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Um Preto Muito Português

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Cabo-verdianos que vivem há muito em Portugal e neto de cabo-verdianos que nunca conheceram Portugal. Também é bisneto de holandeses que mal conheceram Portugal e de africanos que muito ouviram falar de Portugal. Vive em Lisboa, mas não é considerado alfacinha. Terminou a licenciatura na faculdade e vai trabalhar num call center, com outros negros e brancos, pobres e ricos. Budjurra faz parte de uma minoria que, lentamente, vai sendo cada vez menos minoria. É um preto português, muito português, que, ao longo do livro e das aventuras que relata, levanta questões relativamente a temas como racismo, discriminação, estereótipos, igualdade e humanidade, mas também música, rap, identidade - numa Lisboa morena e colorida que é necessário conhecer: «Posso dizer, sem qualquer orgulho, que sou um homem estranho. Tão estranho como a minha alma. […] E assim como os anos e meses fluem no meu espírito bom e impotente, continuo apenas mais um preto muito português.» Com a sua rara humanidade, Budjurra mostra-nos como se vive por dentro da invisibilidade da comunidade africana, como se lida com as narrativas falsas que a envolvem, como se sobrevive aos preconceitos e ao esquecimento.

184 pages, Paperback

Published February 22, 2024

4 people are currently reading
235 people want to read

About the author

Telma Tvon

1 book2 followers
Telma Tvon, aliás Telma Marlise Escórcio da Silva, nasceu em Luanda em 1980 e imigrou para Lisboa, onde frequentou o ensino secundário ao mesmo que tempo se integrava na cultura Hip Hop. Pertenceu aos grupos Backwordz, Hardcore Click e Lweji, sendo os três grupos compostos por MC’s femininas. Licenciou se em Estudos Africanos pela Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa e concluiu o mestrado em Serviço Social pelo ISCTE.

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Community Reviews

5 stars
20 (16%)
4 stars
52 (44%)
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27 (22%)
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16 (13%)
1 star
3 (2%)
Displaying 1 - 26 of 26 reviews
Profile Image for Sara Oliveira.
480 reviews812 followers
July 14, 2024
Uma obra magnífica, com uma escrita que me envolveu de tal forma que era muito difícil largar o livro sempre que tinha que parar.

Guardei tantas passagens, espero partilhá-las em breve num post na conta.

Por aqui deixo-vos com esta:

Portanto, aqui entra a generalização - a mãe de toda a gratuita ignorância.


Mas também gostei especialmente desta:

O meu irmão diz que sou muito esquisito. Ele receia que eu de tanto escolher nunca encontre ninguém, mas a verdade é que eu não quero encontrar, eu quero ser encontrado.
Profile Image for Raquel Lopes.
62 reviews13 followers
March 24, 2025
Cheguei a este livro através de um clube de leitura anti-racista e a premissa interessou-me bastante. No entanto, tudo o que li foram capítulos soltos, cheios de clichés e frases feitas. Li o livro até ao fim na esperança de mudar a impressão com que fiquei dele desde o inicio mas não aconteceu, aliás, foi piorando na repetição dos estereótipos, com personagens (como o irmão e a irmã) que nunca se desenvolvem e ao nível do sexismo pela forma como o personagem principal, Budjurra, se refere a qualquer mulher do livro (excepto a mãe). Nem as partes 'poéticas' salvam este livro, de tão aborrecidas que são.
Profile Image for Filipa Vasconcelos.
9 reviews
September 19, 2024
Apesar de simpatizar e repugnar todos os actos racistas descritos neste livro, não foi de todo um livro que eu tenha gostado de ler.
Tem muitos episódios em que as mulheres são descritas de forma sexual e pela sua aparência, que é algo que nós mulheres lutamos todos os dias para que isso não aconteça. As fragilidades das mulheres são também, em vários episódios, descritas como “as mulheres sendo malucas”.
Senti também que em várias situações, estereótipos foram utilizados para generalizar comunidades e situações.
Se a ideia seria chamar a atenção para as ações racistas em Portugal, falhou. Em muitos aspectos, achei este livro por si mesmo, sexista.
This entire review has been hidden because of spoilers.
Profile Image for Rita Vb.
35 reviews
July 31, 2025
Bem, que coisa estranha. Este livro foi-me dado a conhecer num colóquio sobre Estudos Comparatistas; folheei algumas páginas na altura e pareceu-me interessante, logo decidi comprá-lo. Acabou por ser uma leitura gravemente decepcionante.

