Ariadne sempre sonhou em estudar na Academia Rosazul, a melhor escola de magia de Lemúria, mesmo sabendo que bruxas muitas vezes são convocadas para lutar em guerras em nome da Coroa. Uma vez aceita como bolsista, ela sabia que encontraria hostilidade por parte de suas colegas mais ricas, mas o que não esperava encontrar era amor. Lia também é uma estudante bolsista vinda de um longínquo e gelado reino ao norte, uma região historicamente inimiga de Lemúria. Quando a guerra entre os dois reinos finalmente estoura, o amor entre Ariadne e Lia será colocado à prova de todas as maneiras possíveis. Poderia esse amor florescer em tempos tão sombrios e violentos?
Em Rosazul: Academia de Magia Para Garotas, Roberto Fideli mescla diferentes gêneros literários para contar uma história profunda sobre amizade, sonhos, amor, amadurecimento e lealdade.
Eu sempre tento ler as histórias que o Roberto Fideli escreve (nem sempre eu consigo, porque ele escreve muuuuita coisa). Mas quando peguei para ler 'Rosazul: academia de magia para garotas' me surpreendi, talvez por ter ouvido falar muito sobre este romance ao longo dos anos - sendo chamado de "livro das bruxinhas" - eu estava esperando algo mais simples, infanto-juvenil, quase bobinho. O que eu recebi foi praticamente um estudo sobre o impacto da guerra, que eu diria ser o ponto principal desta história. Muito se fala sobre a guerra em livros, filmes, séries, jogos e por aí vai, mas poucas vezes eu vi um retrato que eu considero realista do que é uma guerra e de como influencia quem vai e quem sobrevive a uma (e claro, fazendo o disclaimer de que eu nunca fui a uma). Mas aqui eu senti que foi bem na linha do que acredito ser a versão literária da mente de uma pessoa que viu um pouquinho desse horror. No início da história, vemos Ariadne idealizando os seus poderes e seus feitos em uma possível guerra. No final da história a vemos quebrada e traumatizada com o que presenciou e teve de fazer em uma guerra real. Nesse quesito, não tenho do que reclamar, algumas cenas da guerras são as melhores partes do livro. Entretanto, 'Rosazul: academia de magia para garotas' não é um livro perfeito. Eu gosto muito de histórias de fantasia e quando falamos de histórias assim, uma coisa é clara: nem tudo está claro ao leitor. O autor precisa explicar as regras internas daquele universo, e acho que aqui poderia haver mais desenvolvimento. Sendo uma história que inclui uma escola, é a chance de mostrar ao leitor como a magia funciona - e acho que essa chance foi desperdiçada em parte (talvez por uma questão de espaço, considerando que o livro já é relativamente grande). O leitor passa quatro anos na escola com elas e quase não vemos conceitos básicos que as personagens aprendem. Sinto que isso fez falta para que a magia não fosse um conceito genérico de "a magia" sendo usado para tudo. Outro ponto que senti falta, e aí é algo pessoal, foi uma descrição maior do universo. Eu, como leitor, gosto de descrições em histórias de fantasia, pois não pode-se supor que as coisas são como no mundo real. Não é necessário explicar e descrever como é uma floresta, mas nem mesmo a escola de magia? Uma descrição breve seria o suficiente para situar o leitor: paredes são de alvenaria ou de pedra? As escadas se movem? As rosas azuis são normais ou elas, sei lá, cantam? Tem muito espaço para brincar aqui e sinto que poderia ter sido mais bem explorado também. Por fim, as personagens: gosto de muitas das personagens que vemos em 'Rosazul: academia de magia para garotas'. Ariadne, Lia, Diretora Úrsula e Isis são minhas favoritas. Acho que as demais personagens poderiam se beneficiar de mais espaço de desenvolvimento. Apesar de vermos sempre elas, estarem sempre sendo citadas, sinto que não as conheci de verdade. Talvez tenha faltado uma grande cena com elas brincando e bebendo, para garantir que suas personalidades únicas ficassem clarase expostas pra gente. Apesar de ser um livro grande, é difícil dizer que acho que este romance precisava de mais espaço de respiro. Eu gostei muito do resultado final de 'Rosazul: academia de magia para garotas'. Me diverti bastante lendo e acho que esta obra mostra o potencial gigantesco do Roberto Fideli como escritor. Aguardo ansioso por suas próximas obras.
