Um roteiro - guiado pelo historiador de arte Vítor Serrão - pelas obras que a pintora (1634-1684) deixou em Óbidos (e em todo o Oeste), vila que não só adoptou para residência como para assinatura dos seus trabalhos. Josefa de Ayalla Figueira nasceu em Sevilha, filha do pintor português Baltazar Gomes Figueira e de D. Catarina de Ayalla y Cabrera, irmã do pintor sevilhano Barnabé de Ayalla. No entanto, muito cedo - na sequência da proclamação da independência de Portugal - Josefa e a família mudaram a sua residência para Óbidos, onde a pintora viria a passar grande parte da sua vida. Josefa de Óbidos tornou-se num exemplo raro de uma mulher que em pleno século XVII consegue não só exercer o ofício de pintora como tornar-se conhecida pela sua obra. O seu trabalho era frequentemente solicitado para conventos e igrejas como retratista da família real.
VÍTOR SERRÃO nasceu em Toulouse, a 28 de Dezembro de 1952. Licenciou-se em História, pela Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa (1975), é Mestre em História da Arte, pela Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, com a tese O Maneirismo e o Estatuto Social dos Pintores Portugueses (1982), publicada em 1983 pela IN/CM ('Prémio Nacional José de Figueiredo da Academia Nacional de Belas-Artes') e Doutorado em História de Arte, pela Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, com a tese A Pintura Proto-Barroca em Portugal, 1612-1657 (1992). Professor Catedrático da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, onde dirige o Instituto de História da Arte. É Membro efectivo da Academia Nacional de Belas-Artes e do ICOMOS, Vice-Presidente do CICOP-Portugal. Foi Comissário das exposições Josefa de Óbidos e o tempo Barroco (catálogo de 1992: 'Prémio Nacional Gulbenkian' de História da Arte) e «A Pintura Maneirista em Portugal - Arte no Tempo de Camões» (1995). É autor de diversos livros e estudos sobre arte portuguesa do Renascimento, do Maneirismo e do Barroco. Foi condecorado pela Presidência da República com a Comenda da Ordem de Sant'Iago da Espada, em 2008.