Quatro dias vagando por São Paulo em perseguição a fim de compreender uma noite, onde nada se lembra, é o mote da obra. O protagonista bem sucedido ora tenta escapar do modelo de vida que tem, ora tenta mante-lo, apregoando ao futuro o que poderia fazer no presente, em uma espécie de círculo vicioso, onde constantemente foge e retorna.
Com enfoque, portanto, em uma espécie de crise de meia idade, a obra parece inacabada, ou melhor: é uma grande ideia de fuga, apenas idealizada, onde nada ocorre, que poderia ser mais, mas não o é.
Apesar disso, ainda assim, eu gostei da leitura, pois consegui ser enganada do início até a página final, uma vez que acreditei até o fim que haveria explicações, que Matias se lembraria da noite passada, que tomaria alguma atitude com um final inesperado, de modo que a leitura fluiu (para o nada), mas eu ainda não sabia disso.