Com o ciclo Port Wine propôs-se Alves Redol erguer um monumento à epopeia «soberana entre as demais» dos homens do Douro que às fragas abruptas da serra arrancam o «sol engarrafado» que é o vinho do Porto. Vindima de Sangue é o terceiro e último volume desse ciclo em que se integram também Horizonte Cerrado e Os Homens e as Sombras. Como nos volumes anteriores, a vida dura, feita de heroísmo e tragédias, da gente humilde do Douro continua a constituir o tema à volta do qual se constrói este romance, que a história da literatura portuguesa há-de registar para a posterioridade como uma das obras mais conseguires do neo-realismo português.
Cedo começou a trabalhar dada a natureza modesta da sua família. Parte para Angola, aos 16 anos, procurando melhores condições de vida, regressando a Portugal três anos depois. Junta-se ao Movimento de Unidade Democrática (MUD), que se opunha ao regime do Estado Novo, e filia-se no Partido Comunista, escrevendo artigos no jornal O Diabo.
Introduziu o neo-realismo em Portugal com o romance Gaibéus (1939), nome dado aos camponeses da Beira que iam fazer a ceifa do arroz ao Ribatejo, em meados do século XX. Daí em diante sua obra revela uma grande preocupação social, velada ainda assim, dada a censura e à perseguição política movida pelo regime de Salazar aos oposicionistas, e mormente aos simpatizantes do PCP, como era o caso. Chegou mesmo a sofrer prisão política tendo sido torturado.
Seu último romance, Barranco de Cegos, de 1962, é considerado sua obra-prima e afirma sua nova fase, em que a intervenção política e social é posta em segundo plano, dando lugar a um centramento nas personagens e na sua evolução psicológica, de cariz existencial.