Uma octogenária em fim de vida recebe a visita de um padre aposentado, para a última confissão, e ambos revisitam o passado na esperança de exorcizarem demónios de consciência. Cinquenta anos antes, a mulher fora denunciada à PIDE por um bufo que depois desapareceu sem deixar rasto juntamente com o agente enviado para investigar a denúncia. Mas o demónio de consciência mais antigo nascera anos antes, dos escombros da Segunda Guerra Mundial, nas ruínas de um coração.
Become a Patron! -- O autor só fala de si mesmo na terceira pessoa quando tem de falar do autor ou, é claro, quando pratica a extraordinária arte da feitiçaria imaginativa — há quem lhe chame Escrita. Se houvesse na minha vida lugar para gatos, teria dois e um seria um Gremlin disfarçado. Tenho um furão e uma hiena — ambos imaginários. -- The author only speaks of himself in the third person when he has to speak about the author or, of course, when he conjures the extraordinary art of imaginative sorcery—some call it Writing. If there was any place for cats in my life, I would have two and one of them would be a Gremlin in disguise. I have a ferret and a hyena—both imaginary.
Uma história da História! A Pide. Um tormento. Torturas e amarguras. É preciso relembrar,reflectir e lutar. Por causa do país. Esmeralda e a vida negra. Salvar e ajudar... Assassínios. Morte. Terra fria!!! Gentes e agentes = Confusão. Pontas,teias e laços. Enredo com pormenores,encantos e recantos. Romance histórico com personagens densas,muito fortes! Sentimentos e atitudes com sabor a lealdade. Pessoas da terra. Saborosas porque genuínas Verdade! Beleza... Sobre a crueldade que nos comove E a esperança que nos move... Fundamentada?
Uma vez que a leitura conjunta já está a terminar, já posso escrever a minha opinião. Ainda bem que aceitei a proposta do Fiacha para participar na leitura conjunta desta obra, no grupo do Facebook: Cantinho do Corvo Fiacha. E só tenho a agradecer ao Fiacha por me ter dado a oportunidade de ter e ler esta história. Obrigada =) E obrigada também ao autor por me a ter enviado e por tê-la escrito.
É importante haver obras literárias que narrem acontecimentos deste período do país. É importante dar a conhecer os tormentos e as torturas que aconteceram às pessoas nas mãos da Pide e do regime. É um dever de todos nós ajudar este género de narrativas a vingar e serem conhecidas do público, pois este é um tema, um contexto, verídico e que não pode ser esquecido. Não pode cair no esquecimento, antes ser lembrado e relembrado, tanto para não deixar cair no esquecimento as amarguras de quem sofreu, bem como para não permitir que volte a acontecer. Há partes da História que não devem ter retorno e estes episódios são algumas dessas partes. Os acontecimentos desses anos, principalmente a nível europeu, não podem ser esquecidos para que não voltem de novo. Há que lutar sempre.
Antes de refletir mais sobre este tema, quero abordar um bocadinho o enredo. Terra Fria conta-nos a história de uma mulher que, quando está para morrer, decide confessar-se. Essa confissão remete para a época da ditadura e para a vida atribulada de Esmeralda. Depois de perder o marido na tentativa de fuga para a França em busca de uma vida melhor para si e para os seus, Esmeralda vê-se com uma filha bebé. Além disso, ajuda a salvar e a esconder um homem, ele próprio da Pide, que matara um agente da Pide e atacara outros, devido ao assassínio do seu irmão por estes. Esmeralda acolhe Silvério e passam alguns anos. Ao passarem alguns anos, Minda, a filha de Esmeralda, torna-se uma jovem que tem como pretendente Simão. No entanto tem em Amaro, um bufo, um suposto interessado nela que lhe faz a vida negra. Depois de uma grande confusão, a pacata vida na aldeia vê-se alterada pela chegada de um agente da Pide. Mais tarde aparecem mais e a confusão instala-se. Não quero estar a contar muitos pormenores pois não é meu intento spoilar os leitores. Por isso, para saberem mais detalhes, não hesitem em ler esta obra!
É uma história bem fundamentada. Aconteceu a muitas pessoas reais, da altura, o que acontece às personagens ao longo da história. É um romance histórico, acabar por sê-lo uma vez que remete para acontecimentos verídicos na medida geral da época que retrata. Este é apenas um exemplo do que aconteceu pelo país. As personagens são muito fortes. As suas atitudes e sentimentos são bem verídicos e palpáveis, oferecendo ao leitor uma leitura deliciosa, apesar das atrocidades que nela habitam. É uma leitura deliciosa porque é boa. Tem qualidade. Tem aspetos relevantes. É forte. Todo o enredo está muito arquitetado, não havendo pontas soltas. Todas as personagens se entrelaçam, criando uma teia de relações entre si. Como já referi em relação a outras obras, estes são fatores que eu prezo bastante, pois dão coerência e coesão à narrativa, denotando a mestria do escritor.
