Em 1890, quando os primeiros deputados protestantes foram eleitos ao Congresso Nacional, os evangélicos compunham 1% da população brasileira. Ao longo do século seguinte, no entanto, os congressistas ligados a igrejas se tornaram uma influente força política, paralelamente ao crescimento demográfico dos fiéis. Hoje, o braço das igrejas evangélicas no Congresso é um dos mais poderosos da política brasileira. Deputados e senadores eleitos sob a égide do Evangelho têm sido cortejados por todos os presidentes desde a Assembleia Constituinte de 1987-8. Neste livro, Rocha investiga as origens e o funcionamento da bancada evangélica, mergulhando nas histórias entrelaçadas da religião e poder.
Muita gente, principalmente jovens e adultos na faixa dos 40, deve pensar que os evangélicos começaram a aparecer na política a partir de 2016. Eu pensava assim. Imaginava, claro, que deveria ter algum irmão ou irmã envolvida na política de forma discreta, como a Marina Silva. O que não imaginava é que os caras já estavam pautando costumes na Constituição de 88. De lá pra cá, o poder dos abençoadinhos só cresceu, proporcionalmente aos escândalos de corrupção em que pastores e afins se envolvem. Ô glória! Nesse livro, André Ítalo traz o histórico da participação doa evangélicos na política, desde quando eram uma minoria proibida por lei de se envolverem, até hoje, quando querem impor suas agendas relacionadas à moral e aos bons costumes, na ótica deles. "A bancada da bíblia" expõe detalhes que não chegaram ao público por meio da mídia e escancara a relação de toma lá dá cá em prol do crescimento do protestantismo no país. Se esses caras acreditassem no que dizem sobre pecado e salvação, muitos deles não estariam na política. O livro é ótimo, mas talvez fique desatualizado rapidamente, visto que novas denominações surgem frequentemente, algumas até exclusivas para pessoas da alto poder aquisitivo, que, se quiserem entrar na política, terão ainda mais facilidade, por já terem recursos financeiros para tal. Também acho que poderia ter umas fotinhas, assim eu não ia precisar ir no Google toda hora pra ver a cara de cada arrombado que aparece no livro. Bom demais, Andrezim!