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Uma chance de continuarmos assim

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Paula e sua amiga Marcela desenvolvem um dispositivo que permite deslocar-se no tempo. Dessa forma, o leitor é convidado a transitar entre futuros possíveis, distopias, utopias e fragmentos imprecisos. Uma chance de continuarmos assim é uma ficção especulativa na qual afeto, tempo e memória são indissociáveis.

128 pages, Paperback

First published June 23, 2023

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Taiasmin Ohnmacht

4 books3 followers

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Community Reviews

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5 (14%)
1 star
1 (2%)
Displaying 1 - 7 of 7 reviews
Profile Image for Alexandre Boide.
27 reviews1 follower
Read
December 30, 2024
Uma das coisas que me parecem mais interessantes na ficção brasileira atual é a exploração da potência política da chamada literatura de gênero. Talvez sobretudo porque o impensável se tornou politicamente possível, um certo minimalismo introspectivo ― “histórias intimistas que poderiam ter se passado há cinquenta anos […] num mundo de cores pálidas e cheirando a poeira e talco”, como escreveu um dos grandes expoentes do new weird, o italiano Valerio Evangelisti ― parece cada vez mais incapaz de dar conta de se relacionar com a realidade. Até por seu próprio “maximalismo”, por assim dizer, a ficção especulativa joga inevitavelmente a agência política do indivíduo para o primeiro plano, mesmo em amargas distopias que relatam os mais dolorosos fracassos.

O romance Uma chance de continuarmos assim, de Taiasmin Ohnmacht, é uma ficção científica explosivamente política. À primeira vista, circula pelas searas da viagem no tempo, do afrofuturismo (com o reconhecimento e tributo à influência de Octavia Butler logo nas primeiras páginas) e por uma espécie de anarcoprimitivismo, por falta de um termo mais preciso. No entanto, também logo de saída, fica claro que a intenção aqui não é navegar pelas eras, como faria o viajante no tempo convencional, e sim fundir os três tempos ― embrenhar-se não em seu caráter ilusório de uma sucessão ordenada de eventos, e sim em seu aspecto não tão facilmente visível de simultaneidade ininterrupta. Embora a jornada de sua heroína seja linear, partindo da confusão para o esclarecimento, em sua trajetória o passado, o presente e o futuro estão envolvidos em interações constantes que se dão em momentos de intersecção sempre urgentes, permeáveis e, por isso mesmo, frágeis como o próprio planeta e a humanidade.

No elemento mais abertamente sociopolítico de sua ambientação, a fratura mais do que evidente de uma fração de bilionários que deseja colonizar o espaço é levada às últimas consequências, e a tarefa de salvar a Terra e os humanos restantes cabe aos meros mortais desprovidos de dólares ― levando uma tecnologia do passado na prática abandonada no presente a dar um salto direto para o futuro, estabelecendo um equilíbrio próximo àquele pregado pelo que se convencionou chamar de anarcoprimitivismo.

E, obviamente, não se trata de tecnologia no sentido que atribuímos hoje ao conceito, e sim a algo como o que descreveu Pierre Clastres em “A sociedade contra o Estado”, seu artigo clássico dos anos 1970: “Se entendermos por técnica o conjunto dos processos de que se munem os homens, não para o domínio absoluto da natureza (isso só vale para o nosso mundo e seu insano projeto cartesiano cujas consequências ecológicas mal começamos a medir), mas para garantir um domínio do meio natural adaptado e relativo às suas necessidades, então não mais podemos falar em inferioridade técnica das sociedades primitivas: elas demonstram uma capacidade de satisfazer suas necessidades pelo menos igual àquela de que se orgulha a sociedade industrial e técnica. […] Não existe portanto hierarquia no campo da técnica, nem tecnologia superior ou inferior; só se pode medir um equipamento tecnológico pela sua capacidade de satisfazer, num determinado momento, às necessidades da sociedade. E, sob esse ponto de vista, não parece de forma alguma que as sociedades primitivas se mostraram incapazes de se proporcionar os meios de realizar esse fim”.

