Ficção brasileira contemporânea, de Karl Erik Schøllhammer, aborda a produção ficcional no Brasil das últimas três décadas até chegar à produção recente, que tem sido chamada de “Geração 00”. Como fruto da análise, o autor levanta várias questões pertinentes para a compreensão das mudanças pelas quais a literatura brasileira passa já há alguns anos.
Bernardo Carvalho, Rubem Fonseca, Nélida Piñon, Milton Hatoum, Luiz Ruffato, Adriana Lisboa, João Gilberto Noll, André Sant’Ana, Silviano Santiago e Cristóvão Tezza tiveram sua obras estudadas pelo autor. O livro faz parte da Coleção Contemporânea, organizada por Evando Nascimento.
“A tentativa aqui será flagrar o que acontece de significativo na ficção brasileira atual, de maneira a enxergar as continuidades e, principalmente, as rupturas produzidas pelos escritores contemporâneos”, explica Karl Erik Schøllhammer.
O conceito de contemporaneidade é alvo de reflexão e comparado com termos recorrentes associados ao seu significado, como presente, moderno, pós-moderno, entre outros. O autor analisa de forma conjunta e individual as diversas obras de ficção e as contextualiza com a realidade brasileira. A inserção destas obras no mundo globalizado também é pensada pelo crítico literário.
Outra contribuição para o debate sobre as inovações da atual literatura brasileira são as reflexões sobre os estilos mais utilizados nos últimos anos, como o naturalismo, o hiper-realismo, o miniconto, e seus principais expoentes. Com estes escritos, o autor acredita que a obra possa servir de referência nos estudos críticos literários realizados no Brasil.
O livro começa bem, tem algumas definições de literatura contemporânea bem interessantes, mas quando parte para a análise dos livros em si, meu desgosto foi crescente, primeiro pelas escolhas, ignorando importantes escritores brasileiros, e segundo pela forma que procedeu nas análises, algumas rasas, outras francamente enviesadas. Eu acho que o livro perdeu uma boa oportunidade de oferecer um panorama mais esmiuiçado e comparativo.
Incontornável referência para se compreender as tendências da prosa brasileira contemporânea. Tem momentos muito lúcidos como a constância - mesmo que não dita - da análise das obras a partir da quebra da representação clássica e o giro ao performático.
Em outros, chega a definições estranhas (trabalhar com literatura contemporânea tem disso) e já defasadas. Nesse sentido, em diversos momentos o autor se pergunta, "o que esses autores tem em comum?" e a resposta é muito mais óbvia do que parece: a maioria esmagadora dos nomes citados são de escritores brancos, desconsiderando quase por completo o recorte de raça - seja como tema seja como politica literária - que se tornou onipresente no discurso literário dessa primeira metade do século XXi.
Apesar dos pesares, é um livro que deve ser lido por qualquer um que se interessa pelo tema.