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O mau selvagem

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A partir da teoria de Jean-Jacques Rousseau sobre o mito do bom selvagem, esta é a história de um imigrante brasileiro aspirante a escritor que trabalha numa livraria em Lisboa, onde passa a ouvir os relatos sobre os feitos de um antigo funcionário, conhecido apenas por Mau Selvagem. Uma misteriosa personalidade que se recusou a cumprir o cordial papel destinado ao imigrante de “bom selvagem”, sempre grato pelo “privilégio” em usufruir da companhia do antigo colonizador, e se transformou no Mau Selvagem redentor das humilhações sofridas pelos brasileiros da livraria, antes de desaparecer sem deixar vestígios. Obcecado em saber mais sobre o destino do personagem ideal para o romance que pretende escrever, o livreiro parte numa investigação do paradeiro do antigo funcionário, nos moldes dos livros policiais da seção onde trabalha, na jornada de um exilado de um Brasil constantemente assediado pela escuridão e o atraso, um estrangeiro num país nem sempre receptivo a pensamentos e sotaques diferentes, forçado a refletir sobre as tensões cada vez mais crescente entre os imigrantes e os locais. Um bom selvagem que, página a página, começa a se questionar se o Mau Selvagem não tinha lá as suas razões.

178 pages, Paperback

Published January 1, 2024

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About the author

Álvaro Filho

8 books9 followers
Meu nome é Filho, Álvaro Filho, escritor e jornalista, autor de sete livros. Semifinalista do Prémio Oceanos com a ficção «Curso de Escrita de Romance, nível 2» e vencedor do Novos Talentos Escrita FNAC Portugal com o conto «Otelo», em 2018.

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2 stars
1 (8%)
1 star
2 (16%)
Displaying 1 - 2 of 2 reviews
Profile Image for Raphael Santos.
Author 22 books4 followers
September 1, 2025
Álvaro Filho constrói em O Mau Selvagem um romance ousado, bem escrito e provocador, que não teme cutucar sensibilidades históricas e sociais. Publicado em Portugal, o livro naturalmente incomoda certos setores conservadores – aqueles mesmos que ainda carregam a nostalgia colonial e o impulso de “catequizar” os estrangeiros como se fossem seres a corrigir. Não surpreende que boa parte das críticas mais ácidas venha de um grupo muito específico: portugueses de extrema-direita, homens e mulheres privilegiados, loiros de olhos claros, que exigem ser servidos numa tasca aos gritos de “Oh Menina, vem cá agora!”. Pisam nos seus e pisam com mais força nos estrangeiros.

Mas o romance é muito mais do que uma afronta política. O autor brinca com o gênero policial, subverte clichés do romance de detetive e nos leva por uma narrativa que oscila entre investigação, sátira e reflexão social. O narrador – também imigrante brasileiro – embarca na busca pelo “Mau Selvagem”, ex-funcionário que se tornou uma espécie de lenda urbana, lembrado entre cochichos e temores. A partir dessa investigação, a trama vai revelando não somente segredos literários, mas também as fissuras de um país que ainda se esforça para lidar com suas heranças coloniais.

O ponto alto está na forma como o autor descreve a experiência migratória: os diplomas que não valem, os empregos subalternos, o preconceito velado (e às vezes explícito) contra brasileiros que ousam não se submeter. É uma crítica certeira – e sim, há preconceito em Portugal, não de todos, mas de uma fatia barulhenta e poderosa, que Álvaro Filho expõe com precisão cirúrgica. Nesse sentido, o livro funciona tanto como espelho para os imigrantes quanto como alerta para os portugueses que desejam construir uma sociedade mais justa e acolhedora.

Ao mesmo tempo, o romance mantém um ritmo vivo, por vezes espirituoso, sem se deixar reduzir ao panfleto. O “Mau Selvagem” surge como símbolo ambíguo: entre a resistência e a violência, entre o mito e o desengano. O resultado é um livro que, além de provocar reflexão, diverte e surpreende, mas poderia ter seguido um caminho diferente em um desfecho não muito fora dos melhores romances policiais.

Em resumo: O Mau Selvagem é literatura que incomoda, diverte e denuncia. Álvaro Filho reafirma sua força narrativa ao misturar crítica social e experimentação de gênero, lembrando-nos que o romance pode ser, sim, uma arma contra os privilégios e arrogâncias ainda tão enraizados em nossa história compartilhada.
Profile Image for Filipa Teixeira.
19 reviews1 follower
November 20, 2024
A linguagem e referências são pretensiosas e não colam com a banalidade dos eventos descritos. O texto tem um único objectivo, que se repete a cada página e é muito cansativo: sublinhar que os brasileiros que migram para Portugal são uns coitadinhos mal tratados pelos maus dos portugueses que os acolhem tão mal….
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