Na ambientação afrofuturista do romance, a tecnologia em questão não está em algum um dispositivo científico moldado no presente, e sim em um sistema ancestral de transmissão de conhecimento: as adinkras, símbolos representativos de conceitos e aforismos que somados compõem uma complexa e valiosa visão de mundo. Neste caso, mais especificamente, dois deles: o de Sankofa, associado a um provérbio que pode ser traduzido como “Não é tabu voltar para trás e recuperar o que perdeu”, respondendo pela forma como o futuro recorre ao passado para ganhar nova vida e o passado renasce para possibilitar um futuro; e o de Mate Masie, representando o provérbio “Eu guardo aquilo que ouço” e se assegurando da compreensão e da transmissão dessa tecnologia pelo passado-presente-futuro fundidos na figura de uma heroína negra periférica brasileira que carrega em si o poder da semente da agência política tanto individual como coletiva, e sua efetiva capacidade de transformar o mundo.
Profile Image for Soraya Viana.
159 reviews
August 16, 2024
O livro foi intrigante o suficiente para eu terminar de lê-lo mas não posso dizer que gostei dele como um todo.

No enredo, há viagens no tempo que deixam a protagonista, Paula, desorientada. A autora fez dessa personagem também a narradora da maioria dos capítulos e por isso nós leitores passamos boa parte do livro confusos também. Contudo, em alguns momentos, incluindo o final, a perspectiva muda de uma maneira que me pareceu artificial para explicar determinados acontecimentos.

Além disso, há pontos no enredo que fazem um aceno a questões correntes, como racismo e ecologia. Mas achei tudo muito etéreo e sem profundidade.

O final, para mim, foi anticlimático e difícil de compreender.

Gosto de ler autoras brasileiras contemporâneas e nesse quesito, o livro valeu a pena. Ele, porém, não foi muito além disso, e me faz sentir que daqui a um mês já terei esquecido da história.
3 reviews
September 4, 2024
É uma história muito triste, Paula sofre vários tipos de violências durante a vida e a autora transmite isso bem, assim como faz com a confusão, ao transitar entre o tempo com uma fluidez interessante. Minha crítica é que as relações poderiam ser melhor desenvolvidas, tanto de amor entre a Paula e a Laira, como entre a Marcela e o Rafa, mas também as relações de amizada Paula-Marcela e de maternidade Marcela-João. Achei que, por mais que a história tenha ficado encaixada o suficinete, o que é dificil em ficção científica com viagem no tempo, acabou ficando rasa, por causa das relações entre os personagens serem fracas.
This entire review has been hidden because of spoilers.
Profile Image for Renata Treü.
60 reviews
November 23, 2025
nota 6,5

Achei a narrativa as vezes um pouco confusa, tão desorientadora quanto a memoria da protagonista.

Talvez umas páginas a mais no livro teriam conseguido contruir melhor os personagens e suas relações, além de poder dar mais explicações e motivações do porquê das coisas terem acontecido daquela forma.

Não foi explicado porque o Kai voltou com ela. Se era pra levar a Marcela com ele, com qual propósito?

Mas no geral, é um livro bem interessante.
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Profile Image for Jaqueline.
551 reviews47 followers
September 10, 2025
É interessante, tem referências legais, mas é tão apressada a história... Eu entendo que era pra manter o clima de suspense e deixar a gente querendo saber o que vai acontecer e deixa mesmo, a tensão é bem construída, mas tudo acontece tão rápido, não dá tempo de conhecer as personagens direito e as partes mais importantes a gente não vê.
Profile Image for julia gamboa.
58 reviews11 followers
March 20, 2024
amei! ficção científica nacional emocionante que discute raça, natureza, a preservação das origens, passado, presente e futuro. as referências à octavia butler também são maravilhosas ❤️
Displaying 1 - 7 of 7 reviews

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