«Muitos dos adolescentes que viveram a revolução vão ficar para sempre marcados. Foram convencidos da bondade de certos valores e, na reviravolta de um dia, dizem-lhes que, afinal, nada daquilo era certo e que devem seguir o oposto do que lhes havia sido ensinado.»
Inspirado em acontecimentos reais, este romance revela um país em convulsão, onde se agitam movimentos golpistas e espionagem internacional.
Por entre as ondas de choque da revolução, duas mulheres têm de reinventar o seu caminho. Cristiana enfrenta o fim trágico do seu casamento e o rapto de dois dos filhos. A filha adolescente, Drina, vê abrir-se à sua volta um mundo de permissividade e incerteza.
Determinadas e unidas no amor, vão trocar as voltas ao destino, cada uma à sua maneira...
“Liberdade”, escrito por Paula Lobato de Faria, é o terceiro volume de uma trilogia que acompanha a vida de uma família no tempo da ditadura Salazarista em Portugal. Neste novo livro, seguimos a vida das personagens após o 25 de abril de 1974.
Confesso que foi pouquíssimo tempo antes de o começar a ler que me apercebi que se tratava de uma continuação, mas garanto que não me impediu de gostar bastante deste livro. Ao longo da leitura fui deparando com algumas referências do passado desta família, portanto foi possível ter algum contexto para determinados acontecimentos desta narrativa.
"Liberdade", por retratar o que era Portugal após a revolução, suscitou-me desde o início muita curiosidade. É uma temática que quero explorar muito na literatura e, por isso, considero que comecei muito bem com este livro.
É uma obra que tem algumas camadas devido às personagens que nela entram e às suas histórias que se acabam por interligar, contendo já um passado. Nessa medida, somos confrontados com algumas dimensões no que foi o contexto social e político depois de anos numa ditadura.
Um livro com uma boa escrita e que conseguiu captar a minha atenção até ao fim. Só tenho pena de não ter sido mais extenso.
Paula Lobato de Faria tem com Liberdade o seu terceiro romance, num trio de narrativas onde se incluem Imaculada e Tundavala com mulheres como tema central na altura do Estado Novo, com a Revolução dos Cravos a 25 de Abril de 1974. Numa época conturbada e de mudanças no país, conhecemos Cristiana e a sua filha Drina e os homens que as rodearam num caminho onde a emancipação da mulher, a libertação sexual e o uso de drogas começaram a dar vários passos lado a lado com as conspirações políticas num país onde costumes e valores começaram a ser quebrados a favor da libertação pessoal de cada um. Recordando um período memóravel de Portugal, Paula Lobato de Faria conta assim a história de Cristiana que apaixonada fora do casamento fica sem os filhos como modo de víngança do seu marido trocado. Ao mesmo tempo tem do seu lado a filha Drina que começa a conhecer os prazeres da liberdade na adolescência que leva a extremos para não se redimir de nada. Ambas apaixonadas, ambas mulheres livres, Cristiana e Drina são o exemplo da opressão mantida durante décadas que ao terminar de forma repentina provocou um grande turbilhão na vida de famílias até ai mais conservadoras onde o regime era imposto a todo o momento. Real, inspirador, com um pouco de História e com um pitadas de comentários pessoais, Liberdade é o finalizar de uma trilogia de romances onde a autora foi ao passado para relatar as mudanças que o país viveu quando «um dia tudo muda» e o grito pela Liberdade tão ansiada por todos foi dado.
Terceiro livro de uma saga familiar passada entre Angola e Portugal no pré e pós 25 de Abril , onde as mulheres são o tema central e que me levou à minha adolescência. Gostei muito
O mais recente livro de Paula Lobato de Faria, Liberdade é o culminar da história de uma família que teve início com o romance Imaculada. Depois de ter acompanhado a saga desta família em plena ditadura em Tundavala, eis que o tão esperado desfecho acontece com a queda do regime e os inesperados acontecimentos que surgiram pós 25 de abril.
Viúva e com uma filha pequena para criar Cristiana descobre o amor ao lado de um homem rico e proprietário de um hotel. Com ele restabelece vida e tem mais dois filhos, todos diferentes entre si. Drina, a filha do anterior casamento mostra-se uma mulher combativa, guerreira e contra a ditadura. Isso vai causar-lhe dissabores porque não se coloca do lado dos comunistas, mas ainda de uma fação mais radical. Os relatos do que passaria às mãos da PIDE são deveras chocantes, mas infelizmente foi mesmo isso que os opositores passavam na realidade.
Apesar dos ideais da jovem em busca pela liberdade não foi uma personagem de que gostasse particularmente. Tudo o que é radical acaba por passar dos limites do bom senso e abandonar a filha pelo bem do partido é uma coisa que não me cabe na cabeça. Os irmãos, por seu lado também não se tornam melhores. Um completamente imbecil, que tem medo de tudo, refugiando-se nas drogas. A irmã do meio é o que se pode chamar de burguesa e não consegue lidar com a mudança que está pronta para chegar.
Não gostei de nenhuma das personagens, mas isso não significa que não gostasse do livro. Está muito bem escrito, com relatos históricos impressionantes, que nos colocam a pensar sobre os variados pontos de vista: quer dos fascistas, dos retornados, dos comunistas e dos radicais. Gostei muito.