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Cascalho

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É o grande romance da região diamantífera.

Nessa obra-prima de nossas letras, Herberto Sales narra, com verdade humana e grandeza artística, os dramas do garimpo.

O crítico paulista Sérgio Milliet, além de destacar a importância desse livro no quadro da ficção nacional, ressalta que Cascalho "é uma importante contribuição ao estudo do vocabulário e da sintaxe de toda uma região brasileira".

Fonte: Contra-capa do livro.

291 pages, Unknown Binding

First published January 1, 1944

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About the author

Herberto Sales

52 books10 followers
Herberto Sales (Herberto de Azevedo Sales), jornalista, contista, romancista e memorialista, nasceu em Andaraí, BA, em 21 de setembro de 1917. Faleceu no dia 13 de agosto de 1999, no Rio de Janeiro.

Filho de Heráclito Sousa Sales e Aurora de Azevedo Sales. Fez o curso primário em sua cidade natal, e o curso ginasial (abandonado no 5º ano) em Salvador, no colégio Antônio Vieira, dos jesuítas. O professor Agenor Almeida descobriu-lhe, numa prova, a vocação literária, chamando para isso a atenção do padre Cabral, que por sua vez foi o descobridor, alguns anos antes, no mesmo colégio, da vocação literária de Jorge Amado. Abandonados os estudos, voltou para Andaraí, onde viveu até 1948. Com a publicação, em 1944, de Cascalho, seu romance de estreia, projetou de impacto o seu nome nos meios literários do país. No Rio de Janeiro, para onde então se transferiu e residiu até 1974, foi jornalista militante, com atividade nos Diários Associados, de Assis Chateaubriand, na área da revista O Cruzeiro, da qual foi assistente de redação, na melhor fase desse famoso órgão da imprensa brasileira. Exerceu o cargo de diretor de outras unidades da mesma empresa, inclusive de sua editora de livros. Em 1974 mudou-se para Brasília, onde foi por dez anos diretor do Instituto Nacional do Livro, e, por um ano, assessor da Presidência da República, sob José Sarney. A partir de 1986, por quatro anos, residiu em Paris, servindo como adido cultural à Embaixada brasileira. Regressando ao Brasil, fixou residência em São Pedro da Aldeia, onde levou vida isolada, de autoexílio, o que deu motivo a ser chamado, em artigo de Josué Montello, “O Solitário de São Pedro da Aldeia”. Foi casado com Maria Juraci Xavier Chamusca Sales e com ela teve três filhos: Heloísa, Heitor e Herberto.

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Displaying 1 - 4 of 4 reviews
Profile Image for Daniel Berça.
51 reviews4 followers
October 16, 2022
Se não fosse por Aurélio Buarque de Holanda e Marques Rebelo, hoje não teríamos a oportunidade de ler Cascalho, o excelente livro de estreia do escritor baiano Herberto Sales. A história é conhecida: o livro foi enviado para um concurso da "Revista do Brasil". Herberto achou que seu livro não prestava e queimou sua única cópia. Aurélio que era secretário da revista, guardou o original enviado ao concurso, por seu interesse nos vocábulos regionais. Quando comentou com Marques Rebelo sobre o livro, descobriu que este correspondia-se com o jovem autor. Herberto escreveu a Rebelo dizendo que tinha queimado o livro e foi surpreendido com a notícia de que o original estava com Aurélio. Em 1944, Marques Rebelo ajuda a publicar o romance pela Editora Cruzeiro. Em 1951, Herberto praticamente reescreveu o livro todo reduzindo-o de 650 páginas para a metade.

Cascalho não tem um protagonista único que acompanhamos do início ao fim do livro. Ou melhor, tem, mas não é uma pessoa e sim o lugar, a região diamantífera em torno da cidade de Andaraí. Dividido em quatro partes, acompanhamos a vida e os conflitos de garimpeiros, donos de garimpo, coronéis, capangueiros, promotores e mulheres-damas.

O livro é regionalista sim, com muitas palavras que à primeira vista — para um paulista de cidade que nunca viu um garimpo — nos causam estranheza. Mas é como se fôssemos um personagem a mais no livro, recém-chegado em um ambiente promissor de muitas riquezas, mas ao mesmo tempo hostil. Por isso, não procurei no dicionário cada palavra diferente e fui me deixando adaptar, me envolver e logo algumas palavras passaram a fazer sentido.