A obra funciona como uma espécie de diário que acompanha as divagações e pensamentos do personagem principal - ênfase nas “divagações”, porque verdadeiramente não existe conteúdo nenhum senão rodopios incessantes de devaneios sem nexo. É-me difícil perceber se a narração é auto-consciente ou não…ou seja, está a autora realmente a usar a voz de Budjurra como um veículo introspectivo e moral legítimo, ou o objetivo é no fundo satirizá-lo? Questiono-me acerca disto porque me parece impossível que o ponto seja levá-lo a sério. Acho que a obra tinha muito potencial, mas a execução saiu completamente ao lado.

Os devaneios de Budjurra são flácidos e infantis, e é profundamente irritante o quão repetitivos são no seu moralismo enjoativamente auto-bajulador. Entendo que há uma tentativa de humanizar o personagem, demonstrando-o sensível e justiceiro no meio dos problemas sociais que o confundem, mas é tudo tão artificial. Sinto que o livro trata o leitor como um pré-adolescente que está descobrir o que é o preconceito…é um pouco rebaixador. Esse problema também é notório nas piadas juvenis e desconfortáveis.

É-me genuinamente triste que um livro com quase 200 páginas diga tão pouco. Apesar de ser presumivelmente um “diário”, não há qualquer continuidade entre as coisas relatadas, ler o capítulo 5 ou o capítulo 30 é indiferente, e se calhar até vão falar exatamente sobre a mesma coisa mas com palavras ligeiramente diferentes. Não há enredo, desenvolvimento, ou qualquer motivação para querer saber das personagens.

Os familiares que cercam a vida do protagonista e que ele vai analisando toscamente são estereótipos unidimensionais, mas que às vezes até se atrevem a parecer mais interessantes do que ele. De resto, ocasionalmente é introduzida uma nova figura que aparenta desenvolver relevância na vida de Budjurra, mas acaba por ser somente um nome passageiro cujo único propósito é catalisar a infantil lição moral do capítulo presente, nunca mais merecendo uma menção.

Para terminar, apesar de nem sequer saber muito bem o que dizer quanto a isto…é profundamente bizarra a escolha de meter o protagonista a discorrer acerca de mulheres tantas vezes. A autora tanto o utiliza como oco porta-voz do feminismo entre o sexo masculino, tanto o utiliza como alívio cómico que analisa a mulher como se ela fosse um ser extraterrestre e instável - que só tem valor caso seja um espelho exato do que ele acha que uma mulher deve ser.

Enfim, um livro cansativamente repetitivo e falsamente despretensioso.
Profile Image for Patrícia Simões.
68 reviews9 followers
April 14, 2025
Não gostei e nem o terminei sequer. Após um mês com o livro em casa, decidi devolvê-lo à biblioteca sem o concluir.

Senti falta de uma história que me prendesse às personagens. São relatos de episódios desconexos entre si. A sinopse prometia mais e, por isso, senti-me desiludida. Ao ler as reviews, percebi que não quero fazer o esforço para “ver se melhora” porque já sei que tal não vai acontecer.

Segui a sugestão do clube de leitura Quem me Lera.
Profile Image for Joana.
7 reviews
Read
March 16, 2025
Achei o livro falsamente despretensioso, não consegui de todo empatizar com o personagem nem embalar-me com o modo de escrita. Há um certo moralismo durante todo o livro, de um personagem que tenta expôr e desconstruir o racismo, e que é no entanto incapaz de desconstuir sexismo (muito presente), e por vezes homofobia e classismo.
Profile Image for Andreia Morais.
456 reviews33 followers
Read
March 26, 2024
TW: Preconceito, Morte/Luto

Uma abordagem descomplicada, mas muito pertinente, sobre questões de identidade, racismo e desigualdade de oportunidades.

A escrita não me arrebatou, confesso, ainda assim, é inegável que nos coloca ao lado do protagonista, é inegável que nos faz compreender todas as suas inquietações, até porque Budjurra conversa connosco e inclui-nos no problema (e, em boa verdade, nós fazemos parte dele). O seu relato não tem qualquer filtro, mas tem uma visão muito apaziguadora da realidade. E isso acontece, creio, porque ele se recusa a aceitar que a igualdade é uma utopia.

