O título, tão sugestivo e poético, esconde uma ameaça terrível. Certa manhã, ao acordar, Ignácio de Loyola Brandão encaminha-se para a cozinha, quando o "corredor balançou como um navio". Sem se abalar, resolve conviver com o problema. Tonturas, quem não as tem? O autodiagnóstico indicava uma labirintite inocente. Para que se preocupar? Meses depois, o escritor encontra-se a caminho do centro cirúrgico de um hospital, para uma "cirurgia brutal", a trepanação.
Ou seja, os médicos iam lhe abrir a cabeça. Era portador de um aneurisma cerebral (que os médicos chamam pelo dançante nome de veia bailarina), "uma granada dentro de minha cabeça, que podia explodir a qualquer momento". Por sorte, a granada fora diagnosticada a tempo. Se explodisse, ia deixá-lo inválido, um vegetal. Enquanto aguarda a operação, mais ou menos como o náufrago que está se afogando, o escritor dá um balanço em sua vida; a ameaça do aneurisma, a ansiedade se misturam a velhas perplexidades, revê situações, amigos, como num cineminha particular, reflete, indaga a si mesmo.
Como observa Deonísio da Silva, "Veia Bailarina é um livro sobre a dor, o medo, as nossas perdas de cada dia, as do varejo, e aquelas acumuladas ao longo da vida, no atacado". Mas, em nenhum momento, felizmente, o escritor sucumbe à tentação de se lamuriar. A situação é inquietante, dramática, mas o tom é suave, bem-humorado, por vezes sarcástico. Após o êxito da operação e a recuperação, com o prazer de se constatar vivo e saudável, o escritor extrai de toda aquela amarga experiência uma lição elementar. Tinha de recomeçar. Viver a sua vida, com o que ela tem "de bom e ruim, com alegrias e inquietações, sofrimento e felicidade, encargos, chatices, encontros e desencontros". A redescoberta da vida.
Ignacio de Loyola Brandao (born 1936 in Araraquara in São Paulo) began his career writing film reviews and went on to work for one of the principal newspapers in São Paulo. Initially banned in Brazil, his novel Zero went on to win the prestigious Brasilia Prize and become a controversial bestseller. Brandão is the author of more than a half-dozen works of fiction, including Zero, Teeth Under the Sun, and Angel of Death, all of which are available or forthcoming from Dalkey Archive. In his career he has won the Prêmio Jabuti, the most important literary prize in Brazil.
Ainda me emputeço ao pensar que esse foi o mesmo escritor que escreveu Zero, uma obra que consegue dizer muito sem necessitar ser pedante. Em conteúdo, algumas coisas desse livro se aproveitam, mas em forma não se aproveita quase nada. Uma pena
Livro com altos e baixos. Começa interessante e cai numa chatice referindo-se o tempo todo a suas obras anteriores, como se o leitor conhecesse suas outras obras. Também tem um ego imenso. Quando eu estava quase desistindo de ler, as coisas melhoraram, para ele e para sua escrita.
Um tanto decepcionante depois de ler Jill Bolte Taylor. Esperava uma abordagem mais interessante mesclando as nuances da experiência pessoal com o conteúdo formal da medicina envolvida no processo.