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Em Câmara Lenta

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Um dos relatos literários mais impactantes sobre a luta armada, a repressão e a tortura durante o regime militar no Brasil, escrito no calor da hora

Em câmara lenta nasceu, no início dos anos 1970, em uma cela no presídio Tiradentes, onde seu autor, o paraense Renato Tapajós, cumpria pena pelo envolvimento em ações de resistência à ditadura militar. Dobrado em pequenos retângulos, o romance saiu clandestinamente da cadeia. Lançado em 1977, foi apreendido e resultou numa recondução do escritor à prisão. Depois de uma segunda edição de 1979, só agora volta a ser publicado.

O romance se desenrola num brilhante fluxo de memória: o presente é de desencanto e autocrítica, e as lembranças voltam para as atividades clandestinas do grupo semidesmantelado ao qual pertence o narrador. Há outros tempos, contudo, nesse prisma literário: a recepção das notícias do golpe militar de 1964 numa cidade do interior, os conflitos violentos entre estudantes de esquerda e de direita na rua Maria Antônia, relatos da guerrilha do Araguaia e cenas de uma fuga da prisão.

O volume traz posfácio de Jayme Costa Pinto, uma entrevista com o autor, um parecer do crítico Antonio Candido utilizado nos trâmites do processo e um risível relatório do Exército, que tenta simular uma crítica literária para chegar à conclusão de que o livro é subversivo.

176 pages, Paperback

First published January 1, 1977

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Displaying 1 - 3 of 3 reviews
Profile Image for ligia maciel ferraz.
26 reviews2 followers
June 7, 2023
muito boa essa edição com posfácio, entrevista com o autor, parecer técnico do Antônio Cândido e relatório do DOI-CODI.

o livro em si é interessante principalmente pelo contexto em que foi escrito. ele é todo muito imagético, e ler agora todas essas cenas de ação, perseguição e combate que envolvem a luta armada na época da ditadura militar brasileira, já tão trabalhadas no cinema, fez com que eu já tivesse as imagens prontas, o que fez perder um pouco a graça.

a parte mais interessante é quando a reflexão em primeira pessoa, o caráter subjetivo e a autocrítica se impõem.
a ideia de repetir uma mesma cena, em câmera lenta, sempre ampliando o que houve antes e depois do que foi descrito anteriormente é também excelente. o livro foi ficando melhor à medida que foi chegando ao fim.
Profile Image for Alcides Mirabismo.
2 reviews
October 27, 2022
Essa não é uma história qualquer. É ficção frenética e fragmentada que tem a paixão suicida da luta armada como força motriz. Se fosse um filme, seria definitivamente um filme de Tarantino. Jorra sangue. Mas como num filme de Tarantino a violência nunca é gratuita. Violência e ódio viram tese. Viram causa perdida, talvez desde o começo? Pergunta que um dos próprios narradores faz. Essa é uma história para poucos. Ou talvez seja uma história para todos os latinoamericanos com senso crítico? Esse é um relato de vários narradores, de vários eventos que tomaram conta de corações, de jovens estudantes da classe média, de trabalhadores e uns poucos líderes políticos que resolveram mudar a situação das coisas e reagir ao infame Golpe Militar contra uma democracia incipiente e progressista que atendia minimamente os sonhos e anseios de milhões de brasileiros que viviam os tumultuosos anos 60. Essa é uma representação das batalhas mais quixotescas da história brasileira, salvo engano. As guerrilhas urbanas e rural. Alguns podem até chamá-las de fantasmagóricas ou pelo menos caóticas. Se o leitor ri no meio desses relatos é de desespero. Certamente o romance se encaixaria bem sobre o rótulo de literatura dos desesperados.  Essa narrativa é plural e polifônica, são representações de testemunhos que se perderam no vento e no tempo. Tudo que se disser sobre esse romance será mentira. Fica aqui o convite para que vcs confiram mais um das histórias atrozes de nossa Pátria amada. Última questão, esse romance foi escrito em meio a ditadura militar brasileira. A própria história de como o autor Renato Tapajós conseguiu criar o texto e editá-lo já daria um belo e terrível relato para os leitores desesperados.
Profile Image for mia.
144 reviews
April 4, 2025
"Me recuso a desertar, me recuso a recuar, me recuso a parar, a trair por um momento que seja essa confiança, essa herança que ela e os outros deixaram."
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