Com apontamentos de poesia e de música, vai-se apercebendo dos preconceitos que o tornam invisível e que o fazem duvidar se este é o seu lugar. Mas é. Sê-lo-á sempre. Não só por ser um preto muito português, mas também pela sua humanidade que nos inspira.
Profile Image for Dora Silva.
249 reviews89 followers
March 17, 2024
Uma leitura obrigatória e que me envolveu.
Recomendo muito.
A minha opinião em vídeo no Livros à Lareira com chá no YouTube
Profile Image for mi-ar.
9 reviews
November 16, 2025
<< sou tanto de existência de Portugal como de procura de Cabo Verde >>



não vou acrescentar nada de novo, pois penso que algumas reviews acerca deste livro são bastante precisas em identificar as falhas do mesmo. é deveras um livro decepcionante. um dos pontos mais graves é precisamente a forma como as mulheres são representadas exclusivamente através do olhar do sexo masculino negro (black male gaze). custa acreditar que este livro foi escrito por uma mulher negra. no entanto, um outro ponto fraco deste livro é o facto de não conseguir desprezar a presença da autora e apegar-me às suas personagens. sinto-a vazia, este livro é vazio. as personagens não existem, não tem subjetividade nem corpoS.

no entanto, não deixo de me perguntar se o budjurra não será um excelente case study? se essa tentativa de se afirmar como um homem "superior", com valores morais eticamente corretos, não será uma tentativa de o relembrar constantemente do seu valor num mundo que questiona incessantemente a sua pertença e humanidade? talvez ele seja a personificação do racismo internalizado, e aí este livro até ganha mais pontos. talvez o objetivo não é gostar do budjurra simplesmente por ele ser um preto muito português, talvez o objetivo seja uma denúncia, um retrato psicológico de um indivíduo sem consciência racial, sustentada no black gaze, mas sim no white gaze.

sendo assim, este livro beneficiaria de uma perspetiva de terceira pessoa que adicionasse conteúdo, história, peso, consciência, crítica; num lindo contraste entre os pensamentos superficiais de budjurra e uma vivência profunda da negritude, do corpo negro em todas as suas vertentes, que respira poesia e opressão.

último ponto: como cabo-verdiana portuguesa, sinto falta de mais crioulo!!!!!!!
Profile Image for zafira.
65 reviews5 followers
June 17, 2024
Capítulos que tocam no cerne da questão eterna acerca da identidade, de quem se identifica com mais do que um país. Para além disso, demonstra como é viver na *tua* terra sendo que és considerado como um *estrangeiro* pelos outros.
Gostei muito de te ler, Budjarra
Profile Image for Marta Clemente.
758 reviews19 followers
March 6, 2025
No Clube de Leitura Anti Racista da Elga Fontes, neste Fevereiro de 2025, leram-se "estereótipos". O livro proposto pela Elga foi este "Um preto muito português". Decidi lê-lo porque este livro já me tinha chamado bastante a atenção por essas redes fora.
O conceito é bom, o início também. Telma Tvon apresenta-nos o João, mais conhecido por Budjurra. Este é filho de cabo-verdianos, nasceu em Portugal, e não conhece o país de origem dos seus antepassados. No entanto, ouve várias vezes o famoso "vai para a tua terra" e dá-nos a conhecer as suas reflexões sobre os preconceitos de que é vítima.
No entanto, à medida que a "história" vai correndo, as generalizações vão-se repetindo, os vários estereótipos também e acaba por se tornar uma leitura um pouco entediante.
Confesso que não fiquei fã da escrita nem da forma como a autora vai discorrendo sobre a vida do Budjurra, no entanto não posso dizer que seja um mau livro. Digamos que é aceitável.
Profile Image for Joaquim Margarido.
299 reviews39 followers
December 28, 2024
Chama-se João Moreira Tavares, mas todos o conhecem por Budjurra. É o Budjurra do Cacém, irmão do Carlos e da Sandra, nascido em Lisboa há 26 anos. Mora na casa dos pais, cabo-verdianos que vivem há muito em Portugal. O seu não é um daqueles bairros a que chamam problemáticos, mas diz-se “um ser deveras problemático”. Problemático porque não se enquadra em nenhum dos cenários em que as estatísticas o querem meter. É licenciado em Gestão Ambiental. Fala português convenientemente, seja lá o que isso for. Ninguém sabe se é Preto o suficiente ou se anda a tentar passar por Branco inconscientemente. O que é correcto notar nele é que é amigo de toda a gente. Amigo e companheiro. Tem princípios e valores que passam pelo respeito à vida de outrem e à sua também. É apaixonado pela vida mas anda confuso com a injustiça e as desigualdades sociais. É completamente pacífico, um pouco preguiçoso. É um bacano que se sente sozinho no mundo em que vive e incapaz de o mudar. É um preto muito português.

