O mundo, tal qual conhecemos, não mais existe. Há apenas um homem diante de uma assombrosa descoberta, enveredando-se na intrigante busca pelo conhecimento. Um sujeito solitário, desenraigado e oprimido por sua condição este é o Homem Pós-Histórico.
"(...) Sem dificuldades, ele deduz que coisas inanimadas não lhe podem dizer como se chamam, então, ele seria obrigado a dar-lhe nomes convenientes. Dá um nome às pedras, mas são tantas espalhadas pelo caminho que ele percebe que não pode dar nome diferente a cada uma delas, precisava de um título genérico, que servisse para designar todas, independentemente do formato, posição espacial e tamanho. Estabelece a primeira regra de aposição de para objetos, ele pode conceber um nome coletivo, como para pedras, árvores, montes, rios, flores, nuvens, animais, etc. Porém, ele não pode chamar a Mulher de qualquer coisa, pois ela é especial, individual, ela tem de ter um nome só dela, pelo qual nenhuma outra mulher no mundo, caso haja outra, possa ser chamada. (...)"
Henry Alfred Bugalho is a Brazilian writer, editor and translator. B.A. in Philosophy and post-graduation studies in Literature and History. Currently he is the editor of Revista SAMIZDAT, a literary magazine that publishes Brazilian and Portuguese authors, and is an accomplished independent travel writer in South America. Three of his novels and one novella were published in Brazil to this date. His work has appeared in American and Brazilian journals and anthologies. With a gypsy lifestyle, he's been moving from country to country in the past 8 years. He is currently living in Lisbon, Portugal.
O conto que dá nome ao livro e que é, por sua vez, o mais longo, começa forte mas logo se perde e tem um final bem pouco satisfatório. Quando digo final pouco satisfatório, não me refiro ao fato de ser um final em aberto, pois sou particularmente adepta desses e tendo a gostar deles, mas por chegar ao ponto mais alto da história e imediatamente se encerrar de maneira apressada e monótona. Também me incomodou o fato do personagem "pré-histórico" apreender com facilidade certos conceitos e palavras complexos que pessoas nascidas e criadas em uma civilização como a nossa, dotadas a vida inteira da comunicação, ainda sofrem para entender. Sinto que teria acrescentado muito à história podermos acompanhar o crescimento dele na linguagem e na filosofia de modo mais detalhado e até mesmo mais lento.
A escrita de Bugalho aqui (não conheço seus outros trabalhos) não é ruim, tampouco é boa. Os outros contos do livro são bem lugar-comum da ficção científica e pouco interessantes, com exceção de um que achei realmente ótimo, o da anomalia espaço-temporal em uma nave prestes a explodir. Fiquei feliz de ler esse em particular e provavelmente me lembrarei dele; não posso dizer o mesmo sobre os outros.