Nossa literatura repercute uma “realidade” que exclui um mundo de experiências, paisagens, linguagens, problemas e, também, de possibilidades estéticas. Por isso, ao lidar com ela, precisamos refletir sobre o que estamos escolhendo legitimar como literário, sobre o que estamos excluindo quando fazemos isso e por quê. Precisamos pensar nossos próprios limites e as fronteiras que aceitamos percorrer. Este livro é um convite a essa reflexão – um convite a ampliar nosso olhar, a acolher as diferentes formas de produzir literatura e a valorizá-la como uma prática social capaz de expressar os conflitos humanos e de dar voz à nossa resistência e às nossas esperanças.
Regina Dalcastagnè é uma pesquisadora, escritora e crítica literária brasileira.
É doutora em teoria literária pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e professora titular livre de literatura brasileira na Universidade de Brasília (UnB). Coordena o Grupo de Estudos em Literatura Brasileira Contemporânea, que reúne pesquisadores de diversos países, e edita as revistas Estudos de Literatura Brasileira Contemporânea e Veredas (da Associação Internacional de Lusitanistas).
Destaca-se por avaliar aspectos de desigualdade social na literatura brasileira, como no livro Literatura brasileira contemporânea: um território contestado, que mostra um elitismo do escritor brasileiro médio, geralmente homem, branco, com diploma superior e morando no estado do Rio de Janeiro ou em São Paulo.