«Num momento em que nos aproximamos do cinquentenário da Revolução do 25 de Abril, momento fundacional da nossa democracia, espero que estas reflexões sobre a qualidade do sistema político e sobre a nossa integração europeia possam ser úteis, sobretudo para os mais jovens. É essencialmente com o seu futuro que estou preocupado. Quanto mais esclarecidos e exigentes forem os jovens, melhores garantias temos de regeneração política e de progresso económico e social do País.»
ANÍBAL CAVACO SILVA nasceu em Boliqueime, Loulé, a 15 de Julho de 1939. Formou-se em Lisboa no Instituto de Ciências Económicas e Financeiras (1964), onde passou a ensinar em 1966. Doutorou-se pela Universidade de York, em 1973. Professor Catedrático na Faculdade de Economia da Universidade Nova de Lisboa, desde 1979, professor na Universidade Católica, desde 1975, Director do gabinete de Estudos do Banco de Portugal e da revista Economia da Universidade Católica Portuguesa, foi Ministro das Finanças e Economia do VI Governo Constitucional, liderado por Sá Carneiro (1980-81). Tendo assumido (Maio de 1985) a liderança do PSD, levou o partido a ganhar as eleições para a Assembleia da República (6 de Outubro de 1985). A 6.11.1985 torna-se primeiro-ministro do X Governo Constitucional. Em virtude das vitórias eleitorais de 19.7.1987 e de 6.10.1991, em que o partido obteve maioria absoluta, constituiu os XI e XII governos constitucionais. Abandonou a presidência do PSD em Fevereiro de 1995. Obteve 46,2% dos votos nas eleições presidenciais de 14.1.1996, em que saiu vencedor Jorge Sampaio. A 22.1.2006, é eleito Presidente da República, com 50,6% dos votos, sendo reeleito em 23.1.2011, terminando o mandato a 9.3.2016, sendo sucedido por Marcelo Rebelo de Sousa. Da sua vasta obra publicada há a referir os livros O Mercado Financeiro Português em 1966, Economic Effects of Public Debt, Política Orçamental e Estabilização Económica, A Política Económica do Governo de Sá Carneiro, Finanças Públicas e Política Macroeconómica, As Reformas da Década, Portugal e a Moeda Única, União Monetária Europeia, Autobiografia Política, Volumes I e II, e Crónicas de Uma Crise Anunciada. As intervenções mais importantes produzidas como Primeiro-Ministro encontram-se reunidas nos livros Cumprir a Esperança (1987), Construir a Modernidade (1989), Ganhar o Futuro (1991), Afirmar Portugal no Mundo (1993) e Manter o Rumo(1995).
Idealmente este livro teria sido escrito antes do Governo de António Costa para que não se tivesse a sensação constante (na primeira parte) de que o autor está repetidamente a criticar subliminarmente o Governo actual. Assim, afastava-se a ideia de "demasiadas coincidências", consolidando-se a certeza da sapiência do autor sobre o tema.
Um livro pejado de truísmos (mais especificamente na primeira parte), os quais, pela sua quantidade, levam a que este possa ser visto e utilizado mais como um manual, um guia.
O conteúdo no geral é bastante repetitivo. Não digo que seja mau conteúdo, apenas que são repetidos os mesmos conceitos e expressões bastantes vezes. Com o objectivo de fazer passar a mensagem, ou de fazer decorar a mensagem, é compreensível que se utilize a repetição mas, neste caso, penso que seria melhor que se dissesse a mesma coisa de forma diferente para que não se torne massador, dispendendo-se desnecessariamente tempo a ler as mesmas coisas, ditas exactamente da mesma forma.
Este livro é dividido em 3 partes, todas bastante fáceis de ler.
A primeira parte é bastante geral sobre o papel de um Primeiro Ministro, dos seus deveres e reuniões. É interessante ver a materialização dos deveres constitucionais escritos por uma que foi das maiores figuras da democracia portuguesa, ouvindo os pormenores não ditos.
A segunda é minha parte preferida. É verdadeiramente interessante ver o Primeiro Ministro responsável pela adesão de Portugal à CEE e membro fundados da União Económica e Monetária falar da Moeda Única. O autor reconhece os erros da UEM como o problema dos choques assimétricos e da falta de convergência orçamental, mas apela a um esforço de convergência que mudou a minha opinião em alguns aspetos. Vale a pena por esta segunda parte do livro!
A terceira e última parte é bastante menos interessante, já que é apenas um conjunto de artigos sobre alguns governos anteriores.
Algo que me intrigou foi a falta de referências neste que era um estudo, segundo o autor, normativo. O livro chega a referenciar outros artigos, livros e papers mas depois nunca chega a concretizá-los num espaço de bibliografia, essencial para qualquer estudo. É apenas um detalhe, mas que não podia faltar a um professor universitário.
Livro muito interessante, nomeadamente para as gerações mais jovens perceberem os deveres dum primeiro ministro, que nos últimos anos têm sido completamente desbaratados. Também muito interessante para se entreterem os princípios europeus. Finalmente um reality check em relação à verdadeira mediocridade dos regimes socialistas que tem assolado Portugal nos últimos 20 anos.
Apresenta uma visão fria e objectiva da sociedade portuguesa, os erros dos actuais governantes e a respectiva falta de visão e sentido de estado. É evidenciada a sua linha de pensamento norteada pelos ideais da social democracia alicerçados por Sá Carneiro.
A primeira parte é muito interessante com a descrição das funções de Primeiro-Ministro, depois torna-se extremamente pessoalizado no que toca a decisões políticas. No geral, um bom retrato do funcionamento administrativo de um governo em Portugal.