Quais as relações entre o pensamento de Freud e o de seus sucessores? Responder a essa pergunta significa escrever uma história da psicanálise, tarefa que pressupõe o domínio dos conceitos da disciplina e o conhecimento de sua cronologia. Eis o desafio a que Renato Mezan tem se dedicado ao longo de mais de trinta anos. Este livro reconstitui a tradição dos estudos de psicanálise. O autor analisa não só textos fundamentais de Freud e cartas trocadas por ele com Ferenczi, Abraham, Jung, Fliess, mas também desdobramentos do tronco freudiano, autores centrais como Winnicott, Melanie Klein, Bion e Lacan - todos apreendidos junto de vasta bibliografia. Interessado em esclarecer os vínculos entre as diversas escolas de psicanálise e as descobertas de Freud, o autor adota uma perspectiva histórica capaz de reunir e constituir conhecimento, diferenciando-se dos partidarismos que tomam determinada corrente como verdade absoluta, com as consequências de dogmatismo e intolerância. Atento à história e à atualidade, o autor vê lugar para a psiquiatria moderna e também para os métodos clínicos baseados na herança de Freud: se certos transtornos podem ser aliviados por meios químicos, a psicanálise é útil para se compreender a vida psíquica, o sentido daquilo que os meios químicos ajudam a controlar. Por meio de um texto denso e fluente, Mezan partilha com o leitor comum, estudantes e especialistas seu fascínio por Freud e pela história da psicanálise, movendo-se por um olhar generoso aos problemas humanos, históricos e contemporâneos. Com erudição e clareza de sobra, este livro transforma a jornada pela história da psicanálise numa viagem pela cultura ocidental, num percurso que evidencia o protagonismo de Renato Mezan no panorama do ensaísmo brasileiro.
Renato Mezan convida o leitor a percorrer a obra freudiana conseguindo mostrar toda a atualidade e rigor do inventor da psicanálise e o percurso que consolidou as bases dessa prática clínica. Entendemos com o livro não apenas a relação entre as diferentes escolas psicanalíticas, como também o vínculo delas com Freud e da própria psicanálise com o universo da ciência, tanto quanto como ela se insere na denominada 'querela dos métodos'. Nessa aprendizagem, há, portanto, elementos para se acompanhar a discussão acerca do valor científico da psicanálise e o quanto ela é ainda hoje importante, não devendo ser negligenciada.
“No que se pode verificar que a regressão foi de fato reparadora? A resposta tem a ver com o que Ferenczi julga ser o objetivo do tratamento: se o indivíduo se tornou capaz de aceitar a cota de desprazer que a vida impõe a todos nós, e de “buscar a felicidade lá onde ela é possível”, isto é, no convívio com outros seres humanos".