Gostei muito da dinâmica da narrativa e do rumo que a história seguiu. Teve um final muito comovente, mas muito belo. A beleza mistura-se muitas vezes com os atos mais cruéis e isso está bem representado ao longo de Terra Fria. É, sem dúvida, uma história para relembrar!
Esta é a primeira obra de Manuel Alves que eu leio e fiquei muito agradada. Vou querer conhecer as outras, sem dúvida. É também importante divulgar e ler os novos autores portugueses, pois só há a ganhar com isso. O país e os leitores ganham com os novos leitores! É juventude, são novas vivências, novas experiências. É bom ler os novos autores! Há que dar valor.
Recomendo totalmente, sem reservas. Parabéns ao autor por esta maravilhosa história que nos faz pensar. Excelente!
Penso que alguns se recordam que o escritor já foi alvo de mensagem neste blog Manuel Alves onde foi destacado o excelente trabalho que está a desenvolver e penso que mais cedo ou mais tarde se tornará um escritor reconhecido em todo o pais, pois não pára de nos surpreender.
Já tinha tido a oportunidade de ler um trabalho escrito pelo Manuel, onde tinha ficado surpreendido com a qualidade e simplicidade da escrita, com personagens comoventes e uma história de vida muito interessante e mais uma vez através de leitura conjunta sou novamente surpreendido com as mesmas qualidades que já me tinham agradado tanto, mas com um enredo diferente.
Este livro fala de um determinado período do nosso país e através da história de pessoas simples, mostra-nos o que foi a PIDE e como actuavam, como pessoas inocentes eram severamente barbarizadas pela Policia do Estado, mesmo que apenas quisessem proteger a sua família.
É verdade que o livro não mostra quem verdadeiramente a PIDE perseguiu, pessoas que se tinham que reunir à noite, mudar constantemente de casa, viver em constante receio com o serem denunciadas, pois quem se opunha ao regime ditatorial de Salazar é que era alvo de perseguição e maus tratos, mas ainda assim penso que é um tributo para algo que não devemos esquecer ,que fez parte da nossa história e que com muito sangue ajudou a que acabássemos com um regime ditatorial, algo que devemos sempre lutar para que não se repita e são histórias de vida que não devem apenas ficar em memória, muita gente lutou por um Portugal melhor.
Um livro comovente, com personagens reais mas que acabam por nos cativar e se tornar à sua maneira complexas por tudo o que passam, com uma escrita simples, um enredo bem estruturado, um apelo à luta pelos nossos ideiais, à luta pela liberdade. Estamos, sem dúvida, perante mais um excelente trabalho do escritor. Quantas Esmeraldas e Silvérios não devem ainda existir por esse pais fora e que de forma silenciosa ajudaram muita gente a fugir da PIDE ou mesmo alvo de espancamentos ?
Leiam que não se vão arrepender, o livro custa 1,5€ em e-book, tive a sorte de ter o meu com dedicatória (nem sabia que se podia fazer em livros digitais), podem ter a certeza que vale bem cada cêntimo empregue e claro desta forma saberem que há qualidade nos nossos escritores emergentes e o Manuel Alves é mais uma prova disso, que a mim apenas acabou de confirmar mais uma vez.
Um e-book vale 1,5€ ? Vale sim senhor ;)
Podem adquirir o livro no Smashwords aqui é só escolherem o formato ;)
Sépia é o tom deste romance, salpicado de vermelho vivo e luz de arco-íris algures lá ao fundo. Cheira-me a História e sabe-me a sangue. Oiço o passado presente e sinto o rasgar da pele da memória. Faz-me doer até à consciência, mas há que aguentar. Porque vale a pena se for lido com todos os sentidos, convém é preparar o estômago primeiro. Quando o Amor dá a mão à Dor, é difícil deixar ir, ignorar o uivo do lobo. A terra não é fria para quem parte, apenas para os que cá ficam.
Bateu-me à segunda leitura. Na primeira, a trama prendeu-me sem que oferecesse resistência, li com urgência e assisti a tudo à distância de uma tela de cinema. Na segunda, entrei lá dentro e li com calma, atraída pelo que poderia encontrar de diferente. Fui surpreendida da primeira vez e fiquei ainda mais impressionada na segunda por vários tons de dor e amor em lugares inesperados, entre personagens antipáticas e também em lugares esperados, mas com uma intensidade e incondicionalidade que me dão que pensar.
