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Verão dos infiéis

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Em Verão dos infiéis, romance ambientado no Rio de Janeiro no final da década de 1960, Dinah Silveira de Queiroz narra um fim de semana chuvoso na vida de uma família de classe média abalada por questões psicológicas, religiosas e políticas num dos períodos mais turbulentos da história do Brasil.

A trama tem início com o pedido de ajuda de Valentina ao cunhado Domingos, que só chegará à cidade dentro de três dias. Ela é a matriarca viciada em comprimidos de benzedrina que, após tomá-los, se refugia no “mundo dos mortos”, no qual, em alucinações que envolvem a infância, reencontra a mãe e o tio já falecidos e tem os melhores momentos do dia. Moradora de Copacabana, seu marido, “delicado demais para viver num mundo de grosseria”, suicidou-se alguns anos antes, deixando-a com três filhos pequenos, os agora adultos Geraldo, Carminho e Aloísio, cada qual enfrentando um dilema distinto.

Numa narrativa marcada por encontros e reencontros, bem como por tempestades impiedosas, a escritora constrói um enredo que segue num crescendo e atinge proporções inesperadas. Um livro que mais uma vez comprova a genialidade de Dinah como romancista versátil, capaz de surpreender o leitor com uma história envolvente e repleta de críticas sociais.

208 pages, Kindle Edition

First published January 1, 1968

21 people want to read

About the author

Dinah Silveira de Queiroz

26 books14 followers
Sétima ocupante da Cadeira 7, eleita em 10 de julho de 1980, na sucessão de Pontes de Miranda e recebida pelo Acadêmico Raymundo Magalhães Júnior em 7 de abril de 1981.

Dinah Silveira de Queiroz, romancista, contista e cronista, nasceu em São Paulo, SP, em 9 de novembro de 1911, e faleceu em São Paulo, SP, em 27 de novembro de 1982.

Filha de Alarico Silveira, advogado, homem público e autor de uma Enciclopédia brasileira, e de Dinorah Ribeiro Silveira, de quem ficou órfã muito pequena. Quem lê Floradas na serra, seu livro de estréia (1939), tem sua atenção despertada por aquela cena em que, ao morrer, um personagem, não querendo contaminar a filha pequena, despede-se dela, à distância, e pede que retirem a fita que prendia o cabelo da menina para beijá-la. A cena se passou na realidade com a escritora. Dona Dinorah veio a falecer aos vinte e poucos anos, deixando duas filhas: Helena e Dinah.

Com a morte da mãe, cada uma das irmãs foi para casa de uma parenta. Dinah foi morar com sua tia-avó Zelinda, que tanto influiria em sua formação. Datam desses tempos as temporadas na fazenda em São José do Rio Pardo, na Mogiana. Nas freqüentes visitas que o pai fazia à filha, havia sempre tempo para os livros, quando ele lia, em voz alta, as narrativas de H. G. Wells. As passagens da Guerra dos mundos causariam grande impressão no espírito da menina, assim com os escritos de Camille Flamarion a respeito de astronomia.

Dinah Silveira de Queiroz estudou no Colégio Les Oiseaux, em São Paulo, onde com a irmã Helena colaborou assiduamente no Livro de Ouro, vindo “por motivo de doença de Helena”, como sempre assegurou, a ficar, afinal, com seu troféu literário de menina. Casou-se aos 19 anos com Narcélio de Queiróz, advogado e estudioso de Montaigne, que teria grande influência nas leituras da mulher e a levaria a descobrir a vocação de escritora. Teve duas filhas: Zelinda e Léa. Em 1961, a romancista enviuvou e, no ano seguinte, casou-se com o diplomata Dário Moreira de Castro Alves.

