“Se a História Cultural é chamada de Nova História Cultural é porque está dando a ver uma nova forma de a História trabalhar a cultura. Não se trata de fazer uma História do Pensamento ou de uma História Intelectual, ou ainda mesmo de pensar uma História da Cultura nos velhos moldes, a estudar as grandes correntes de idéias e seus nomes mais expressivos. Trata-se, antes de tudo, de pensar a cultura como um conjunto de significados partilhados e construídos pelos homens para explicar o mundo. A cultura é ainda uma forma de expressão e tradução da realidade que se faz de forma simbólica, ou seja, admite-se que os sentidos conferidos às palavras, às coisas, às ações e aos atores sociais se apresentam de forma cifrada, portanto, já um significado e uma apreciação valorativa.”
Um ótimo sumário dos meandros que envolvem o fazer histórico quando se relacionando com a História da Cultura. Algumas vezes repetitivo, mas nunca de forma que entedie ou irrite. Críticas demasiadas aos métodos prévios de conhecimento histórico, o que faz sentido quando se entende que a autora é uma das maiores proponentes da corrente discutida no texto (evidente quando ela se posiciona como autoridade em diversos campos da HC, sendo mesmo).
Para um livro que discute tanto sobre a ficcionalização da História e sobre a necessidade de sua escrita ser retoricamente atraente e criar um caso compele o leitor a concordar com a narrativa sendo explicitada, a própria autora faz isso muito bem ao longo do livro! Certamente uma leitura prestativa e elucidante.