Sidney Rocha (Juazeiro do Norte, Ceará, 1965) é escritor, contista e romancista e editor. Doutor Honoris Causa pela Universidade Federal de Pernambuco. Tem vários livros publicados e foi o vencedor do Prêmio Jabuti, em 2012, com o livro de contos O destino das metáforas e do Prêmio Osman Lins, em 1985, pelo romance Sofia, uma ventania para dentro[1].
“Tudo em Sofia sempre teve sabor de epílogo. De encerramento. De síntese. Cada passo parecia uma chegada. Quando um pé ultrapassava o outro, no ato de caminhar, era como se tivéssemos acabado de alcançar o lugar certo. E isso nos fazia bem — como se uma boa visita acabasse de bater à porta.”
“A palavra não é troco — não se oferecem palavras grandes em troca de um punhado de pequenas (...) Em qualquer idioma, a palavra é sempre um fracasso, menor que a ideia. É preciso buscar a vida no mundo onde nascem as ideias — e deixar as palavras no mundo onde elas apenas são.”
Furtuei esse livro da biblioteca da escola em que cursei o ensino médio. Bastou a leitura da primeira página para que eu me visse cativada por Sofia — tanto quanto o próprio narrador. Tenho inúmeros trechos preferidos, e ao relê-los, comentei com amigas o quanto Sofia parece ter alcançado a tal liberdade que Clarice sempre sondava, cutucando a si mesma na tentativa de abrir frestas por onde o vento soprasse diferente. Um frescor que, em Sofia, sopra com naturalidade.
Se Sofia de fato existiu, bom... Ao final, nos é dada uma pista, talvez uma resposta — mas prefiro não pensar. Quero mantê-la como margem, como farol, como um norte silencioso para uma práxis de vida mais leve, mais autêntica.
Terminei dizendo que gostaria de me reconhecer mais nela, mas ainda sou, demasiadamente, o próprio autor — carregando esse desejo impossível de encontrar respostas. Valeu muito a leitura, Sidney! Meu conterrâneo.