Lembra-me “A casa dos espíritos”, as várias gerações e a luta contra o regime político, os lugares, as raízes, e a cultura a condimentar o caldo quente, tanto numa história como noutra. Coragem, sacrifício e liberdade são os principais ingredientes. Uma escrita de dramas e alegrias, que beija e esmurra numa alternância estonteante, às vezes em simultâneo. Faz-me repensar e questionar o meu egoísmo, os meus medos, uma série de valores que me assaltam a consciência. O passo seguinte é agir.
É pelo prenúncio de um fim que se inicia este belo romance.
Através da confissão de uma idosa somos convidados a conhecer um percurso de vida nada fácil. Uma vida enraizada na ditadura em Portugal. Uma vida de dor, sofrimento e escolhas sempre feitas em nome do amor. Eram tempos duros, vidas cheias de mágoas e parcas de liberdade, vidas quase analfabetas, vidas incomuns que naquele tempo eram simplesmente comuns. Eram vidas de um povo atormentado pelo poder de uma minoria, pela violência, pela opressão, pela perseguição e pela injustiça dos que mandavam.
A mim, pessoalmente, fez-me reviver momentos passados. Não vivi na pele a dor desse povo, vivi as histórias que os meus pais e avós me contavam. Também na minha família houve emigrantes, soldados no Ultramar, felizmente sem perdas. Senti o medo nas conversas dos meus pais, pelos irmãos, pelos filhos, pelos vizinhos que eram informadores da PIDE e até sentia o medo dos carros pretos que à noite calcorreavam lentamente as ruas da minha aldeia. Vivi o terror a impotência, a revolta e o desespero de quem clamava por liberdade ou simplesmente por poder viver. Lembro-me dessa madrugada de abril, desse grito de liberdade, desse abrir de portas à igualdade. Quando olho para trás pergunto-me muitas vezes se tudo não terá sido em vão? Será que conseguimos fazer justiça a todos os que sofreram para que o povo português fosse livre?
Mas vamos ao que interessa. “Terra Fria” é um livro que nos fala de sofrimento, de dor, de escolhas e de amor. É um livro que fala a verdade de forma crua e clara. Manuel Alves tem uma escrita poética, poderosa e única que nos embala e nos comove. Com ele estive junto das personagens que criou. Também fiz escolhas, juízos de valor, tive vontade de matar, de perdoar e de gritar as injustiças. Nesta leitura senti que fazia parte da história, que foi a minha/nossa história também. Não é um capítulo lindo mas fizemos parte dele e conseguimos que os homens bons vencessem, mas onde estão eles?!
A terra fria será certamente um fim, mas as palavras de Manuel Alves e a história que vivemos são lições de começo que nunca devemos esquecer. Cada lágrima derramada pelos nossos antepassados, cada luta, cada sorriso forçado, cada sacrifício, cada esperança, cada escolha e cada verdade deve ser preservada e deve ser passada de “boca em boca” para que futuramente não se caia nos mesmos erros.
Esta minha vontade de ler Manuel Alves foi largamente compensada! Estou perante mais um grande autor português! Porque será que só publica eBooks desta forma?! Onde estão as editoras, as verdadeiras editoras, que deveriam dar oportunidade e voz a quem realmente é excelente?!
Há coisas difíceis de escrever e uma delas são as review dos livros de Manuel Alves. Isto, porque é sempre difícil escrever algo que corresponda na totalidade à verdade e demonstre toda a magnífica obra de arte que é cada história que o autor escreve. Provavelmente, muitos não vão concordar comigo, até porque eu sou “suspeita” quando falo do autor, uma vez que ele é o meu autor português favorito, avisando desde já que o é com todo o mérito. Como tal, o livro “Terra Fria” só me ajudou a comprovar o quanto desejo que o autor cresça a nível de divulgação para que as pessoas possam apreciar os seus escritos, assim como nós os temos vindo a apreciar. “Terra Fria” é um romance em que uma mulher de 90 e muitos anos nos conta a sua história e como nos mostra que às vezes é preciso fazer das tripas coração para conseguir sobreviver. A narrativa decorre maioritariamente durante a época da ditadura, sendo que se vê como as coisas funcionavam na altura e que não era preciso muito para uma pessoa inocente ser uma criminosa… No entanto, também nos mostra pessoas que poderiam muito bem ser reais, de tão bem caracterizadas que são, que nos leva a prestar realmente atenção ao aviso que o autor deixa de que nenhuma personagem no livro é “real”, por assim dizer. Há tanta gente diferente e tantos erros que cada personagem comete, que nos trás sentimentos de vários tipos e só um grande escritor consegue colocar os seus leitores a vivênciar a história, não só