Aprender porquê e para quê? Há décadas que se discute o que esperamos do nosso sistema de ensino e se é possível melhorá-lo. Este ensaio regressa ao tema, mas a partir dos desenvolvimentos científicos que podem ajudar a educação, na área das ciências cognitivas, dos estudos estatísticos, da economia da educação e das análises comparativas internacionais. Nestas páginas, defende se um currículo ambicioso, centrado no conhecimento e não em competências vagas. Explica se a necessidade de uma avaliação válida, frequente e rigorosa e defendem se apoios aos alunos que revelam maiores dificuldades. Elogiam se os professores e a aprendizagem. Porque o amor ao saber ainda vive entre nós, é possível avançarmos para um ensino informado pela experiência, pelos dados e pela ciência.
NUNO CRATO, professor catedrático de Matemática e Estatística no Instituto Superior de Economia e Gestão, foi Ministro da Educação e Ciência no XIX Governo Constitucional (2012-2015), Pró-Reitor para a Cultura Científica da Universidade Técnica de Lisboa (2007-2011), Presidente da Comissão Executiva do Taguspark (2010-2011), Coordenador Científico do Centro FCT Cemapre (2007-2011) e Presidente da Sociedade Portuguesa de Matemática (2004-2010).
Estudou na Faculdade de Ciências de Lisboa e licenciou-se em Economia no ISEG onde obteve o grau de mestre em Métodos Matemáticos para Gestão de Empresas. Foi Diretor de Estudos e Consultoria da Norma-Açores e consultor de planeamento e de previsão económica. Doutorou-se em Matemática Aplicada nos Estados Unidos onde trabalhou como investigador e professor universitário.
É membro de várias sociedades científicas internacionais, nomeadamente da American Statistical Association e do International Institute of Forecasters. Foi Presidente do International Symposium on Forecasting em 2000. Tem trabalhos de investigação publicados em revistas internacionais da especialidade, v.g. Statistical Papers, Comp. & Operations Research, Communications in Statistics, Journal of Econometrics, Journal of Automated Reasoning e Journal of Forecasting.
Tem-se empenhado igualmente na divulgação científica, mantendo uma colaboração regular na imprensa, principalmente no semanário Expresso, onde foi autor, desde 1996, de uma coluna semanal de divulgação científica, e em vários programas de televisão, como «4xCiência», «2010» e «ABCiência», e de rádio, nomeadamente «3 minutos de ciência» na Rádio Europa.
É autor de obras de divulgação de matemática e astronomia e de livros sobre educação: «O Eduquês em Discurso Directo: Uma Crítica da Pedagogia Romântica e Construtivista» (Gradiva, 2006), tendo coordenado «Desastre no Ensino da Matemática: Como Recuperar o Tempo Perdido» (SPM/Gradiva, 2006), organizou a colectânea «Ser Professor», de textos de Rómulo de Carvalho (Gradiva, 2006), e coordenou a conferência internacional Gulbenkian de educação de 2008 «Matemática e Ensino: Questões e Soluções». Foi membro do Conselho Científico da Fundação Francisco Manuel dos Santos e coordenador do seu projeto de educação.
A Sociedade Europeia de Matemática atribuiu-lhe em 2003 o Primeiro Prémio do concurso Public Awareness of Mathematics pelo seu trabalho de divulgação. A Comissão Europeia galardoou-o com um European Science Award e foi condecorado com a Comenda da Ordem do Infante D. Henriques em 2008.
De uma arrogância insuportável, mas observações interessantes sobre o limite do currículo por competências e da aprendizagem centrada à base de experiências
Um pequeno livro muito bem escrito que, de forma bem geral (estamos a falar de uma obra de 120 páginas), consegue expor os vários problemas da Educação, apresentando teorias de como aprender e ensinar, expondo o que considera ser as fragilidades de um tipo de ensino focado em "competências gerais". Recomenda-se, mas claro que sob um olhar crítico.
Não obstante a escrita pobre, um tratamento ideologicamente enviesado da literatura sobre o tema, quase como se de uma colagem de retalhos heterogéneos se tratasse, e uma falta de profundidade no que diz respeito às reais raízes ideológicas em causa, o livro vale por tentar fazer frente a um establishment, um status quo que tem deteriorado a educação em Portugal e a ocidente. A obra serve ainda para ensaiar uma espécie de ajuste de contas com o passado governativo do autor, acompanhado de um exercício de auto endeusamento, enfabulando as opções políticas de então e omitindo as falhas e erros graves cometidos.
Com uma escrita clara, Crato mostra que o novo na educação, afinal, é antigo, e que o que se pensava ser antiquado, renova continuamente. Os argumentos alinham-se com a minha experiência no ensino universitário, onde a autonomia tem mais preponderância que no ensino secundário. E, mesmo assim, é o currículo, a avaliação e o apoio, os instrumentos essenciais para “ensinar a saber aprender a pensar com gosto” (https://medium.com/@miguel_93656/viag...)
OBRIGATÓRIA LEITURA para professores, pais e todos quantos se preocupam com a educação. Sustentada com abundantes citações e referências científicas, o autor demonstra cabalmente as necessidades educativas do nosso país. Vários gráficos ilustram bem a evolução dos alunos nos exames internacionais.
This essay, by a former ministry of education of Portugal and a former president of the Portuguese Mathematical Society, argues for the importance of an ambitious curriculum, focused on knowledge rather than vaguely defined skills. The need for valid, frequent, and rigorous assessment is explained, and support for students who show greater difficulties is defended. The essay is supported by a large number of references to the scientific literature and has a glossary where several of the terms used in the text are clearly defined and explained. Even if the positions defended are not exactly new or surprising, in Education it seems that we need to be always repeating the obvious so that bizarre and outdated educational theories are not left uncheked to cause the inevitable damage.