O livro também tem denúncia social. O autor até precisou sair de sua cidade, após sofrer ameaças. Mas não se reduz a isso, não é um panfleto. A boa obra consegue retratar o particular ao mesmo tempo que expressa uma experiência universal. Os conflitos que são retratados ali são próprios de uma época e de uma estrutura social, ao mesmo que também fazem parte da própria história humana: exploração, maldade, ambição, ilusão e desilusão.

Apesar de toda essa hostilidade, o tom não é de um pessimismo sombrio, mas repleto de uma beleza poética própria de um memorialista aliada a uma ironia sutil que torna a leitura muito agradável.

Herberto de Azevedo Sales nasceu em Andaraí-BA, em 1917. Foi escritor, jornalista, diretor do Instituto Nacional do Livro e assessor da Presidência durante o governo Sarney. A partir de 1986, residiu por quatro anos em Paris, como adido cultural na Embaixada brasileira. Faleceu em 1999, no Rio de Janeiro.

https://www.instagram.com/p/CjwQC1Ct92w/?utm_source=ig_web_copy_link
Profile Image for Rodolfo Pires.
7 reviews
February 19, 2020
Olavo de Carvalho não mentiu: Herberto Sales é um escritor de habilidade ímpar com o vernáculo. De fato, ler o romance regionalista de estreia do bahiano Herberto Sales foi,em poucas palavras, uma experiência de paciência e encantamento contínuos. Nós habitantes do século XXI, ansiosos e impacientes, temos pouca atenção e pressa em demasia, em especial para com leituras longas e estilisticamente mais artesanais como a que ora comento. Embora pouco conhecedor da Literatura Brasileira ---li apenas alguns poucos textos de Gregório de Matos, Alencar, Drummond e Machado--- encontrei nesta primeira experiência integral uma amostra pujante do inequívoco valor de nossa literatura. Ciente tanto da riqueza linguistica como da habilidade literária de Sales em seu profundo trabalho de pesquisa e documentação da oralidade de uma região do nordeste Brasileiro, adentrei as brenhas de seu romance disposto a absorver um pouco de sua expertise, sua verve. Regionalismos, causos e diálogos dos mais diversos eclodem profusamente em todas as páginas, sempre crivados de vocabulário local e naturalidade incomparáveis. Não foram poucos os trechos destacados, sempre construídos de forma magistral, inesperada, incomum.Das serras e grunas do Andaraí, das cabeças d’agua do Paraguaçu e da mata verde e cheiro acre das Lavras nasce, incessantemente, uma criatividade perene que perpassa os homens em suas dores e alegrias. O leitor, tomado de assalto pela dureza vivida por essa procissão de almas que povoa o garimpo, sente na garganta o nó fruto das injustiças e misérias cometidas e sofridas por esses esfarrapados, das trivialidades, da rotina, do “ethos” desses homens que estão sempre a cavar, mas cujo fruto é, quase invariavelmente, desesperança e dissolução. Sales descortina facetas do gênero humano com uma práxis linguística única, criando "streams of consciousness" e diálogos memoráveis, tornando impraticável exprimir seu valor neste curtíssimo relato. Sendo assim, que Sales fale por Sales: “Não tardou a escurecer. Os pássaros empoleiraram-se nos galhos das gameleiras, acendeu-se o fogo nos ranchos, e a serra mergulhou nas sombras como um mundo que fosse gradualmente desaparecendo.”
Profile Image for Cicero Marra.
355 reviews23 followers
September 29, 2018
Impossível não compará-lo com "Cangaceiros" ou "Fogo Morto" do José Lins do Rego. Mas, em alguns aspectos, "Cascalho" é até melhor: mais engraçado, às vezes tenso e com diálogos mais vivos. Por outro lado, é meio bagunçado, sem pé nem cabeça. Mas talvez seja a impressão que eu tive do arquivo podre em pdf que eu li.
Profile Image for Marcelo Tempes.
138 reviews
March 1, 2021
- Você não compreende, Oscar... - disse. Sentou-se e acrescentou: - Eu sou contar os ricos, mas isso não quer dizer que eu tome partido dos pobres. Para mim uns e outros são iguais. Que é um homem rico senão um homem pobre com dinheiro?
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