Telma Tvon tem neste Budjurra o seu alter ego. Mesmo sendo mulher, mesmo tendo nascido em Luanda, é nele que se projecta para nos convidar a atravessar as fronteiras do preconceito e a olhar para a falta de visibilidade, de representatividade e de liberdade que se abate sobre as comunidades tidas como marginais. Do meio dos seus medos, das suas vontades, das suas verdades, Telma Tvon fala de bondade, de humanidade, do que a inspira, do que a torna mais forte. Mas também do que sente, não podendo ser. Fala de emigrantes e imigrantes, de inclusão e rejeição, de “raivas encarceradas no politicamente correcto”. De como se manipulam as ideias, do racismo estrutural no seio das polícias, do inconformismo face à insensibilidade de quem a ignora, de ser mais uma preta que ameaça o Portugal Branco. De se sentir “à margem de uma sociedade que se quer imaculada e de raízes meramente lusitanas”. Por isso proclama mais comunidade, mais poder, mais preta!

Escrito na primeira pessoa, “Um Preto Muito Português” tem uma construção narrativa que o afasta do romance. As reflexões implícitas em cada um dos seus quase cinquenta capítulos faz pensar nele como um livro de crónicas ligadas entre si pela vontade própria de quem se reclama parte da verdade universal de que “todos os seres humanos nascem livres e iguais em dignidade e em direitos”. Primeira obra com uma força invulgar, o livro é fruto do empenhamento pessoal da autora, dele sobressaindo essa urgência de mostrar, de denunciar, de nos fazer passar “para o lado do outro”, que é algo de que todos precisamos muito. Simples sem ser simplista, a prosa é rica em emoções, oscilando entre o divertido e o magoado. É uma prosa fortemente ritmada - “momentos nitidamente transparentes e sorridentes sem motivos aparentes” -, reveladora do facto de a sua autora estar bem integrada na cultura Hip Hop. Por outro lado, faz-nos sorrir com expressões como maka, nha kamba, sabura ou beber uma jola. Um livro fundamental nessa necessidade de nos encontrarmos com aquilo que somos.
Profile Image for Alexandra.
28 reviews1 follower
April 23, 2024
Conta e reflete na primeira pessoa sobre os sentimentos de alguém que tem uma cor de pele que lhe impõe uma condição diferente e inferior aos "outros".
Um depoimento real e necessário. Simples e sem floreados.
Gostei
Profile Image for Aliya May.
16 reviews
June 25, 2024
Vejo tanto de mim no budjurra que me questiono se não eram excertos do meu diário
Profile Image for Henrique.
4 reviews1 follower
October 2, 2024
O conceito está fantástico, a execução fica (na minha ótica) um pouco aquém das expectativas. O Budjurra, um português mais português que muitos, convida-nos a espreitar um pouco da sua vida e das suas dificuldades em ser aceite por um país que teima em não aceitá-lo por completo. Isto porque o Budjurra não é branco. Cada capítulo é uma história, um poema, uma memória que este personagem decidiu partilhar connosco, e ficamos mais ricos com essa partilha.

Apesar de ter gostado imenso do livro e de alguns dos capítulos que certamente ficarão comigo, senti que este não era um livro para se ler de ponta a ponta mas para ir abrindo aleatoriamente e deixar que o Budjurra nos contasse uma história. Senti falta de um fio condutor, por mais ténue que fosse, e por isso o livro arrastou-se no último terço quando a novidade do tema já se tinha desvanecido. Este livro fez-me muito lembrar o Open Water de Caleb Azumah Nelson ou até mesmo o On Earth We’re Briefly Gorgeous de Ocean Vuong, mas ambos esses têm um princípio meio e fim, este livro tem princípio mas depois perde-se a meio.

