João Cabral de Melo Neto was born in the state of Pernambuco, Brazil, and is considered one of the greatest Brazilian poets of all time.
He is often quoted saying "I try not to perfume the flower". His works are said to be dry, devoid of exaggerated emotions that are usually associated with poetry, sticking usually to images and actions and physical descriptions rather than feelings. The image of an engineer designing a building is often used to describe his poetry. It usually follows a strict meter and assonant rhymes.
He worked as a diplomat for most of his life.
In 1990, he won the Camões Prize, the greatest prize in literature of the Portuguese language. In 1992, João Cabral received the Neustadt International Prize for Literature, which some consider to be almost as prestigious as the Nobel Prize.
Entendo a importância artística de Cabral, por isso as duas estrelas. Sem Cabral talvez não tivéssemos Haroldo, Augusto, Tropicália e Belchior do jeito que conhecemos hoje, de fato. Mas me pergunto, será que não seriam melhores?
O rigor técnico e teórico de Cabral é algo a se invejar, mas não consegui continuar lendo por uma série de motivos. Começou o desconforto quando percebi que ele nunca dedicava um poema a alguma mulher, além de se referir a elas nos poemas de uma forma genérica e pelo senso comum. "Não havia a discussão sobre feminismo nessa época", um professor acadêmico homem, um homem desinformado, ou até mesmo uma mulher me diriam prontamente, depois dessa crítica. Tudo bem, não havia; mas havia mulheres, sempre houve mulheres. Quase todos os poemas têm dedicatória, todos a amigos homens importantes.
Continuei lendo, afinal é preciso ter sangue frio, sangue de "homem", para sobreviver em um ambiente acadêmico de Literatura.
Veio o segundo desconforto. A forma como ele se refere aos pretos. A crítica retumba na mesma resposta possível "na época, não havia discussões sobre o assunto". Não quero saber, não quero ler um poeta que não tinha sensibilidade o suficiente para não ser racista. Depois de um malabarismo argumentativo à la Aristóteles, um professor quase me convenceu de que ele fazia isso sem intenção de ofender os pretos. Mas não caí, continuo achando que ele não tinha sensibilidade, e, de fato, um homem banco não era obrigado a ter sensibilidade às causas que não lhe fazem jus. Mas, como dito, prefiro ler os melhores, os que tinham o mínimo de sensibilidade.
Continuei, arduamente.
Veio o terceiro, e último desconforto, feito faca, como era de seu desejo: um poema dedicado a um toureiro. Não entendi direito aquilo, um poeta prestigiando e homenageando um assassino. É uma violência muito estudada pelos psicanalistas que tentam defendê-lo. Fui ler sobre a relação dele com tal toureiro e descobri que ele gostava muito de touradas.
Um poeta que não gosta de mulheres, de pretos e de animais? Prefiro ficar longe. Deixo-o para que os homens brancos façam bom proveito.