Acompanhei notícias da escrita do romance por meio da newsletter do Roberto. Foi uma alegria poder receber o livro em casa e fruir da beleza dele na arte da capa e das partes. Gostei muito de acompanhar as personagens da história, elas são o destaque maior da minha admiração pelo romance, suas contradições e dificuldades tornam elas muito críveis e me identifiquei bastante com uma personagem que parece não se encaixar naquela realidade, sofre por isso, mas é acolhida pelos adultos e por pessoas que não se importam de onde ela veio. De fato, o livro muda bastante de tom da primeira metade para a segunda, mas senti um pouco de falta de conhecer melhor o pano de fundo da história, o que motiva a guerra não fica muito claro, apesar de que guerras me parecerem sempre ilógicas, e a geografia desse mundo, ainda que explicada no começo ia ganhar bastante com um mapa, ou uma exploração maior das idas e vindas das pessoas. Mas adorei a reviravolta do final, a maneira como quase acontece alguma coisa, mas ufa, não acontece. Enfim, sempre muito bom ler o Roberto, na expectativa e torcida pelo próximo texto.
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Eu sempre disse que gostei de tudo que li do Roberto até hoje, Felizmente, Rosazul NÃO é excessão à essa regra.
O livro não é o que eu estava esperando. Na verdade, eu não sei bem o que esperava antes de começar a ler, só sabia que era "o livro das Bruxinhas do Roberto", e isso já era motivo mais do que suficiente.
Seja na primeira parte, quase um "cozy fantasy", ou na segunda metade onde o peso do mundo toma conta da história de maneira brusca e arrebatadora, mas nunca de maneira errada, tudo parece se encaixar bem direitinho. Eu já estava gostando bastante do começo, mas não consegui largar esse livro depois da metade.
A história de Ariadne e Lia, e de todas as outras que permeiam, é linda demais. Elas podem ter saído da cabeça do Roberto, mas agora têm um espacinho especial no meu coração, e eu espero que no de muitas outras pessoas também.
A obra nos apresenta um mundo fictício onde a magia existe, e pessoas com dotes mágicos podem estudar em instituições especializadas. Depois de formadas, porém, o governo pode recrutá-las como soldados em conflitos armados. Roberto Fideli dedica boa parte do livro à construção dos personagens, suas relações entre si e com o mundo. Desde o início sabemos que a guerra se aproxima; ainda assim, quando ela finalmente chega, tudo o que queremos é que nunca tivesse acontecido. É aí que a obra se torna especialmente instigante. Em muitas narrativas fantásticas, a guerra é tratada como algo grandioso ou empolgante. Fideli, por outro lado, recusa esse olhar heroico: ele não usa a guerra para nos animar, nem para nos fazer torcer por um lado específico. Aqui, o conflito é narrado exclusivamente a partir da perspectiva de quem sofre suas consequências, pessoas convocadas a contragosto e civis que nada têm a ganhar com aquilo tudo. Não existe uma guerra entre heróis e vilões, mas um confronto movido pelos interesses das elites de duas nações. Não há mortes gloriosas por uma causa maior, apenas perdas tristes e fúteis. Quem morre está preso a um conflito do qual quase ninguém se beneficia, e os poucos que se beneficiam não estão no campo de batalha. Fideli consegue transmitir esse peso porque não abre mão de desenvolver seus personagens, de dar a eles histórias, romances, vontades próprias. Rosazul é muitas coisas; entre elas, é uma narrativa sobre pessoas, e sobre as consequências que elas são obrigadas a enfrentar quando a guerra se impõe sobre suas vidas.
Terminei na força do ódio. Não sou de abandonar leituras, mas essa testou meus princípios. Sempre insisto na esperança de que a história possa melhorar, mas essa obra tem mais de 400 páginas e só piora. As personagens são mal construídas e não me despertaram nenhum interesse. O mundo poderia ter sido mais interessante se o autor soubesse como trabalhá-lo, mas não é o caso. A narrativa é disfuncional e se divide entre passagens morosas de interações desinteressantes entre as personagens e outros momentos em que os acontecimentos exteriores são narrados de forma vertiginosa, sem que o leitor tenha tempo para assimilá-los e refletir sobre eles. Não consegui enxergar um foco na condução da história - o autor apostou no freestyle e desejou boa sorte ao leitor que quisesse encontrar algum sentido. Para piorar, novas personagens e um arco completamente inesperado (e desnecessário) surgem na reta final da história, só para irritar o leitor mais exigente. O autor quebrou todas as regras do storytelling ao escrever esse livro, e o resultado não poderia ser outro.