Não detetei erros flagrantes, por isso penso que os comentários de outros leitores dizem respeito a uma outra edição desta livro que tinha sido publicado pela Chiado. Há algumas escolhas estilísticas que não são necessariamente do meu agrado (mas isso é uma escolha pessoal) e meia dúzia de erros gramaticais, mas que não distraem do conteúdo do livro.

Portento, recomendo vivamente o livro. Não gostei de todas as histórias, mas acho que cada leitor conseguirá sempre retirar alguma coisa, e abrirá certamente os olhos de muitos portugueses. E este livro, para mim, injeta algo de novo na literatura portuguesa e só por isso merece ser lido!
Profile Image for Maria  - what_maria_reads.
315 reviews12 followers
January 16, 2026
𝒂𝒕é é𝒔 𝒃𝒂𝒄𝒂𝒏𝒐. 𝑵ã𝒐 𝒕𝒆𝒏𝒔 𝒏𝒂𝒅𝒂 𝒂 𝒗𝒆𝒓 𝒄𝒐𝒎 𝒐𝒔 𝒑𝒓𝒆𝒕𝒐𝒔 𝒒𝒖𝒆 𝒎𝒐𝒓𝒂𝒎 𝒂𝒐 𝒑é 𝒅𝒆 𝒎𝒊𝒎.

𝒑𝒐𝒓 𝒂𝒍𝒈𝒖𝒎 𝒎𝒐𝒕𝒊𝒗𝒐 𝒆𝒖 𝒏ã𝒐 𝒅𝒆𝒗𝒊𝒂 𝒔𝒆𝒓 𝒃𝒂𝒄𝒂𝒏𝒐. 𝑻𝒐𝒅𝒐𝒔 𝒐𝒔 𝒑𝒓𝒆𝒕𝒐𝒔 𝒅𝒆𝒗𝒆𝒎 𝒔𝒆𝒓 𝒊𝒈𝒖𝒂𝒊𝒔, 𝒐𝒖 𝒔𝒆𝒋𝒂, 𝒔𝒆 𝒐𝒔 𝒒𝒖𝒆 𝒎𝒐𝒓𝒂𝒎 𝒋𝒖𝒏𝒕𝒐 𝒂 𝒆𝒍𝒂 𝒏ã𝒐 𝒔ã𝒐 𝒃𝒂𝒄𝒂𝒏𝒐𝒔, 𝒄𝒐𝒏𝒔𝒆𝒒𝒖𝒆𝒏𝒕𝒆𝒎𝒆𝒏𝒕𝒆 𝒕𝒐𝒅𝒐𝒔 𝒏ã𝒐 𝒔𝒐𝒎𝒐𝒔 𝒃𝒂𝒄𝒂𝒏𝒐𝒔.

Ouvia a música da Telma há mais de 20 anos, quando ela cantava rap nas Backwords, e ainda hoje tenho uma música dela com o Xeg na minha playlist. Perdi-lhe o rasto e quando vi este livro nos escaparates sabia que tinha que ler.
Começo por dizer que para mim a ficção nacional precisa de mais histórias destas. O rap conta-me muitas vezes a história dos jovens dos bairros chamados da periferia mas sinto que a literatura não.
Este livro mexeu comigo logo nas primeiras páginas, porque desde cedo retrata a generalização que a origem e a cor da pele ditam se se é ou não boa pessoa. Rejeitarei sempre esse pensamento. Depois disso a história do João, Budjurra para os amigos, poderia ser a história de muitos jovens. Constantemente mandado para a sua terra numa Lisboa que sempre foi a sua terra, sente-se muitas vezes um português de lado nenhum. Em Lisboa é demasiado preto para ser lisboeta, como se a medida da cor da pele fosse uma medida de se ser de onde quer que seja, como se Portugal não fosse de todos os que por cá lutam por um amanhã melhor. Se nalguns momentos é demasiado preto, noutros parece demasiado branco, e com ele vamos tendo a sensação de que não se pertence a lugar algum. Vamos com ele vivendo os problemas de uma geração, além dos preconceitos da cor e da origem, também a precariedade laboral, os empregados sem futuro e as dificuldades na habitação.
Gostei imenso deste livro, quero mais histórias destas, que nos fazem refletir e nos tornam mais humanos.
Profile Image for Rosana Maia.
154 reviews
March 7, 2024
Foi com enorme curiosidade que enveredei nesta leitura, através da gentil oferta da obra pela Quetzal Editores. E a verdade é que penso que a autora terá de facto cumprido o seu propósito.

