(sobre a morte)
...Quando me sinto ser senão olhos (que não tenho mais limites), sinto que sou eu, e morta; posso então olhar o meu corpo como qualquer coisa caída no chão. O que não me perturba. Posso olhar cada parte do meu corpo como se estivesse no seu exterior; não me importo que o meu corpo se torne mineral; silício ou argila, todos os minerais (todas estas matérias) eram um pouco seres vivos onde existia uma cadeia de energia cósmica que passava. Tudo é extremamente simples, se for a mesma coisa. Nas ocasiões em que me sinto nada - a morte não é nada. Quando perco o mundo, aparece a terra...
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(sobre o amor)
E o amor?
O som amor...É preciso fazer a distinção entre amor e sentimento maternal, segurar. O que corresponde um pouco a uma etapa, a um momento de sobrevivência, até chegar o dia em que, tendo já passado pelo ventre de sua mãe, ele se torne Amor; para mim, o amor é a força que aquece aqueles que passam pelos teus domínios com o fim de lhes permitir atingir o estádio em que tu estás.
Seja olhado com olhar terno: é a força, uma força.
O mundo erótico é verdadeiramente estranho; e vejo que o meu corpo aí não está. É qualquer coisa de artificial, como se para atingir o orgasmo devesse ter imagens diante de si; é um instinto de morte, qualquer coisa de imaturo, como se houvesse necessidade de uma pena que passasse pelo corpo para poder; o campo do amor me vai formando como uma pessoa maternal; dantes, eu acariciava sem ter necessidade de acariciar, respondendo a um pedido; era alimentar um buraco. Estou convencida de que se um ser humano, sozinho, não pode ficar cheio, dificilmente também poderá passar a um outro plano. Se o tipo de pedido que te fazem é um pouco sádico, então nada podes fazer. As ideias...é na própria cabeça que se pensa. Senão é como pedir a uma criança que parta uma caixa já partida, e nada destrua. Na minha vida, só uma vez amei. Alguém que estava num espaço diferente, que era um espaço de energia.
Então, a sedução desaparece.