito. O desafio de Braga era encontrar meios de relatar jornalisticamente aquilo que via (era impossível, em tal contexto, ceder à ficção) de uma forma que não traísse o seu estilo (marcadamente lírico), sem pisar em "minas" como o sentimentalismo barato e, tão ruim quanto, as patriotadas.

Vez ou outra o Braga tem certos rompantes patróticos, mas também é preciso que se diga que, aos desafios citados, havia ainda o de driblar a própria censura, pois todas as suas crônicas eram lidas antes de ser enviadas à imprensa no Rio de Janeiro. E, na verdade, Braga está muito longe de ser um patriota acrítico, haja vista o tanto que fez e esbravejou contra a ditadura de Getúlio Vargas quando pôde fazê-lo. O mais que Braga faz é falar mal de nazistas, o que é até um imperativo moral.

A primeira coisa que Braga percebeu que tinha que fazer era contar histórias de vida. Ao ser redor, a morte grassava, e até por isso era importante registrar quem eram aquelas pessoas que, por força das circunstâncias mais diversas, haviam se juntado para matar alemães ou ser morto por eles. A crônica de Braga até dava certos detalhes da atuação e das estratégias militares da guerra, mas não era esse o centro dos seu textos: isso ele deixava para os personagens, heróis em potencial, aos quais fazia questão, com um rigor notável, de mencionar nome completo e endereço.

É que Braga percebeu a principal utilidade da sua crônica (e não tinha nada a ver com a literatura): a de servir de ponte entre os pracinhas e as suas famílias. Então ele identificava e mencionava tantos soldados quanto possível, para que os familiares no Brasil, que estavam longe e com quem não conseguiam se comunicar com presteza, soubessem com um pouco mais detalhes como estavam correndo as coisas para eles durante a guerra. Isso seria um poderoso alento às famílias, e ainda mais nos casos em que Braga destaca alguma coisa de bom que esses pracinhas fizeram.
Ao mesmo tempo, suas crônicas eram um constante apelo para que as famílias escrevessem aos seus parentes, pois era disso que os pracinhas mais precisavam e o que mais sentiam falta.

Ao retratar algumas das vidas que faziam a guerra, Braga conseguiu mostrar também que as maiores preocupações não tinham a ver com a guerra em si, que todos esperavam que acabasse logo, mas com coisas até muito triviais que haviam deixado no Brasil (às vezes, o que um pracinha queria saber era o resultado de um jogo do Bangu). Com isso, a crônica-reportagem de Braga foi eficiente em mostrar que, definitivamente, o homem não foi feito para a guerra, que ele até pode fazer a guerra se lhe pedirem, mas que não deseja outra coisa que não uma vida em paz.

Se não chegou a captar passarinhos, Braga flagrou, ao menos, um casal de namorados italianos que olhava para o céu enquanto bombas explodiam. E com isso o cronista não tentatava minimizar o horror da guerra (aliás, já bem evidente), mas fazia uma sugestão de que tudo aquilo passaria. Nos casos em que Braga teve que falar realmente de violências e crueldades, tentou fazer isso de uma maneira tão distanciada quanto possível, certo de que a simples descrição objetiva já conduziria naturalmente a uma reação emocional. Era a guerra, e mandaram até mesmo um poeta para lá.

Braga contou histórias de heróis improváveis, de casos surpreendentes de sobrevivência, falou até de tristes espiões, e, em síntese, foi bem-sucedido ao flagrar o que havia de vida em meio àquele ambiente de morte. Suas crônicas são ainda um olhar particular sobre a guerra (ou sobre a parte da guerra que lhe coube), tão sensível quanto nas crônicas que já fazia no Brasil, agora apenas mais focado nos fatos tristes de uma conflagração mundial. Se em alguns textos a questão suscita dúvidas, em outras pode-se falar claramente em reportagem, como as de João do Rio, e com isso já se pode negar também o velho mito de que Rubem Braga só fez crônicas durante a vida.

Feita as contas, um livro como esse perde quando comparado a algo como "A borboleta amarela", mas, diante do material e das condições que lhe ofereciam, Braga se virou muito bem, defendendo sua visão poética de mundo mesmo em um ambiente onde ela menos poderia ser compreendida. Esses textos não podem ser dissociados do jornalismo, que foi não apenas a razão da existência deles como também foi aquilo que definiu o tipo de conteúdo que o escritor apresentaria. E esse vínculo com o jornal, ao contrário do que querem os críticos literários, não é nenhum demérito.
Profile Image for Barbara.
127 reviews5 followers
April 18, 2021
"A FEB era bem um resumo do povo do Brasil, não só porque tinha soldados de todos os seus Estados e de todas as classes sociais e níveis de cultura, como porque levava todos os seus defeitos e improvisações, todas as duas incoerências e mitos, todas as falha e virtudes desse povo. Pois estou convencido de que, dentro da modéstia de nossas forças, o pracinha brasileiro deu o seu recado, cumpriu a sua missão. E a sua melhor vitória me parece a ressonância de afetos e saudades que ainda guarda, entre as paredes de pedras dessas casas isoladas da montanha, no coração da gente simples e boa da Itália, esta palavra: brasiliano"
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Profile Image for Iury.
68 reviews
September 7, 2021
Livro bom para quem gosta da 2ª Guerra Mundial. São as crônicas que Rubem Braga escreveu enquanto esteve junto com a FEB na Itália. É possível notar que, apesar do tema mais árido, já fica bem notável o talento de Rubem Braga ao perceber nuances no dia a dia dos militares brasileiros.

Livro pra ler devagarinho, aos poucos.
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