Riviera é a história de um sujeito que, acreditando no milagre da vida, se abre para o mundo e busca a realizaçã reencontrar o seu grande amor. Em meio a essa busca, infortúnios, embaraços e descobertas inevitáveis. Um livro sobre sonhar e viver.
Orelha do livro Riviera, de Rodrigo Melo, escrita por Marcus Borgó Rodrigo Melo como contista, através de seu primeiro livro, O sangue que corre nas veias. Eflúvios de John Fante e Carson McCullers pululavam das páginas, nas agruras de personagens baldios e deslocados, à procura de alguma ocupação (ou tentando a todo custo mantê-la), ou assombrados por um estado de quase-miséria inalterável. Em seguida, fui apresentado à sua poesia, de versos simples e pungentes (quando um caça é abatido/ lá no Oriente Médio/ vira estrela cadente/ e leva paz para alguém). E por fim, travei contato com o cronista Rodrigo Melo, de estilo singular e fascinante, com uma pegada francamente ficcional, que transita entre o humor de passagens delirantes e o lirismo cru de um cotidiano sem brilho. Em Riviera, o autor experimenta uma escrita de maior fôlego, mas preserva o paiol de influências e o manejo estilístico demonstrados desde o seu début. Pesa sobre seus personagens os desígnios de uma época de reflexão estéril, porém entupida de padrões e estratégias de competição e sucesso. Michel Rodrigues, protagonista deste livro, conhece a deslumbrante poeta carioca Sandra D’Angelo, numa praia de Ilhéus, e se vê arrebatado por uma indomável paixão. Munido apenas de uma fotografia pouco elucidativa e daquele ímpeto inconsequente comum aos apaixonados, ele parte para o Rio de Janeiro – a sua Riviera – em busca da felicidade. Na “capital do sangue quente do Brasil” – como diz Fausto Fawcett – Michel se depara com as flagrantes contradições do lugar, que ora lhe apresenta as perdições de uma Babilônia decadente; ora lhe estende a mão do Redentor. Logo, ele se vê obrigado a buscar também meios de se manter na Cidade Maravilhosa, uma vez que sua missão inicial se revela mais árdua que imaginava. O fluxo do desejo e a luta pela sobrevivência se alimentam mutuamente, enquanto entulham sua alma com uma esperança quase febril. Riviera, o livro, nos leva, junto com o personagem, a investigar o paradeiro da estonteante poeta, percorrendo assim os relevos e limites da Riviera, a cidade, que raramente aparecem no cartão-postal. Livro e cidade têm em comum a capacidade de nos lançar – sem qualquer aviso – à aventura de trilhar caminhos e trechos de inegável beleza e insondáveis perigos. E não nos dão trégua.