como se a tivesse a ver, mas a sentir. A história é incrível, onde nada é por acaso, onde tudo se encaixa, onde todas as personagens têm o seu papel. Claro, houve momentos em que me revoltei em especial porque achei muitas vezes que haviam injustiças ali no meio, mesmo a personagem principal me pareceu injusta numa das circunstâncias, que não irei falar para não dar spoilers. Ainda assim, vemos que, se tentarmos dar solução ao caso de outra maneira, acabamos por ter cenários ainda piores do que os descritos, o que torna toda a obra de uma genialidade feroz. A escrita do autor é irrepreensível e, não podemos esquecer, é um autor que não é revisado por nenhuma editora. Todas as histórias que nos chegam às mãos são fruto do seu trabalho árduo, sem ajudas de editoriais de terceiros. Para aqueles que lhes custa pagar um E-Book de um autor pouco conhecido tenho que dizer que o E-Book custa 1,50e, esse é o preço de meia hora do meu trabalho, mas não foi em meia hora que o autor criou esta obra de arte! Não acham que deveriam dar uma oportunidade? Muitos de vós pagam por livros mal revisto, escritos de pouca qualidade, 1,50e é menos de um décimo daquilo que realmente vale esta história. Não me alongo mais na parte da escrita, porque por mais palavras que teça neste campo, nenhuma vai chegar aos calcanhares daquilo que o autor escreve, só lendo é que se entende toda a “poesia” que o autor coloca em cada frase e o desejo mordaz que nos assombra quando começamos a ler as suas obras. Em relação à capa, as pessoas vão entender na história o porquê da tesoura e da navalha. O título intriga-me, porque o termo “Terra Fria” aparece perto do final, mas ao longo da história nos mostra também a “Terra Fria” em que muitos viveram e vivem. O passado está lá atrás, a história é imaginação, mas todo o passado muitas vezes continua a ser presente e as histórias que vem da imaginação é uma realidade para muitas pessoas. Como disse, nenhuma review chega aos calcanhares do que a história é, e eu nem escrevi a crítica mal terminei porque terminei de ler o livro às 5h da manhã e a chorar de tão emocionava que estada. Peço desculpa por não abordar em detalhe a história, mas qualquer spoiler que possa ser dado, tiraria todo o encanto do leitor descobrir por si próprio o desenrolar dos acontecimentos.
Esmeralda, sentindo os passos da morte a aproximar-se, confessa-se. É com esta confissão que vamos entrando na sua vida, longa em idade e longa em vivências. É pela sua própria mão que vamos percorrendo os caminhos tortuosos da pequena aldeia e dos campos verdes do Norte de Portugal. Vamos sentindo as alegrias, as tristezas e sobretudo a grande revolta que atinge aquela gente. Uma história dura, cheia de mágoa que nos atinge forte, como um poderoso murro no estomago do qual não conseguimos fugir e vamos percorrendo folha a folha, com os olhos húmidos, o desenrolar da vida do nosso povo, numa época muito própria do nosso país. A escrita do Manuel Alves, bastante particular e única, tem o condão de nos aproximar das personagens e fazer-nos parte da história. Por uns tempos (a duração da leitura e a fase seguinte) fazemos parte daquele mundo, são nossas as dores de parto da Esmeralda, a revolta do Silvério face à morte do irmão, são nossas as ternuras dos lobos para com o Quim, são nossas todas as intrigas daquela aldeia que neste momento também é nossa. É nossa, sim agora cada vez mais, a dor da separação, da partida para longe para poder ganhar a vida! E no fundo, temos sempre alguém mais distante ou mais perto na linha do tempo, que passou por experiências de vida algo semelhantes e que, por vezes, a vida nos leva a esquecer. Com este livro somos obrigados a lembrar esses tempos, como velhos fantasmas que chegam bem vivos até nós. A Esmeralda é forte e a prova viva que o amor vence todas as barreiras, qualquer que seja a sua natureza. O amor de mãe, o amor de mulher, a saudade do amor, tudo converge para uma força imensa do seu interior. A escrita do Manuel é assim, leva-nos a Sentir e quantas vezes nos esquecemos disso… Aconselho a sua leitura e podem aceder, por um preço irrisório aqui. Lê-se de um fôlego, entre palavrões e lágrimas que a tortura nos faz soltar.
Sinto que não tenho palavras suficientes para descrever este livro. Para começar, a época em que o livro foi escrito; depois, as personagens, as que gostei e as que não gostei; os sentimentos; os sítios.. A revolta das coisas feitas (e que foram feitas no passado)... Gosto especialmente da escrita simples, mas poderosa com que o autor escreve os seus livros, e aqueles pequenos apartes que me fazem rir alto.