Pela mão de um dos mais acarinhados autores norte-americanos, uma crítica lúcida e feroz à religião.
Com introdução de António Araújo e tradução de Madalena Caramona.
«O Homem reza ao Criador, e pensa que Ele o ouve. Não é uma ideia bizarra?»
Exilado do Céu por escarnecer da obra divina, Satanás decide visitar a Terra para observar a mais recente experiência do a Humanidade. O que aqui encontra é motivo de tamanha incredulidade, que decide escrever aos arcanjos Miguel e Gabriel, narrando com estranheza e sarcasmo as contradições que orientam a relação entre Deus, injusto e cruel, e os humanos, que lhe prestam adoração irracional. Em tom mordaz e irónico, as missivas denunciam as práticas religiosas do Homem, vazias e fúteis, e os defeitos de um deus que criou o Inferno para negar às suas criaturas o derradeiro alívio das provações a que as submete - a morte.
Em Cartas da Terra, publicadas postumamente, Mark Twain revela um pessimismo e desencanto característicos das suas obras tardias, dando a conhecer outra faceta de um dos autores mais profícuos do século XIX.
Librarian Note: There is more than one author by this name in the Goodreads database.
Samuel Langhorne Clemens, known by the pen name Mark Twain, was an American writer, humorist and essayist. He was praised as the "greatest humorist the United States has produced," with William Faulkner calling him "the father of American literature." His novels include The Adventures of Tom Sawyer (1876) and its sequel, Adventures of Huckleberry Finn (1884), with the latter often called the "Great American Novel." Twain also wrote A Connecticut Yankee in King Arthur's Court (1889) and Pudd'nhead Wilson (1894), and co-wrote The Gilded Age: A Tale of Today (1873) with Charles Dudley Warner.
Mark Twain deixou este texto incompleto, não conseguiu concluí-lo. Nele põe em causa, na boca de Satanás, o domínio de um deus cruel e ciumento cuja criação mais amada não é o Homem, mas a mosca ou a incoerência da Bíblia e dos crentes. Defende também o direito das mulheres a dispor da sua sexualidade. Que pena que não conseguiu terminar, fiquei cheia de curiosidade para saber como Twain queria concluí-la.
Easy-to-read book, with ideas that over time have already been widely debated. Still, makes you wonder, and it was a really fun reading from the perspective of a skeptical person myself.
As cartas de satanas são um meio de o autor, num tempo complexo, polémico e perigoso na nossa história, expressar os pensamentos sobre Deus, através da voz do arcanjo satanas depois dele ter sido expulso do ceu e lançado para o espaço por causa da sua língua afiada.
Em poucas palavras consegue ser assertivo e certeiro.
Tem demasiadas referências a atos sexuais e tudo o que envolve, apesar de fazer algum sentido. No entanto, torna a leitura um pouco desconfortável em algumas partes.
Demonstra as incongruências, inconsistências e hipocrisias presentes na Bíblia, do criacionismo , e naquilo que o Homem prega diariamente.
Porém, não é um tópico que seja propriamente original, visto que há imensos livros com este tipo de críticas. Há também várias generalizações que impedem a identificação com o ponto de vista.
‘Cartas da Terra’ de Mark Twain, é uma obra provocadora e irreverente, que utiliza o humor mordaz e o sarcasmo para explorar os instintos humanos, a religião e as hipocrisias da sociedade. Ol
Satanás como narrador é absolutamente brilhante — ri-me imenso com as suas observações astutas e irónicas sobre a humanidade. No entanto, a oitava carta deixou-me desconfortável pela misoginia implicada, o que me impediu de dar as 5 estrelas.
Ainda assim, ao conhecer a biografia de Twain e entender o contexto da sua vida e do seu ceticismo, é mais fácil perceber as escolhas narrativas e o tom do livro. Recomendo-o a quem gosta de sátiras ousadas e não se importa de enfrentar temas controversos e, por vezes, desconfortáveis. É uma leitura desafiante, mas também profundamente reveladora’.
Uma sátira ao cristianismo com a sua piada, e apesar de não ser 100% fiel nem escrita de forma de ensaio, torna-se impossível não mencionar as dezenas de argumentos e fatos errados sobre Deus e a vida pelo caminho de Deus.
Realmente toca em pontos fortes como a morte de crianças inocentes. Tudo o resto é facilmente negado ou explicado por alguém com médio conhecimento do assunto.
De qualquer forma, repito, não acho que o livro tenha o objetivo de ser uma crítica 100% fiel e correta. Tem muito humor misturado.
Uma surpresa, não pela qualidade do autor, mas pela abordagem crítica de um processo que culturalmente é desvalorizado por não crentes. A ironia fina e o desapego emocional em relação à religião são contemplativos da própria perspetiva do autor. Apesar de não concluído, é uma obra imperdível.