Seu primeiro trabalho literário recebeu o título de Pecado, seguido da novela A sereia verde, publicado pela Revista do Brasil, dirigida por Otávio Tarquínio de Sousa. Seu grande sucesso viria em 1939, com o romance Floradas na serra, contemplado com o Prêmio Antônio de Alcântara Machado (1940), da Academia Paulista de Letras, e transposto para o cinema em 1955. Em 1941, publicou o volume de contos A sereia verde, voltando ao romance em 1949, quando publicou Margarida la Rocque, e em 1954, com o romance A muralha, em homenagem às festas do IV Centenário da fundação de São Paulo. Ainda em 54, a Academia Brasileira de Letras lhe conferiu o Prêmio Machado de Assis, pelo conjunto de sua obra. Em 1956, fez uma incursão no teatro com a peça bíblica O oitavo dia. No ano seguinte, publicou o volume de contos As noites do morro do encanto, que fora laureado com o Prêmio Afonso Arinos da Academia Brasileira de Letras (1950). Em 1960, publicou outro volume de contos, Eles herdarão a terra, no qual já manifestava seu interesse pela ficção científica, que irá expressar-se melhor em Comba Malina (1969). Em ambos, prevalece a narrativa vazada dentro do chamado realismo fantástico.

Em 1962 foi nomeada Adido Cultural da Embaixada do Brasil em Madri. Após o casamento com o diplomata Dário Moreira de Castro Alves, seguiu com o marido para Moscou. Permaneceu na União Soviética quase dois anos, escrevendo artigos e crônicas, que eram veiculados na Rádio Nacional, na Rádio Ministério da Educação e no Jornal do Commercio. A ausência do Brasil criou em Dinah Silveira de Queiroz a necessidade de uma contribuição à vida brasileira, à qual concorria com suas crônicas diárias, mais tarde recolhidas no livro de crônicas Café da manha (1969), e ainda em Quadrante I e Quadrante II.

De volta ao Brasil, em 1964, escreveu Os invasores, romance histórico em comemoração do IV Centenário da fundação da Cidade do Rio de Janeiro. Em 1966, partiu novamente para a Europa, fixando-se

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Profile Image for Rita.
913 reviews190 followers
July 2, 2025
Dinah Silveira de Queiroz (1911–1982) foi uma destacada escritora brasileira — romancista, contista, cronista e pioneira da ficção científica no país. Estreou-se com Floradas na Serra e foi reconhecida com vários prémios literários. Viveu em várias cidades do mundo e foi em Roma que escreveu Verão dos Infiéis, inspirado num discurso do Papa Paulo VI na ONU, em 1965. Em 1980, tornou-se a segunda mulher a integrar a Academia Brasileira de Letras, coroando uma carreira sólida, versátil e profundamente ligada à cultura brasileira.

Verão dos Infiéis estrutura-se entre duas tragédias: logo no início, sabemos do suicídio de um homem delicado demais... para viver num mundo de grosseria. Era um príncipe de outros tempos escondido, parece, no meio da gente, que deixa para trás a mulher, Valentina, e os três filhos pequenos.

Esta primeira tragédia marca profundamente Valentina, que vive um luto interminável, recorrendo à benzedrina — uma anfetamina usada, na altura, para combater a depressão.

A segunda tragédia encerra o romance: após chuvas intensas, dá-se um desabamento que deixa um cenário de ruínas.

A história decorre ao longo de três dias, em Copacabana, e é nesse curto espaço de tempo que conhecemos a família de Valentina.

Sabemos que o período é o da ditadura, mas Dinah opta por, em vez de nos mostrar directamente a repressão política e a falta de liberdade, evidenciar uma certa alienação e apatia vividas pelas personagens.

Dinah consegue fazer uma verdadeira radiografia social e política da época, mostrando as tensões e desigualdades sociais, o papel da religião, a repressão, os preconceitos e todo o impacto que esses elementos têm na realidade brasileira.

É um livro interessante e bem escrito - a escrita de Dinah é leve, envolvente e cheia de sensibilidade - mas senti que faltou algo às personagens que me permitisse criar uma certa empatia com elas.
Profile Image for ALINE SHIRAZI.
72 reviews1 follower
January 6, 2025
É muito trágico. Mas é cômico ao mesmo tempo. Ri da perda dos sapatos, das virgindades, dos mortos, das rezas - mas sempre com culpa, pq são de fato dualidades da vida que de longe é engraçado, mas são tristes, sofridas, pesos que levamos obrigatoriamente para crescer. O final, ainda mais trágico e mais reparador á tudo. Um brinde aos nossos mortos todos.
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