Construído com elementos da biografia de Albert Einstein, 'O Peso da luz' trata de um amante da ciência que conta suas memórias, Roselano Rolim - relojoeiro e inventor de uma máquina utópica, um moto-perpétuo estelar -, uma espécie de Quixote nascido em Cajazeiras. Na mesma cidade paraibana viveu um tio-avô da autora, que nos anos 1930 inventou um controle remoto, e inspirou o personagem. Leitor ardente das teorias de Einstein, Roselano recebe de seu amigo poeta a notícia de que uma comissão de cientistas ingleses está a caminho de Sobral, ao norte do Ceará, com a finalidade de comprovar a teoria da relatividade geral, durante um eclipse total do Sol que ocorrerá em 29 de maio de 1919. Em comissão particular, na companhia de seu amigo poeta e do papagaio Galileu, Roselano embarca numa viagem que provoca em si uma verdadeira revolução, com a descoberta de outros mundos, novos modos de amar, de se relacionar com os seres humanos, com os próprios sonhos, e consigo mesmo, e a revelação do lado universal da vida que se consome num moto-contínuo. As observações da comissão inglesa, composta pelos cientistas Andrew Crommelin e Charles Davidson, comprovaram a teoria de Einstein que declarou, posteriormente - 'A pergunta que minha mente formulou foi respondida pelo ensolarado céu do Brasil'. A teoria da relatividade geral ocasionou uma das maiores revoluções da história humana.
Voltada para a linguagem, dotada de um brasilianismo intenso, Ana Miranda realiza um trabalho de redescoberta e valorização do nosso tesouro literário, que a leva a dialogar com obras e autores de nossa literatura, numa época em que as culturas delicadas são ameaçadas pela força de uma cultura universal. Fundada em séria e vasta pesquisa, recria épocas e situações que se referem à história literária brasileira, mas, primordialmente, dá vida a linguagens perdidas no tempo. Sua obra tem sido matéria de estudos na área acadêmica, recebendo teses e monografias, geralmente ligadas a questões de literatura & história, barroco brasileiro, romantismo, ou pós-modernidade. Recebeu alguns prêmios, como Jabutis e da Academia Brasileira de Letras; teve sua obra traduzida em cerca de vinte países, e conquistou expressivo número de leitores, no Brasil. Ana Miranda consagrou-se igualmente pela inclusão de seu Boca do Inferno no cânon dos cem maiores romances em língua portuguesa do século 20, elaborado por estudiosos da literatura, brasileiros e portugueses (O Globo, 5/set/98). Seus principais romances são: Boca do Inferno, 1989; A última quimera, 1995; Desmundo, 1996; Amrik, 1998; Dias & Dias, 2002; Yuxin, 2009. Todos editados pela Companhia das Letras. Nasceu no Ceará, em 1951, onde vive atualmente, após cinquenta anos entre Rio, Brasília e São Paulo.
"Minha vida é entre os espaços silenciosos das estrelas... O pouco que sei, aprendi olhando as estrelas, os rios, as nuvens, observando as luzes e o vento.”
Embora não seja meu costume explorar a literatura nacional, a experiência com este livro foi surpreendentemente positiva. a narrativa, embora não tenha me prendido em nenhum momento, proporcionou uma leitura fluida e rápida. a autora apresentou sua ideia de forma incansável, mantendo o enredo interessante. no entanto, o plot twist revelou-se um tanto falho para minha apreciação, especialmente ao envolver a morte do amigo do protagonista seguida por um encontro inesperado com seu grande ídolo. apesar disso, a história não se tornou monótona, e a trama, embora não tenha cativado totalmente, conseguiu entreter.