"Extraordinário... Parece hoje inacreditável que tucanos e petistas pudessem ter colaborado tão intensamente". — Clóvis Rossi, na Folha de S. Paulo 1 8 dias é a história por trás da ofensiva diplomática de Lula e FHC para quebrar a resistência do governo norte-americano ao PT nas eleições de 2002. No livro, Matias Spektor, professor da Fundação Getulio Vargas e colunista da Folha de S. Paulo, revela uma faceta desconhecida dos bastidores do o papel da política externa durante uma troca de comando no Palácio do Planalto. Com documentos inéditos e entrevistas exclusivas, a obra reconstitui os 18 dias da transição presidencial mais delicada de nossa história recente.
Ao contrário do que indica o título do livro, Matias Spektor vai além dos 18 dias em que Lula e FHC se uniram para conquistar o apoio de Bush, discutindo diversos temas que reverberam nas relações entre Brasil e EUA, como direito humanos, segurança regional e proliferação nuclear.
Para tanto, Spektor baseia seu estudo em fontes históricas primárias, algo que é frequentemente ignorado por analistas e historiadores da política externa brasileira, que escrevem com base em fontes secundárias e terciárias, sem preocupação em garimpar arquivos históricos. Isso confere solidez e personalidade ao trabalho de Spektor, e dá vida aos personagens que fazem a história do país, mas sem que as forças sistêmicas que estão fora de controle desses personagens sejam ignoradas. Spektor mostra que o homem pode não fazer a história a seu bel prazer, mas ele a molda com o material que o acaso lhe concede.
Em um momento de profundo desgosto com a classe política brasileira, ler o livro de Spektor é um alento, pois mostra que governo e oposição podem ir além do cálculo mesquinho político-partidário, deixando ideologias paralisantes em segundo plano e atuar pensando no bem da nação.
Mais leve e menos acadêmico do que seu excelente livro anterior, Kissinger e o Brasil, 18 Dias tem o potencial de agradar mesmo aos que não têm especial interesse pela política externa do país. Aos poucos, Matias Spektor confirma-se como um dos mais interessantes historiadores da política externa brasileira.
Trata-se de uma obra que vai além do proposto pelo título. Ao selecionar e compartilhar sua reflexão sobre 18 dias da marcante transição de governo em 2002, Spektor demonstra um aspecto maduro da democracia brasileira, que prevalece sobre as rivalidades partidárias. Como se a idéia já não bastasse para produzir uma curiosa e interessante monografia, o autor toma o cenário de mudança como ponto de partida para reviver a história mais recente da política externa brasileira. A riqueza de acontecimentos nas relações com a América Latina e os Estados Unidos, principalmente dos anos 70 em diante, auxiliam a compreender de forma mais íntegra o significado daquela transição. No livro, a continuidade histórica revela um Brasil que precisa manter o papel de potência regional sem criar hostilidades com o parceiro da América do Norte. A elegância e o humor discreto de Spektor, somado ao rigor no levantamento das fontes, tornam a leitura surpreendentemente agradável. Embora estejamos diante de um trabalho acadêmico, os interessados no assunto não devem sentir a passagem das horas.
Excelente reconstrução de bastidores de um período importantíssimo da política brasileira, como uma visão sóbria e recheada de fontes. É interessante ver a mudança de posição e até mesmo pragmatismo do PT ao assumir o governo.
Além disso, há uma boa reconstrução da história recente da política externa brasileira e mundial com foco no Brasil.
Boa leitura para entusiastas de bastidores políticos (internos e externos), sejam eles tucanos, petistas ou apartidários.
Apesar do título criar a expectativa de um livro sobre os pormenores logísticos do primeiro encontro entre Lula e Bush, o que temos é uma contextualização geopolítica e econômica que permeia todo o evento. Essa contextualização é bem recebida, pois viabiliza ao leitor uma abordagem distanciada e estratégica do encontro. O livro é educativo na medida que raramente revela alguma tendência político-ideológica e nos surpreende com um Fernando Henrique menos americano que o imaginado e um Lula mais leniente as relações com os EUA do que a pintada pelo nosso folclore político. A obra peca na demasiada citação de artigos jornalísticos, peças sem valor histórico na minha opinião, e na superficialidade das informações de bastidores coletadas pelo autor.
O livro vai além do que eu imaginava, mostrado um resumo dos últimos anos do governo FHC e, principalmente, dos principais acontecimentos no Brasil e no mundo que influenciaram nesse momento em que o antigo e o novo governo se juntaram para conseguir apoio do governo dos EUA à transição. Coisas que os governos recentes dificilmente veriam com o ex ocupante do cargo.
Bem mais abrangente do que o título deixa a entender. Acaba sendo um compilado de toda conjuntura que envolveu a eleição de Lula e um pouco da historia da relação Brasil-Eua desde a ditadura; não se prendendo exclusivamente ao encontro entre Lula e Bush. Bem escrito e interessante.