Para começar posso dizer que se trata de um livro com uma escrita simples e clara, mas ao mesmo tempo capaz de alcançar o leitor. Através de Budjurra, a nossa personagem principal, somos colocados na sua própria pele, a debater os vários temas e frustrações com que este se depara.

Como nos diz a sinopse, Budjurra “É um preto português, muito português, que, ao longo do livro e das aventuras que relata, levanta questões relativamente a temas como racismo, discriminação, estereótipos, igualdade e humanidade ...”. Mas mais do que levantar estas questões, através desta personagem, como leitores, conseguimos pôr-nos exatamente naquele lugar.

Trata-se de um livro que dá até vontade de ir lendo devagarinho. Não se trata de uma narrativa contínua, mas sim de capítulos com vários temas e questões que podemos querer ler num dia ou noutro. Agora que o terminei, fiquei com vontade de noutro dia qualquer o abrir, e escolher novamente uma página para reler.

Mais do que uma obra sobre um preto muito português, acaba por ser uma obra sobre as minorias, sobre as ideias enraizadas na sociedade, sobre o preconceito, sobre a injustiça.

Apesar de a escrita em si não me ter conquistado por completo, sinto que crescemos com esta leitura, sinto que mais do que um belo livro se trata de um livro necessário, um alerta para aquilo que somos, e para aquilo que queremos ser.


https://bloguinhasparadise.blogspot.c...
Profile Image for Filipa Ribeiro Ferreira.
473 reviews15 followers
November 14, 2024
Budjurra é um preto muito português e gostei de acompanhar os seus pensamentos, enquanto discorre sobre como é crescer num bairro, ser do bairro, ir para a faculdade, estudar, não ter facilidade em arranjar um bom emprego, ter ou não ter jeito para dançar, vencer preconceitos e ideias feitas, ser revoltado ou baixar a cabeça. Budjurra escolheu não ser um revoltado mas com ele compreendemos bem a revolta. Compreendemos a diferença com que se é tratado, e dá vergonha. Ser africano sem nunca ter posto os pés em África, ser lisboeta mas não ser considerado alfacinha...
Profile Image for Daniela Rodrigues.
343 reviews
June 29, 2025
Primeiro, um comentário à capa, que é lindíssima!

Segundo, um comentário ao conteúdo, de que gostei muito. Pensei, por diversas vezes ao longo do livro, em oferecê-lo a diferentes pessoas na minha vida.
A única crítica, que na realidade é um conselho a quem o queira ler, é que não é um livro para ser lido de seguido. Está organizado em capítulos curtos, em que cada um é uma reflexão de João/Budjurra sobre a sua vida, mas, sobretudo, sobre o que é ser português quando se tem raízes africanas.
Profile Image for Thaís Brito.
25 reviews
March 23, 2024
Um livro necessário para compreender a sociedade portuguesa e suas heranças coloniais. Telma consegue retratar neste livro, de uma forma bem-humorada e com alguma leveza, o cotidiano de um cidadão português que é tratado como estrangeiro no próprio país. A crítica que faço é que por se tratar de uma personagem homem, existe alguma carga de machismo em algumas partes - o que pode ter sido proposital!

Muito bom! Recomendo!
Profile Image for ale.
55 reviews
April 16, 2025
Pretty good, not my favorite thing I've read this term, but not bad. A little flat, though it has its (rather few) moments.
Profile Image for Afroqueen1904.
118 reviews10 followers
May 9, 2021
Tanto do que foi escrito neste livro é parte da minha experiência a crescer em Portugal. A Tvon escreveu um livro necessário e que fala sobre como é ser preto em Portugal.
Gostei muito do livro e só não dou 5 estrelas porque a versão que li em ebook tinha muitos erros e tornou dificil a leitura.
Profile Image for Susana.
48 reviews
April 7, 2019
O português cheio de erros e a falta de revisão destroem completamente o valor que o livro poderia ter.
Displaying 1 - 26 of 26 reviews

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